O queijo de 3.300 anos e o que ele revela sobre o consumo de lácteos

Análises laboratoriais confirmaram que o material encontrado em recipientes de barro era um queijo misto, feito com leite de diferentes espécies - evidência do domínio técnico dos egípcios antigos.

Publicado por: MilkPoint

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A descoberta de um queijo de aproximadamente 3.300 anos em Sacará, Egito, dentro de uma tumba, tem sido fundamental para entender a alimentação e rituais dos faraós. Análises laboratoriais confirmaram que o queijo era uma mistura de laticínios de bovinos, cabras e ovelhas. A presença de uma molécula da bactéria Brucella melitensis sugere uma possível evidência de brucelose na época. O achado reflete a importância dos laticínios nas oferendas funerárias e revela práticas de produção e consumo estruturadas na Antiguidade.

Entre os achados arqueológicos que ajudam a reconstruir o cotidiano no Egito Antigo, a descoberta de um queijo com aproximadamente 3.300 anos, em Sacará, tem chamado a atenção de pesquisadores. O estudo desse material permite compreender melhor a alimentação da época, as técnicas de conservação e até a circulação de doenças no período dos faraós.

Por que o queijo de Sacará é considerado o mais antigo do mundo?

O queijo foi encontrado em Sacará, próximo à antiga Mênfis, dentro da tumba de uma alta autoridade egípcia. Estava acondicionado em recipientes de barro fragmentados e envolto em tecido.

A combinação entre boa preservação, contexto arqueológico bem documentado e análises laboratoriais detalhadas transformou o achado em uma referência para o estudo do Egito faraônico.

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Depositado como bem funerário, o alimento reforça a importância simbólica e prática dos laticínios nas oferendas mortuárias. Esses produtos eram vistos como fonte de sustento na vida após a morte, refletindo tanto os hábitos alimentares quanto as crenças religiosas das elites egípcias.

 

Como os cientistas confirmaram que se tratava de queijo?

Para identificar a natureza do material, os pesquisadores utilizaram técnicas de proteômica, analisando proteínas preservadas no interior do vaso e no tecido que envolvia o conteúdo. A espectrometria de massas permitiu detectar marcadores típicos de derivados lácteos, descartando a hipótese de outras substâncias orgânicas.

As análises indicaram a presença de proteínas associadas a leite de animais da família dos Bovídeos, especialmente vaca, combinadas a características de leite de cabra ou ovelha. O resultado aponta para um queijo de mistura, evidenciando domínio de técnicas de processamento de laticínios e criação diversificada de rebanhos.

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A equipe seguiu um protocolo rigoroso de coleta e exame laboratorial, assegurando a preservação da amostra e a confiabilidade dos resultados. O método empregado tornou-se um modelo relevante para futuras investigações de restos alimentares antigos.

Figura 1

 

Que doenças esse queijo pode ajudar a identificar?

Entre as proteínas detectadas, foi identificada uma molécula associada à bactéria Brucella melitensis, relacionada à brucelose — doença transmitida pelo consumo de leite cru e derivados não pasteurizados.

Se confirmada por estudos adicionais, essa poderá ser uma das primeiras evidências biomoleculares diretas de brucelose em contexto faraônico. O achado contribui para a história das doenças infecciosas e amplia o entendimento sobre as práticas de consumo de laticínios na Antiguidade.

 

O que a descoberta revela sobre alimentação e rituais?

A presença do queijo em uma tumba de alta hierarquia indica que os laticínios tinham relevância econômica, nutricional e ritual. O uso de tecido e vasos de barro sugere cuidados com preservação e transporte, apontando para cadeias de produção e distribuição estruturadas.

O conjunto de evidências revela um sistema que envolvia criação de bovinos, cabras e ovelhas, técnicas de transformação do leite e circulação de alimentos entre campo, cidades e templos.

Pequenas amostras como essa mostram como vestígios alimentares podem revelar aspectos de clima, saúde e tecnologia alimentar em civilizações antigas.

As informações são do O Antagonista, adaptadas pela equipe MilkPoint.

 

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