Mais Forragem RS: tecnologia aumenta produção de leite e reduz custos

Os resultados apresentados pelo Programa Mais Forragem RS mostram que, com o uso de tecnologias, é possível aumentar em 25% a produtividade do leite e reduzir em 33% os custos de produção.

Publicado por: MilkPoint

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Produtores de leite do Rio Grande do Sul estão investindo em forragens de qualidade, especialmente durante o inverno, resultando em um aumento de 25% na produtividade e redução de 33% nos custos de produção, segundo o Programa Mais Forragem RS. Apesar da queda de mais de 60% no número de propriedades na última década, a eficiência do setor mantém o estado como o terceiro maior produtor de leite do Brasil. O programa distribuiu sementes e realizou capacitações, impactando 14.400 propriedades e gerando R$ 2,1 bilhões na economia local.
Os produtores de leite gaúchos estão investindo na oferta de forragens de qualidade, aproveitando especialmente as pastagens de inverno. Os resultados apresentados pelo Programa Mais Forragem RS mostram que, com o uso de tecnologias, é possível aumentar em 25% a produtividade do leite e reduzir em 33% os custos de produção.

De acordo com o Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no RS, o número de propriedades com a produção de leite reduziu em mais de 60% no Rio Grande do Sul na última década. Os custos de produção e a falta de mão de obra estão entre os principais motivos para o abandono da atividade.

Apesar da queda no número de propriedades, a eficiência do setor produtivo tem assegurado o contínuo crescimento no volume de produção de leite. O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor de leite no Brasil, com quase 4 bilhões de litros por ano. A região Noroeste responde por 70% da produção gaúcha de leite e representa 7,7% da produção nacional (Anuário Leite 2025). O número de vacas em cada propriedade praticamente dobrou e a média de produtividade chega a 17 litros/vaca/dia enquanto a média nacional não alcança 7 litros/vaca/dia. “O diferencial na Região Sul é a oferta de forragens de alto valor nutricional, especialmente durante o inverno” esclarece o pesquisador da Embrapa Trigo, Renato Fontaneli.

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Segundo ele, o uso de cereais de inverno no forrageamento dos animais, através de pasto, silagem, pré-secado ou grãos também ajuda a reduzir custos na produção leiteira: “O uso de grãos e outros suplementos podem aumentar os custos de produção em até quatro vezes em comparação com a alimentação baseada em forragens”. Fontaneli lembra que para cada 1 kg de matéria seca de trigo é possível produzir 1,8 kg de leite. “Com o apropriado manejo em pastagens de inverno é possível atingir 20 litros de leite por vaca por dia”, conclui o pesquisador.

Fomento ao uso de forrageiras de qualidade

Historicamente, o produtor gaúcho utiliza aveia preta e azevém para alimentar o rebanho, mas a frequência nas intempéries climáticas, como geadas no cedo, falta ou chuva em excesso no período de outono/inverno afetam a oferta de pasto para abastecer o gado, aumentando os custos de produção com a suplementação dos animais.

Para amenizar o vazio forrageiro, diversas instituições de pesquisa investiram no melhoramento de espécies forrageiras mais adaptadas às condições ambientais para a produção de leite no Rio Grande do Sul. O desafio de levar as novas tecnologias até o produtor rural uniu pesquisa, extensão rural e poder público que passaram a atuar em conjunto no Programa Mais Forragem RS, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com apoio da Emater/RS-Ascar e Embrapa.

Em 2025, através do programa, foram realizadas 40 visitas técnicas, 35 dias de campo e capacitação direta de 200 extensionistas. O Programa distribuiu mais de 3 mil toneladas de sementes de forrageiras (capim sudão, sorgo, milheto, aveias, azevém, trigo, triticale e cevada) para, aproximadamente, 200 municípios gaúchos.

“Nas propriedades leiteiras, o programa trabalhou com dois objetivos: aumentar a produtividade e reduzir custos”, conta o coordenador do Programa de Sementes e Mudas Forrageiras, Jonas Wesz, da SDR. No balanço final, foi contabilizado acréscimo de 25% na produtividade do leite e 33% de redução nos custos de produção. “Muitos produtores atingiram essas margens, mostrando que com planejamento forrageiro e sementes de qualidade é possível manter o produtor na atividade leiteira”, comemora Jonas.

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O engenheiro agrônomo da Embrapa Trigo Cristiano Tomasi, que acompanha o programa na SDR, lembra que 60% do custo de produção do leite é a alimentação. “A estratégia de orientação ao produtor foi definir a dieta animal baseada em pastagem, em quantidade e qualidade, deixando o alimento conservado como complemento. Assim conseguimos reduzir o custo médio de produção de R$ 2,00 por litro de leite, para R$ 1,20. Quando você soma essa renda no plantel, certamente faz diferença nas contas da família”, conclui Tomasi.

O impacto do programa no Rio Grande do Sul no último ano foi estimado em R$ 2,1 bilhões considerando a renda extra gerada nas 14.400 propriedades a partir do valor bruto do leite injetado na economia local em 200 municípios. Para 2026, o Programa de Sementes e Mudas Forrageiras destinou R$ 26 milhões para atender 24 mil agricultores familiares por meio de 216 entidades (sindicatos, cooperativas e associações).

Figura 1

As informações são da Embrapa.

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