Alta da carne bovina sustenta produtores de leite nos EUA, mas exige cautela

Os elevados preços da carne bovina nos EUA estão funcionando como uma boia de salvação para os produtores de leite, compensando o enfraquecimento das cotações lácteas.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 4 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
Os altos preços da carne bovina nos EUA estão beneficiando os produtores de leite, compensando a queda nas cotações lácteas. Essa situação é temporária e especialistas recomendam que os produtores protejam suas margens de lucro. A demanda por carne moída e hambúrgueres sustenta os preços da carne, enquanto o aumento das importações e riscos como a bicheira preocupam o setor. A gestão de riscos é essencial, e os produtores devem utilizar ferramentas financeiras para garantir margens favoráveis.
Os elevados preços da carne bovina nos Estados Unidos estão funcionando como uma boia de salvação para os produtores de leite, compensando o enfraquecimento das cotações lácteas. Durante um webinar da Standard Nutrition, os analistas Mike North e Kathleen Wolffley, da Ever.Ag, alertaram que essa janela de oportunidade é temporária e recomendaram que os produtores protejam suas margens de lucro imediatamente.

A combinação entre as vendas de bezerros beef-on-dairy (cruzamento de gado leiteiro com corte), a alta valorização das vacas de descarte e os custos controlados de alimentação criaram um dos melhores cenários de margem dos últimos anos. Hoje, a receita vinda da carne bovina adiciona entre US$ 0,07 e US$ 0,09 por quilo de leite produzido, um salto expressivo em relação aos US$ 0,02 a US$ 0,03 registrados há poucos anos.

Alta da carne bovina sustenta produtores de leite nos EUA, mas exige cautela

Foto: Farm Journal

O impacto da carne bovina no setor leiteiro

O forte impacto da pecuária de corte no setor leiteiro deve-se, em grande parte, à preferência do consumidor americano por carne moída e hambúrgueres em detrimento de cortes nobres. Essa demanda sustenta o preço da carne magra, fazendo com que vacas de descarte cheguem a ser comercializadas por até US$ 2.800 por cabeça. Atraídos pelos altos valores dos bezerros cruzados, os produtores estão retendo matrizes que normalmente seriam descartadas. Esse movimento gerou 17 meses consecutivos de aumento na produção de leite e levou o rebanho leiteiro dos EUA ao seu maior tamanho em três décadas.

Continua depois da publicidade

Contudo, existem riscos à vista. Preços recordes atraem concorrência, o que já resultou no aumento expressivo das importações de carne do Brasil, Austrália e México. Além disso, os bovinos têm passado mais tempo nos confinamentos, resultando em carcaças mais pesadas e em um maior volume de carne disponível para frear novas altas. Somado a isso, o avanço da bicheira do Novo Mundo no Texas e Novo México preocupa os produtores. O maior risco não é necessariamente a mortalidade do rebanho, mas as possíveis restrições de transporte de animais entre estados, o que poderia impactar severamente a capacidade de abate regional.

A dinâmica global e os derivados lácteos

No cenário internacional, o mercado norte-americano está cada vez mais atrelado à dinâmica global, especialmente à produção na Europa e na Nova Zelândia. As exportações de queijos absorvem hoje entre 10% e 11% da produção americana, impulsionadas por compras do México, Japão e Coreia do Sul. No entanto, o consumo interno esfriou devido à cautela financeira das famílias. Para manter o ritmo das exportações, os EUA precisam garantir um desconto de US$ 0,44 a US$ 0,66 por quilo em relação ao queijo europeu, garantindo sua competitividade.

Enquanto isso, o grande destaque positivo do setor lácteo é a demanda crescente por proteínas do leite. Concentrados e isolados de soro de leite continuam em alta, impulsionados pela venda de suplementos esportivos e bebidas prontas. Por outro lado, a manteiga permanece com vendas firmes, mas o foco genético das fazendas no aumento de sólidos elevou expressivamente a produção de gordura, o que deve limitar a escalada dos preços. Já o leite em pó desnatado apresenta tendência de queda, pois o aumento da produção interna gerou excesso de oferta e os preços americanos, acima da média global, fizeram o país perder espaço para concorrentes internacionais.

Custos de alimentação e fatores climáticos

Em relação aos custos de alimentação, o cenário atual é considerado confortável devido à grande área plantada e aos bons estoques domésticos, mas a volatilidade climática exige atenção. O farelo de soja, cotado a cerca de US$ 300 por tonelada, representa um piso histórico, sendo o momento ideal para os produtores travarem compras. O milho, que enfrenta estoques globais em queda há uma década, já apresentou reações de alta no mercado futuro devido a previsões de tempo seco e quente durante o período de polinização das lavouras.

Continua depois da publicidade

Outro fator climático relevante é o estresse térmico no rebanho. Ondas de calor no Meio-Oeste Superior, Nordeste dos EUA e Europa já reduziram a produção de leite em algumas áreas. Embora essa queda na oferta possa gerar um suporte temporário aos preços lácteos, os analistas alertam que se trata apenas de um movimento de curto prazo, e não de uma mudança estrutural.

Alta da carne bovina sustenta produtores de leite nos EUA, mas exige cautela

Foto: Farm Journal

Gestão de risco é fundamental

A principal mensagem deixada pelos especialistas é a de não contar com preços altos para sempre. A abundância de oferta, seja pelo aumento das importações de carne ou pelo crescimento dos rebanhos leiteiros, deve corrigir o mercado no médio prazo. Eles recomendam fortemente que os produtores não tentem adivinhar o mercado, mas sim que utilizem ferramentas de proteção financeira — como opções, contratos a termo e o Dairy Revenue Protection — para fixar as margens favoráveis de hoje. Como resume Mike North, se o produtor não estiver administrando de forma integrada as receitas do leite, os custos da alimentação e a pecuária, estará permitindo que uma área da fazenda comprometa o resultado das demais.

As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.

Vale a pena ler também:

Quanto de água uma vaca em compost barn consome por dia?

Porque as Américas estão superando a Europa no comércio internacional de lácteos

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?