Nestlé notifica o Cade sobre compra da Garoto

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A Nestlé notificou, na última sexta-feira, a compra da Garoto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Ministério da Justiça. A entrega dos documentos marca o início de uma batalha que a empresa deverá enfrentar para obter a aprovação do negócio sem a imposição de condições pelo Cade.

O órgão do Ministério da Justiça já recebeu um pedido de suspensão da compra da Garoto. A Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda quer que o Cade impeça a troca de ativos entre as empresas até que o processo seja julgado em definitivo. O objetivo da medida é evitar que a compra se consolide a ponto de tornar-se irreversível, explicou o secretário-adjunto Cleveland Prates Teixeira.

Ele disse que a Seae identificou indícios de riscos à concorrência no negócio. A concentração, em alguns mercados, será de 80%, informa nota da Seae enviada ao Cade. No mercado de tabletes de chocolate, a compra da Garoto dará 65% de participação à Nestlé. No de "candybar", a concentração será de mais de 80%. No de bombons avulsos, a Nestlé terá fatia de 33% e no de confeitos, 16%. A nota foi realizada com base em números da AC/Nielsen.

A Nestlé, por meio de sua assessoria de imprensa, informou apenas que "atenderá futuras solicitações realizadas pelo Cade" e encara o procedimento da Seae como "absolutamente normal". A multinacional suíça argumenta que o pedido da secretaria tem fundamento legal, mas não revelou se entrará na Justiça ou não para tentar barrá-lo.

Se for determinada pelo Cade, a suspensão implicará na manutenção da estrutura de funcionamento da Garoto, antes da concretização do negócio. A Nestlé não poderá trocar fórmulas de produtos, demitir funcionários ou mexer nos canais de distribuição da empresa que adquiriu. De qualquer forma, já está montado um grupo de trabalho dentro da Nestlé que atualmente administra a Garoto. À frente de nove profissionais está o gerente executivo da área de chocolates da Nestlé, Léo Leiman, que se reporta ao presidente da empresa no Brasil, Ivan Zurita.

A notificação da Seae está acompanhada de um pedido de confidencialidade ao Cade sobre uma série de informações do negócio. Ainda não foi revelado, por exemplo, o valor da compra, estimado pelo mercado em cerca de R$ 400 milhões.

Kraft corta 7,5 mil

A Kraft Foods, segunda maior empresa de alimentos do mundo, atrás da Nestlé, planeja demitir 7,5 mil funcionários e fechar um número não divulgado de instalações nos Estados Unidos e em outros países como parte do processo de integração da Nabisco. A Kraft, controlada pela Philip Morris, encerrou o processo de aquisição da Nabisco em dezembro de 2000, e promoveu uma série de mudanças durante o ano passado.

Fonte: Valor On Line (por Juliano Basile e Patrícia Duarte), adaptado por Equipe MilkPoint
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Andre Zanaga Zeitlin
ANDRE ZANAGA ZEITLIN

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 20/03/2002

Oxalá chegue o dia em que a Seae e o CADE preocupem-se com os efeitos da concentração industrial sobre os mercados fornecedores da mesma maneira com que se preocupam com os mercados consumidores. Nas últimas décadas as multinacionais do setor lácteo têm adquirido empresas concorrentes de forma a tornarem-se regionalmente majoritárias na aquisição da sua principal matéria prima, o leite.
Qual a sua dúvida hoje?