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NRC 2021: o que mudou para bezerras e novilhas?

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

CARLA BITTAR

EM 11/01/2022

8 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 11/01/2022

Antes de qualquer coisa é importante entender quem organiza esta publicação que compilam as exigências de animais leiteiros e traz recomendações de nutrientes e também de manejo alimentar.

Até 2001 quem organizava este compêndio era o Nutrient Requirement Council, de onde vem a sigla NRC. Na edição mais atual (2021) temos o National Academies of Science, Engineering, and Medicine, que resulta na nova sigla NASEM. Embora os nomes e siglas tenham sido alterados, o grupo de pesquisadores internacionais que organiza, compila e modela os resultados de pesquisa científica dos últimos anos para atualizar as recomendações, é basicamente o mesmo. Assim, tivemos a publicação recente de modelos e recomendações atualizadas a partir de publicações dos últimos 20 anos de pesquisa com gado leiteiro.

Uma abordagem já adotada na publicação de 2001 é a de considerar as alterações que ocorrem na fisiologia e metabolismo, e, portanto, de exigências dos bezerros leiteiros em função de sua transição de animal pré-ruminante para ruminante funcional. Assim, as exigências dos animais foram modeladas considerando três fases de desenvolvimento:

  • Quando animal consome apenas dieta líquida (início do aleitamento)
  • Quando animal consome dieta líquida e dieta sólida
  • Quando animal consome apenas dieta sólida (após desaleitamento)

As exigências e recomendações de nutrientes são baseadas em medidas de energia que consideram perdas de energia nos processos de digestão, absorção e metabolização, como esquematizado na Figura 1.

A energia bruta é aquela contida nos alimentos que serão fornecidos ao animal. A primeira perda se refere à perda de energia nas fezes resultando naquilo que chamamos de energia digestível. Ainda nos processos de digestão e absorção, teremos perdas de energia na urina e pela emissão de gases, resultando na energia metabolizável. Finalmente a última perda se dá pela produção de calor resultante dos processos de metabolização, quando temos a energia líquida.

As exigências são expressas em energia metabolizável (EM) ou energia líquida (EL) e, considerando animais em crescimento, podemos considerar que parte desta energia será utilizada para mantença do animal (animal se manter vivo sem ganhar ou perder peso) e parte será retida (crescimento). Importante salientar que no caso de uma vaca em lactação, a energia líquida ainda teria um outro componente que é a energia secretada (energia do leite produzido).

Uma diferença no NRC 2001 para o NASEM 2021 é a caracterização daquilo que devemos considerar como bezerras. De acordo com o novo modelo, podemos chamar de bezerras animais com até 18% do seu peso adulto. Assim, para animais com peso adulto de 700 kg, podemos chamar o animal de bezerro até os seus 125 kg de peso corporal. Esse ponto é importante pois, a partir deste determinado peso, as exigências utilizadas para a formulação de dietas devem ser aquelas apresentadas no capítulo que trata de novilhas e não mais de bezerras.

Um ganho bastante importante que tivemos nessa publicação foram as equações de predição de consumo de matéria seca para bezerros. Foram apresentadas 2 equações para estimar consumo de concentrado uma em condições temperadas e outra para condições subtropicais (> 35°C). O consumo de alimentos por bezerros jovens criados em regiões mais quentes e úmidas não era predito de forma adequada pela equação anterior.

No entanto, a recomendação de uso da equação para condições semitropicais somente a partir de 35°C é questionável, pois sabemos do impacto de temperaturas acima da termoneutralidade no consumo de alimentos. Essas equações consideraram fatores importantes para esta predição como o peso corporal (kg), o consumo de EM da dieta líquida, o GDP e o tempo para o oferecimento do concentrado (semana). De maneira geral, as equações predizem os seguintes consumos médios:

Para a determinação da exigência de mantença dos animais, o NASEM 2021 considerou aspectos relacionados a sua alimentação, uma vez que à medida que o animal passa a consumir dieta sólida ocorre um aumento no tamanho do trato gastrintestinal e de perdas por metabolização. Assim, o modelo considera um aumento de 2% na exigência de energia de mantença. Além disso, o modelo considera questões relativas a termoneutralidade dos animais e sugere faixa de 15 a 25 0C para animais do nascimento até a 3ª. semana de vida e de 5 a 25 0C para animais acima de 3 semanas de vida. Para cada grau abaixo ou acima da faixa de termoneutralidade o modelo considera um aumento na exigência de energia de mantença de em torno de 2,01kcal/kg 0,75/d.

A Tabela 1 mostra como esse ajuste é realizado de acordo com a temperatura ambiente e a idade do animal, considerado um animal de 45 kg de peso vazio. Interessante notar que aumento ou diminuição de 50C na temperatura ambiente resulta em aumento de aproximadamente 9% na exigência de mantença. 

