De acordo com o Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no RS, o número de propriedades com a produção de leite reduziu em mais de 60% no Rio Grande do Sul na última década. Os custos de produção e a falta de mão de obra estão entre os principais motivos para o abandono da atividade.
Apesar da queda no número de propriedades, a eficiência do setor produtivo tem assegurado o contínuo crescimento no volume de produção de leite. O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor de leite no Brasil, com quase 4 bilhões de litros por ano. A região Noroeste responde por 70% da produção gaúcha de leite e representa 7,7% da produção nacional (Anuário Leite 2025). O número de vacas em cada propriedade praticamente dobrou e a média de produtividade chega a 17 litros/vaca/dia enquanto a média nacional não alcança 7 litros/vaca/dia. “O diferencial na Região Sul é a oferta de forragens de alto valor nutricional, especialmente durante o inverno” esclarece o pesquisador da Embrapa Trigo, Renato Fontaneli.
Segundo ele, o uso de cereais de inverno no forrageamento dos animais, através de pasto, silagem, pré-secado ou grãos também ajuda a reduzir custos na produção leiteira: “O uso de grãos e outros suplementos podem aumentar os custos de produção em até quatro vezes em comparação com a alimentação baseada em forragens”. Fontaneli lembra que para cada 1 kg de matéria seca de trigo é possível produzir 1,8 kg de leite. “Com o apropriado manejo em pastagens de inverno é possível atingir 20 litros de leite por vaca por dia”, conclui o pesquisador.
Fomento ao uso de forrageiras de qualidade
Historicamente, o produtor gaúcho utiliza aveia preta e azevém para alimentar o rebanho, mas a frequência nas intempéries climáticas, como geadas no cedo, falta ou chuva em excesso no período de outono/inverno afetam a oferta de pasto para abastecer o gado, aumentando os custos de produção com a suplementação dos animais.
Para amenizar o vazio forrageiro, diversas instituições de pesquisa investiram no melhoramento de espécies forrageiras mais adaptadas às condições ambientais para a produção de leite no Rio Grande do Sul. O desafio de levar as novas tecnologias até o produtor rural uniu pesquisa, extensão rural e poder público que passaram a atuar em conjunto no Programa Mais Forragem RS, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com apoio da Emater/RS-Ascar e Embrapa.
Em 2025, através do programa, foram realizadas 40 visitas técnicas, 35 dias de campo e capacitação direta de 200 extensionistas. O Programa distribuiu mais de 3 mil toneladas de sementes de forrageiras (capim sudão, sorgo, milheto, aveias, azevém, trigo, triticale e cevada) para, aproximadamente, 200 municípios gaúchos.
“Nas propriedades leiteiras, o programa trabalhou com dois objetivos: aumentar a produtividade e reduzir custos”, conta o coordenador do Programa de Sementes e Mudas Forrageiras, Jonas Wesz, da SDR. No balanço final, foi contabilizado acréscimo de 25% na produtividade do leite e 33% de redução nos custos de produção. “Muitos produtores atingiram essas margens, mostrando que com planejamento forrageiro e sementes de qualidade é possível manter o produtor na atividade leiteira”, comemora Jonas.
O engenheiro agrônomo da Embrapa Trigo Cristiano Tomasi, que acompanha o programa na SDR, lembra que 60% do custo de produção do leite é a alimentação. “A estratégia de orientação ao produtor foi definir a dieta animal baseada em pastagem, em quantidade e qualidade, deixando o alimento conservado como complemento. Assim conseguimos reduzir o custo médio de produção de R$ 2,00 por litro de leite, para R$ 1,20. Quando você soma essa renda no plantel, certamente faz diferença nas contas da família”, conclui Tomasi.
O impacto do programa no Rio Grande do Sul no último ano foi estimado em R$ 2,1 bilhões considerando a renda extra gerada nas 14.400 propriedades a partir do valor bruto do leite injetado na economia local em 200 municípios. Para 2026, o Programa de Sementes e Mudas Forrageiras destinou R$ 26 milhões para atender 24 mil agricultores familiares por meio de 216 entidades (sindicatos, cooperativas e associações).
As informações são da Embrapa.
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