Nilza desativa turno e demite 550 funcionários
A Indústria de Alimentos Nilza, que entrou com pedido de recuperação judicial na última sexta-feira (27), confirmou ontem (30) a demissão de 550 funcionários. Os cortes ocorrem pela desativação de um dos três turnos de trabalho nas duas unidades processadoras - de Ribeirão Preto (SP) e Itamonte (MG) - bem como o fechamento do posto de captação de Campo Belo (MG). A companhia, uma das maiores produtoras de leite longa vida do País, confirmou ainda que o valor de sua dívida chega a R$ 200 milhões.
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Em um comunicado, a Nilza informou que dos 550 funcionários demitidos, 330 são da unidade de Ribeirão Preto, 180 de Itamonte e 40 do posto de captação mantido em Campo Belo. As duas unidades mineiras foram adquiridas em julho de 2008 junto à Montelac, mas, no início do ano, no auge da crise, a companhia fechou o processamento de Campo Belo e concentrou o processamento em Minas Gerais apenas em Itamonte. Segundo a empresa, 30% dos demitidos devem ser recontratados em aproximadamente 180 dias, prazo para o encerramento do processo de recuperação judicial.
A Nilza informou também que dos R$ 200 milhões da dívida, R$ 115 milhões são referentes à aquisição das unidades Montelac, sinalizando que a operação, ocorrida pouco mais de um mês antes da crise mundial de liquidez, foi a principal responsável pela desestruturação da companhia e, consequentemente, da recuperação judicial.
No auge de suas atividades, a Nilza chegou a processar 1,2 milhão de litros de leite por dia, volume que caiu para 800 mil litros, no início da crise. A empresa informou que espera um processamento diário de 500 mil litros de leite durante o período de recuperação judicial, 300 mil em Ribeirão Preto e 200 mil em Itamonte. De acordo com a Nilza, a matéria-prima que abastece a empresa "é de uma rede de fornecedores, que mantêm um bom relacionamento com a empresa", informa em comunicado.
O pedido de recuperação judicial tramita na 4ª Vara Cível de Ribeirão Preto e até ontem à tarde ainda não havia uma posição do juiz. A Nilza informou, por fim, que advogados e representantes da companhia tiveram uma reunião com uma comissão de produtores para ouvir as reivindicações e informar sobre a situação da empresa.
A matéria é de Gustavo Porto, publicada na Agência Estado, adaptada pela Equipe MilkPoint.
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Ora, tem algo de errado nisto, porque não é justo o produtor receber R$ 0,60 por 1(um) litro de leite e o consumidor pagar R$ 1,80 por este mesmo litro de leite, e o sistema/cadeia, antes da prateleira/supermercado/ponto de venda, neste estado de falência e/ou pré-falência. E isto não acontece apenas com o leite, mas praticamente com tudo que se produz no agronégocio, isto é, o preço pago pelo consumidor final é quase sempre três vezes mais que o recebido pelo produtor e toda a cadeia enfrentando dificuldades, repetindo, antes da prateleira dos supermercados/pontos de vendas.
Quem sabe esta crise nos ensine encurtar este caminho (produtor/consumidor), para um dia praticarmos um preço justo para ambos (produtor e consumidor). Este poderá ser o caminho viável para a cadeia. Temos muitos consumidores, precisamos inserirmos os mesmos no mercador consumidor, dependermos menos de exportações. E, quando exportamos, não se limitar a materias primas, mas sim com agregação de valores.

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