A média nacional das seis principais bacias produtoras do País teve aumento de 8,06% para o leite tipo C, com cotação de R$ 0,2993 o litro. A maior alta foi registrada em Goiás (10,20%), seguida por São Paulo (9,61%) e Minas Gerais (8,64%), de acordo com os dados do Cepea.
Tradicionalmente, a partir de março, há variações no preço de leite em virtude do início da entressafra. Em março deste ano, porém, houve uma elevação maior. "Historicamente os preços sobem apenas 3% em março", afirma o pesquisador do Cepea, Leandro Ponchio. A menor oferta no mercado interno ocorreu por conta dos baixos preços praticados em 2001, o que desestimulou a produção leiteira do País.
Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul fizeram grandes liquidações de plantel. Além disso, apesar de as chuvas terem favorecido as pastagens do Centro-Oeste e Sudeste, os cortes em investimentos no setor, ocorridos no final do ano passado, continuam refletindo na produção. Não há estimativas de quanto o rebanho leiteiro nacional foi reduzido.
Para Ponchio a alta de agora indica falta de leite. O pesquisador, no entanto, alertou para um problema: se os pecuaristas se entusiasmarem com os valores recebidos, cuja média nacional é de R$ 0,29 o litro, e fizerem investimentos durante a entressafra, podem sofrer com preços baixos na safra. Isto porque ele acredita que, em razão da menor oferta atual, as indústrias estejam fazendo estoque para não pagar muito caro pelo produto na entressafra.
"A indústria nacional está voltando a pagar os preços praticados até junho do ano passado", afirma o presidente do Conselho Nacional da Indústria de Laticínios (Conil), Carlos Humberto Carvalho. Segundo ele, o teto suportável é R$ 0,38 o litro e, a partir disso, a importação seria a alternativa. "É óbvio que se ultrapassar esse patamar há tendência de substituição pelo produto do Mercosul", afirma.
Segundo estimativas do Conil, o leite na Argentina está US$ 0,07 frente aos US$ 0,20 praticados no Brasil, o que poderia favorecer as compras internacionais. Para o chefe do Departamento Econômico da CNA, Vicente Nogueira Neto, se a indústria continuar sinalizando uma recuperação dos preços, a produção nacional pode ficar nos mesmos patamares do ano passado.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Neila Baldi) e Cepea, adaptado por Equipe MilkPoint