Nordeste: crise na bacia leiteira mobiliza autoridades

Publicado por: MilkPoint

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Segundo o jornal Gazeta Mercantil, a discussão da crise do setor leiteiro do Nordeste, em reportagens publicadas nas últimas edições, levou a Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) a planejar uma parceria entre prefeituras e o Governo do Estado para ampliar o Programa Leite de Pernambuco. A idéia é comprar o produto dos pecuaristas locais para substituir o leite em pó consumido na merenda escolar. As prefeituras se encarregariam de adquirir a produção e o Governo do Estado repassaria o know how na distribuição e armazenamento do produto.

No âmbito municipal, o presidente da Amupe, Sérgio Miranda, diz que a distribuição é hoje o principal entrave para substituição do leite em pó pelo pasteurizado na merenda das escolas municipais. "Nossa preocupação é com o manuseio e a entrega do produto, que tem prazo de validade de apenas três dias e precisa percorrer grandes distâncias para chegar dos estabelecimentos rurais", observa. Outro problema apontado por Miranda, que também é prefeito da cidade de Panelas (170 km do Recife), é o acondicionamento do leite nos finais de semana, quando as escolas estão fechadas e o produto precisa ficar em câmaras frigoríficas. "Será necessária a criação de uma cadeia para otimizar a produção, distribuição, armazenamento e transporte. Dessa forma, poderemos criar um mercado único para o leite em Pernambuco, movimentando a economia da bacia leiteira", diz entusiasmado.

O prefeito conta que, em 2000, foi instalada uma mini-usina para resfriamento do leite na cidade de Panelas. Segundo ele, a prefeitura adquiria a produção de criadores locais, que chegava a 1.500 litros/dia, quando o consumo diário é de dois mil litros/dia. "A estiagem fez com que a iniciativa fosse encerrada, mas temos expectativa de retomar o programa este ano".

A prefeitura também pensa em ampliar para as 72 escolas rurais de Panelas um programa que adquire hortaliças cultivadas pelos pais dos alunos. "Poderíamos fazer o mesmo com o leite", reforça, lembrando que a reativação do setor leiteiro se reflete em aquecimento na economia dos municípios produtores.

A Secretaria de Produção Rural e Reforma Agrária de Pernambuco (SPRRA) também mostrou disposição para ampliar a base do Programa do Leite de 41 mil para 65 mil litros/dia. O secretário adjunto, Gabriel Alves, disse que um projeto pleiteando o aumento no volume de recursos já está na Secretaria da Fazenda. Até agora a secretaria já investiu R$ 14 milhões em dois anos de Programa e a expectativa é aplicar mais R$ 10 milhões até o final do ano.

Apesar de admitir que o preço do leite é um dos principais gargalos do setor, Alves destaca a lacuna deixada no quesito tecnologia. "Os avanços tecnológicos aconteceram, mas não chegaram ao pequeno produtor", lamenta. Na avaliação do secretário, uma das iniciativas que poderá minimizar essa defasagem em Pernambuco é a implantação do Centro Tecnológico de Garanhuns, que espera a liberação de R$ 2,2 milhões do Governo Federal para entrar em operação.

"O objetivo do centro é orientar toda a cadeia produtiva, incluindo profissionalização dos agricultores, transferência de tecnologia e noções de empreendedorismo", enumera Alves, frisando que o projeto está localizado no coração da bacia leiteira do Agreste.

Rio Grande do Norte

Quando assumir a Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Norte, na próxima semana, em função da desincompatibilização do atual secretário, o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Norte, Leônidas Ferreira de Paula, diz que vai buscar novos mercados institucionais, como os programas de merenda escolar dos municípios e o setor de saúde pública, para ampliar a venda de leite no Estado. "Daremos continuidade aos programas de defesa animal e campanhas de erradicação de doenças para garantir a qualidade do leite potiguar", adianta o futuro secretário.

Para o presidente da Cooperativa de Eletrificação e Desenvolvimento Rural do Seridó Ltda (Cersel), entidade que congrega mais de três mil pecuaristas, José Mariano Neto, o poder público deveria garantir a transferência de tecnologias visando a redução do custo de produção.

Poder público e instituições unidos em busca de soluções

Governo, prefeituras, instituições da área agropecuária e representações dos produtores prometem intensificar, na Bahia, as ações direcionadas à superação dos problemas que afetam a cadeia produtiva do leite. Três frentes de trabalho compõem a estratégia de organização da atividade: o diagnóstico do setor, combate ao comércio do leite clandestino e a capacitação profissional e tecnológica.

O objetivo das ações envolvendo os setores público e privado é fazer com que a Bahia alcance a auto-suficiência na produção de leite e também uma posição de destaque no ranking nacional dos estados produtores. "Queremos revitalizar e profissionalizar a atividade, transformando o produto baiano em rentável", afirma o diretor de desenvolvimento da pecuária da Secretaria das Agricultura do Estado (Seagri), Luiz Rebouças.

O diagnóstico do agronegócio do leite no Estado é uma das ações que começam a ser colocadas em prática. Junto com o Sebrae, a Seagri vai investir R$ 390 mil na iniciativa, sendo parte dos recursos destinada à ampliação da campanha de combate ao leite clandestino. Iniciada em 2001, a campanha já envolve cerca de 15 municípios baianos e tem a participação das prefeituras, que promovem a adoção do processo de pasteurização pelas associações de produtores, através da implantação ou reativação de micro-usinas.

Apesar de enfrentar obstáculos como baixas médias de produtividade por animal e condições climáticas adversas, a Bahia luta para ampliar seus resultados a partir do que já tem: produção de baixo custo e animais rústicos capazes de resistir aos períodos de seca.

"A meta é incentivar a atividade nesta região e disponibilizar, ao mesmo tempo, tecnologia para ampliação de produtividade e redução de custos, melhorando a eficiência do processo de produção de leite no Estado", explica o coordenador do Programa de Recuperação da Pecuária Leiteira da Bahia, Cândido Vasconcelos. A estratégia inclui a implantação de núcleos de inseminação artificial para obtenção de animais de melhor qualidade e ainda a capacitação de mão-de-obra para atuação no setor.

O governo estadual e as prefeituras envolvidas vão aplicar R$ 265,2 mil ao longo de três anos, para atendimento a 360 produtores e inseminação de 3,6 mil matrizes leiteiras. Somente em 2002 devem ser atendidos 120 produtores.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Adriana Guarda, Mariana Carneiro e Aloísio Pontes), adaptado por Equipe MilkPoint
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