Embora na maior parte das vezes nos preocupamos mais com o estresse por frio em bezerros jovens, o modelo mostra como o estresse por calor pode aumentar a exigência de energia de mantença, reduzindo a energia líquida que sobra para o ganho de peso. O modelo também sugere que animais da raça Jersey tem energia de mantença 20% superior àquela de animais da raça Holandesa devido a razão entre massa e superfície corporal, o que está associado a maior taxa metabólica e, portanto, maior perda de calor.

A partir de dados de pesquisa publicada nos últimos anos, o NASEM 2021 apresenta então as tabelas de exigência de energia e proteína para animais nas diferentes fases de crescimento, que considera o desenvolvimento ruminal. As Tabelas trazem o consumo de alimento necessário para o atendimento destas exigências.

Na Tabela 2 temos as exigências de animais consumindo apenas dieta líquida, ou seja, bem no início do período de aleitamento. Se considerarmos um animal com 40 kg de peso corporal e ganho de 600 g/d, para que atenda suas exigências precisa consumir 800 g de MS. Uma vez que este é um animal que só está consumindo dieta líquida isso representa em torno de  6,5 L de dieta líquida com 12,5% de sólidos, com 25,4% de PB (última coluna da tabela).

A exigência de energia líquida de mantença é fixa e depende do peso da animal e não da sua taxa de crescimento. Mas, a exigência de energia metabolizável que engloba a mantença e aquilo que será utilizado para crescimento, aumenta à medida que a taxa de crescimento desejada para este animal também aumenta. A relação entre proteína bruta e proteína metabolizável utilizada pelo modelo é de 0,95.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado para as Tabelas 3 e 4, que apresentam respectivamente as exigências de energia e proteína para animais consumindo dieta líquida e sólida e animais já desaleitados.

Para animais na segunda fase (consumindo dieta líquida e dieta sólida), as exigências de energia líquida de mantença são fixas de acordo com o peso do animal, mas a metabolizável varia de acordo com a taxa de crescimento além da proporção dos diferentes alimentos na dieta total (terceira coluna).

Assim, para o animal do nosso exemplo inicial, que agora tem 70 kg, mas continua com ganho de 600 g/d, a exigência de mantença é fixa em 1,76 Mcal/d, mas a exigência de energia metabolizável é de 4,91 ou 5,15 Mcal/d a depender da relação dieta líquida (DL) : dieta sólida (DS). A porcentagem de PB na dieta diminui à medida que o animal consumo mais concentrado, mas é importante salientar que estes valores se referem à dieta total (dieta líquida + dieta sólida). Para o animal consumindo a dieta 80:20, ou seja 80% da MS se refere a DL e 20% a DS, o consumo predito para o atendimento das exigências é de 1,14 kg MS/d. Quando o animal está na dieta 60:40 o consumo necessário sobre para 1,35 kg MS/d.

Estas diferenças consideram as diferenças na digestibilidade dos alimentos e na metabolização dos nutrientes advindos da dieta líquida ou sólida. Assim, a depender do programa de aleitamento e o consumo de dieta sólida resultante vamos ter cenários diferentes.

Na Tabela 4, nosso animal agora está com 95 kg de peso corporal e estamos ainda formulando dieta para ganho de 600 g/d. As exigências de mantença continuam fixas de acordo com o peso do animal (2,61 Mcal/d), mas a exigência de energia metabolizável e de proteína aumenta com a taxa de ganho. Chama atenção o teor de proteína da dieta de aproximadamente 16% para animais desaleitados. Para uma mesma taxa de crescimento (600 g/d) partimos de dieta com 25,4% de PB para animais consumindo somente dieta líquida, passamos para em torno de 20% de PB na fase de transição, quando animal consumo dieta sólida além da dieta líquida, e chegamos a 16% de PB na dieta sólida de animal desaleitado.

A publicação também revisou as exigências de minerais e vitaminas de bezerros jovens, sempre considerando a fase de desenvolvimento do animal e a composição da sua dieta, mais especificamente o programa de aleitamento.

Todos estes números estão embutidos nos modelos de predição de ganho e de consumo e poderão ser utilizados pelos nutricionistas para simulação de dietas através de software do NASEM. Além dos modelos de predição, o capítulo sobre gado jovem traz recomendações de alimentação baseadas na publicação de pesquisa dos últimos 20 anos.

Muitas destas recomendações já são amplamente utilizadas por produtores nacionais e internacionais, mas alguns pontos merecem ainda atenção como o estresse por calor de vacas no pré-parto, o fornecimento de leite de transição e a polêmica recomendação de fornecimento de volumosos para animais jovens. 

Fique atento pois 2022 será um ano de muitas novidades e pensando em atualizar vocês sobre as mudanças e novidades do NRC, que o EducaPoint irá oferecer uma imersão no assunto.

A imersão EducaPoint traz um olhar único para as mudanças que o NRC 2021 trará para o seu negócio, na prática. Eu, Carla Bittar, juntamente com a professora Polyana Pizzi Rotta e o professor Rodrigo de Almeida, iremos trazer mais de 15 horas de conteúdos práticos e participativos pra vocês. Não perca!  

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

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