Dados do mais recente relatório do Observatório do Consumidor da Embrapa mostram que a categoria de queijos registrou crescimento de 5% em volume e de 6,3% em faturamento no primeiro semestre de 2026, reforçando uma tendência de valorização de produtos com maior diferenciação e potencial de captura de valor ao longo da cadeia.
No Paraná, segundo maior produtor de leite do país, esse movimento já se reflete na estratégia de produtores e indústrias. Para Alexandre Lobo Blanco, médico-veterinário do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) e futuro representante dos produtores no Conseleite-PR, a fabricação de queijos tem desempenhado um papel importante tanto para equilibrar o mercado quanto para ampliar as oportunidades de negócio.
"O queijo cumpre o papel de concentrar o leite fluido e estabilizar os preços, especialmente em períodos em que os estados do Sul registram aumento da produção, como ocorreu em 2025 e 2026", explica. Além do efeito sobre o equilíbrio da oferta, Blanco destaca que a produção de queijos permite maior flexibilidade comercial. Diferentemente do leite cru, que precisa ser entregue rapidamente ao laticínio, os queijos possuem maior vida útil, possibilitando melhor planejamento de vendas e maior poder de negociação.
"O produtor de leite tem, no máximo, dois dias para entregar seu produto; ele praticamente não consegue fazer seu preço. Já quem produz queijo consegue negociar melhor, trabalhar com prazos maiores e planejar negócios de longo prazo", afirma. Segundo ele, algumas propriedades paranaenses já avançaram na verticalização da produção, destinando todo o leite para queijarias próprias devidamente regulamentadas, agregando valor à matéria-prima antes da comercialização.
Diferenciação abre espaço para pequenos produtores
A agregação de valor não se limita à produção de queijos tradicionais. O relatório da Embrapa também aponta crescimento de categorias voltadas à saúde e à conveniência, como produtos zero lactose e bebidas com alto teor de proteína, refletindo a diversificação do mercado de lácteos.
Embora o desenvolvimento desses produtos dependa, muitas vezes, de plantas industriais mais complexas, Blanco acredita que os pequenos produtores também encontram oportunidades ao investir em nichos específicos. "O pequeno produtor tem condições de permanecer competitivo quando alia controle de custos à qualidade. Existe espaço para leites e queijos especiais produzidos em microrregiões, onde o rebanho, a alimentação e as características locais conferem identidade ao produto", destaca.
Essa valorização de produtos regionais vem sendo estimulada por iniciativas como o Prêmio Queijos do Paraná, realizado pelo Sistema FAEP em parceria com Sebrae, Sindileite e IDR-Paraná. Em sua segunda edição, a premiação busca dar visibilidade às queijarias certificadas e incentivar a produção de queijos de maior valor agregado.
Mais do que uma resposta às oscilações do mercado, o avanço dos queijos e de outros derivados evidencia uma mudança na estratégia da cadeia leiteira: transformar o leite em produtos de maior valor agregado, ampliando as possibilidades de renda para produtores, fortalecendo a indústria e atendendo a um consumidor cada vez mais disposto a buscar qualidade, diferenciação e identidade regional.
As informações são do portal Tribuna Paraná, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.
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