A maior companhia de lácteos da Nova Zelândia, a Fonterra, quer aproveitar a produção de leite do país, apostando no mercado mundial da "medicina natural", o qual está crescendo bastante. A companhia está trabalhando com as Escolas de Medicina de Otago e Auckland para formar um consórcio a fim de desenvolver produtos "bioativos" derivados de leite, capazes de fortalecer o sistema imune e de ajudar as pessoas a fortalecer seus ossos.
A Fonterra propôs um investimento de NZ$ 2 milhões (US$ 887,48 mil) neste acordo, e pode ainda, investir NZ$ 1,5 milhão (US$ 665,61 mil) em uma empresa subsidiária, que também poderá contar com capital estrangeiro.
O consórcio solicitou uma quantia de NZ$ 3,2 milhões (US$ 1,42 milhão) da Fundação para Pesquisa, Ciência e Tecnologia, que deverá se encaixar na nova política da fundação, que visa o financiamento de pelo menos três consórcios de pesquisa, os quais unam as forças pública e privada, neste ano. Porém, o financiamento da fundação não é garantido, uma vez que a instituição já recebeu outras 5 propostas para consórcios de pesquisa, nas áreas de genética do trevo branco, redução do metano produzido pelos animais, alimentos mais saudáveis derivados de carne, testes de qualidade da madeira e novos materiais para ser usados como fibras de madeira.
O comitê de investimentos da fundação se reuniu na segunda-feira passada, e as decisões finais serão anunciadas em 30 de maio. A fundação alocará cerca de NZ$ 22,5 milhões (US$ 9,98 milhões), durante os próximos três anos, que serão destinados ao financiamento de 50% dos consórcios de pesquisa, sendo que o restante do dinheiro terá que ser fornecido pelas empresas participantes.
Segundo o gerente de desenvolvimento da New Zealand Milk Products (NZMP), a subsidiária do setor de ingredientes alimentícios da Fonterra, David Johns, os investimentos totais, feitos pela companhia e pela fundação, deverão ser de mais de NZ$ 35 milhões (US$ 15,53 milhões) durante os próximos 7 anos.
O membro do Centro de Pesquisa Fonterra, antigo Instituto de Pesquisa de Lácteos, Tony McKenna, disse que a pesquisa irá, inicialmente, ser feita com os componentes do leite capazes de promover o crescimento ósseo e beneficiar o sistema imune. "Apesar deste alimento ser designado para os jovens, esses mecanismos podem ser importantes em qualquer estágio da vida".
McKenna disse que os pesquisadores estão trabalhando com um grupo de pesquisa da Universidade de Auckland, liderado pelo professor assistente Jill Cornish e pelo professor, Ian Reid. O grupo está conduzindo pesquisas com osteoporose, uma redução da massa óssea que afeta mais da metade das mulheres neozelandesas, e quase 1 terço dos homens com mais de 60 anos de idade. Mais de 3 mil neozelandeses quebraram ossos da bacia neste ano, sendo que, um terço destes pacientes morreram após um ano, devido a complicações relacionadas.
"Há alguns produtos que estão mostrando alguma promessa em termos de crescimento ósseo, mas não existe nenhum produto capaz de aumentar a massa óssea em idosos que conte com a aprovação do Food and Drug Administration (FDA), dos EUA. Desta forma, há uma lacuna. Este consórcio está buscando oportunidades para suprir esse espaço, e o leite é um bom ponto de partida", disse McKenna.
Os pesquisadores estão trabalhando também com bactérias utilizadas em produtos como iogurtes, capazes de estimular o sistema imune, combatendo microrganismos patogênicos que podem causar problemas, como por exemplo, a diarréia e o câncer de intestino.
Fonte: Nzherald.co.nz, adaptado por Equipe MilkPoint
Nova Zelândia: Fonterra quer entrar no setor de produtos bioativos
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