A pesquisa sobre nutrição e manejo de bezerras explodiu nos últimos 25 anos e o interesse por esse tema nunca foi tão alto.
A nutrição de bezerras evoluiu de uma abordagem simples e padronizada para uma compreensão mais sofisticada do papel que a nutrição precoce desempenha no crescimento, saúde e produtividade futura. A indústria está se afastando, ainda que lentamente, da ideia de que "um saco de substituto de leite por bezerra e toda a ração starter que elas comerem" seja suficiente. Agora, são avaliados os objetivos de desempenho desejados e elaborado um programa alimentar para atingir essas metas.
Mais leite se tornou a norma
O período de alimentação com leite é uma preocupação central em termos de bem-estar e também uma enorme oportunidade econômica para produtores e especialistas em bezerras. A prática antiga de alimentar as bezerras com 450 a 570 gramas de substituto de leite está sendo gradualmente substituída por quantidades maiores de leite mais nutritivo, que se aproximam dos níveis de ingestão "naturais".
O último estudo do National Animal Health Monitoring System (NAHMS), realizado em 2014, mostrou que a quantidade média de leite fornecida nas fazendas leiteiras dos EUA era de cerca de 5,4 litros por dia por bezerro, o que equivale a cerca de 725 gramas por dia de sólidos de leite. Esse número provavelmente continuou aumentando na última década, com muitas fazendas fornecendo de 5,7 a mais de 7,5 litros de leite ou substituto de leite diariamente.
As novas diretrizes da National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine (NASEM), publicadas em 2021, afirmam que a quantidade mínima de sólidos de leite a ser fornecida deve ser 1,5% do peso corporal ao nascer, o que, para uma novilha Holandesa de 43 quilos, seria cerca de 635 gramas de sólidos ou mais de 5 quilos de leite integral. Muitas fazendas claramente fornecem mais que essa quantidade mínima.
A pesquisa sobre colostro também floresceu nos últimos 25 anos, enfatizando seu papel crucial na imunidade, nutrição e fornecimento de substâncias que promovem o crescimento e a saúde. Um novo conjunto de diretrizes foi desenvolvido para avaliar a adequação do colostro e o sucesso na transferência de imunidade passiva, classificada em quatro grupos, de excelente a pobre. O estudo mostrou que a mortalidade e doenças diminuíram conforme o status do colostro melhorava.
Espaço para crescimento
A nutrição das bezerras mudou radicalmente com a publicação de um artigo fundamental de Carolina Diaz e Mike Van Amburgh, da Universidade de Cornell, em 2001. Essa pesquisa demonstrou que taxas de crescimento impressionantes são possíveis quando as bezerras recém-nascidas são alimentadas com maiores quantidades de substituto de leite formulado com quantidades adequadas de proteína bruta.
Pesquisadores de British Columbia descobriram que bezerras com acesso livre a leite desde o nascimento consumiram nutrientes suficientes para crescer a uma taxa de 1 kg por dia nas duas primeiras semanas de vida, em comparação com 0,36 kg por dia para bezerras alimentadas com leite equivalente a 10% do peso corporal. Eficiências alimentares superiores a 0,80 (ganho de peso por unidade de alimento) podem ser alcançadas por bezerras jovens quando alimentadas com grandes quantidades de leite, similares às eficiências alcançadas por porcos e cordeiros.
Alguns céticos argumentam que não há benefício econômico na maior eficiência alimentar no crescimento de bezerras leiteiras jovens. No entanto, os pesquisadores da área de ciência animal devem se preocupar em obter o máximo valor dos recursos alimentares em qualquer fase da vida, o que reduz o custo do ganho de peso corporal. Bezerras alimentadas com mais leite são mais resistentes a infecções e, o mais importante, há evidências crescentes de que bezerras mais saudáveis produzem mais leite na primeira lactação e nas subsequentes.
Outro avanço chave foi a publicação das diretrizes do National Research Council (NRC) em 2001, que adotou uma abordagem diferente para calcular as necessidades das bezerras em comparação com edições anteriores. Esse modelo se tornou amplamente utilizado na indústria e estabeleceu que as bezerras têm exigências variáveis, dependendo das taxas de crescimento desejadas.
Foco no comportamento
Nos últimos 25 anos, houve uma proliferação de pesquisas sobre comportamento e bem-estar das bezerras. Estudos mostraram sinais claros de fome em bezerras alimentadas com programas convencionais de leite limitado, como maior vocalização e inquietação. Tais sinais não são evidentes em bezerras alimentadas com quantidades maiores de leite. A pesquisa sobre comportamento também resultou em práticas como o alojamento em pares, que se tornou mais popular nos últimos anos.
Por fim, um importante recurso disponível para auxiliar na alimentação e manejo é o sistema NASEM, publicado em 2021, que fornece uma revisão atualizada sobre a nutrição de bezerras leiteiras. O modelo que acompanha a publicação pode prever com precisão o crescimento médio de bezerras com diferentes programas de alimentação, bem como os efeitos do estresse térmico no desempenho.
Esses avanços são apenas alguns dos muitos progressos importantes na nutrição e crescimento de bezerras nos últimos 35 anos. Com o foco atual nas bezerras jovens, espera-se que mais inovações baseadas em pesquisas continuem surgindo.
As informações são da Hoard’s Dairyman, traduzidas pela equipe MilkPoint.