Segundo o banco, a produção de leite continua crescendo nas principais regiões exportadoras — com exceção da Austrália. Esse avanço foi favorecido principalmente pelos custos relativamente baixos de alimentação animal, o que incentivou os produtores a ampliar o volume de produção e manter a oferta global em níveis elevados.
O aumento da disponibilidade de leite teve impacto direto sobre os preços internacionais dos lácteos. Os mercados de gordura foram os mais afetados, com quedas superiores a 40% entre setembro e fevereiro. O leite em pó integral seguiu movimento semelhante, acumulando recuo de cerca de 30% no mesmo período.
Já os produtos ricos em proteína apresentaram maior resiliência. Mercados como os de leite em pó desnatado, queijos e soro de leite registraram retrações mais moderadas, em torno de 15%. No caso do soro, os preços chegaram até a continuar em alta, sustentados pela forte demanda por produtos proteicos de maior valor agregado.
Mais recentemente, no entanto, o mercado começou a mostrar sinais iniciais de recuperação. Resultados positivos consecutivos nos leilões da Global Dairy Trade, além de desempenhos mais firmes nos eventos GDT Pulse, contribuíram para melhorar o sentimento entre os participantes do setor.
Apesar disso, os dados atuais de oferta ainda não indicam que essa recuperação seja estruturalmente sustentável. A produção de leite na União Europeia, nos Estados Unidos, na América do Sul e na Nova Zelândia permanece bem acima dos níveis registrados no ano passado. Embora o ritmo de crescimento esteja gradualmente voltando ao normal, o mercado global ainda apresenta grande disponibilidade de produtos lácteos.
Mesmo assim, após um período prolongado de queda nos preços, o movimento recente de recuperação é visto como um sinal positivo para o setor, ao mostrar que as cotações podem voltar a subir.
Nos próximos meses, a tendência é de um ajuste gradual do mercado. À medida que as margens nas fazendas enfrentam maior pressão e as comparações favoráveis com o ano anterior começam a desaparecer após o primeiro trimestre, a expectativa é de que o equilíbrio entre oferta e demanda se torne mais apertado.
A previsão do Rabobank é que a produção de leite dos sete principais exportadores globais termine 2026 com crescimento de apenas 0,2% em relação ao ano anterior, após uma expansão de 2,6% registrada em 2025.
Esse cenário é explicado, em grande parte, pela desaceleração do crescimento da oferta em regiões como América do Sul, Austrália e China. Na Europa, a produção de leite deve recuar cerca de 0,9%, com impactos mais visíveis ao longo do ano, especialmente nos mercados de manteiga e leite em pó desnatado.
Nos Estados Unidos, por outro lado, as margens dos produtores seguem sustentadas pelos preços elevados da carne bovina, o que tende a manter o crescimento da produção de leite ao longo do ano. Nesse caso, a expansão deverá ser direcionada principalmente para a fabricação de queijos — especialmente muçarela e cheddar — além do soro de leite.
Do lado da demanda, as condições econômicas em regiões importadoras importantes, especialmente na Ásia, continuam favoráveis para a manutenção das compras de lácteos no mercado internacional. No entanto, o relatório destaca que a instabilidade geopolítica segue como um fator de risco relevante.
Tensões envolvendo países como Irã e Ucrânia, entre outras regiões, podem provocar interrupções temporárias no equilíbrio do comércio global. Como o Oriente Médio é um mercado relevante para importações de produtos como leite em pó, pós lácteos enriquecidos com gordura e leite evaporado, o setor acompanha de perto a evolução do cenário geopolítico e seus possíveis impactos sobre o fluxo internacional de lácteos.
As informações são do Rabobank, adaptadas pela Equipe MilkPoint.