Gráfico 1: Histórico de preços de leite em pó integral

O indício mais forte responsável pela baixa nos preços é a excepcional oferta de leite em todo o mundo.
Esse aumento de produção na maioria dos países aconteceu devido aos altos preços que estavam sendo praticados no campo (Gráfico 2), clima favorável em boa parte do globo e expansão de cotas na Europa, que permitiram que diversos países aumentassem sua oferta sem o pagamento de penalizações.
Gráfico 2: Preço pago ao produtor em diversos países

O aumento no volume produzido pelas regiões exportadoras não conseguiu colocação no mercado e uma parcela deixou de ser absorvida, pois os países importadores também tiveram aumento de produção, tornando-se menos dependentes (Quadro 1). É importante lembrar que o mercado internacional representa apenas 5 a 7% do total produzido, de modo que um aumento de oferta nos países exportadores pode ser suficiente para desequilibrar o mercado.
Quadro 1: Produção de leite nos principais países exportadores e importadores

(e):estimado
*: milhões de litros
**: mil toneladas
Fonte: Clal
A crise econômica que abalou mais fortemente a Europa vem resultando em um alto número de desempregados, estagnação de salários e desconfiança de investidores. Como consequência, houve menor crescimento do consumo. Muitos economistas passaram então a revisar suas projeções de crescimento dos países, entre eles a China, maior importador mundial e que vem paralelamente recuperando sua produção interna após os problemas com a melamina em 2008. De janeiro a maio de 2011 a China já havia importado 190.483 toneladas de leite em pó integral, e durante o mesmo período de 2012, foram 161.198 toneladas, ou seja, redução de 15,37% na comparação entre os anos.
Dados da consultoria Clal, da Itália, apontam queda de 1,13% nas importações mundiais de leite em pó integral.
O resultado desse processo é o aumento dos estoques nos Estados Unidos, e uma queda generalizada nas cotações. A queda nos preços pagos na fazenda pode ser observada nos últimos meses do gráfico 2. A própria Fonterra, cooperativa de leite da Nova Zelândia e maior exportadora mundial de lácteos, sinalizou baixa de preços aos seus fornecedores para a estação de 2012/13, com valores 13% mais baixos que os pagos em 2011/12.
Para agravar a situação no campo, o produtor viu suas margens cada vez mais reduzidas pelo aumento nos custos de produção. Os preços do milho e da soja vem apresentando constantes altas desde o final do ano passado (Gráficos 3 e 4).
Gráfico 3:Preços do milho na bolsa de Chicago

Gráfico 4: Preços da soja na bolsa de Chicago

E quais são as perspectivas daqui para frente?
A forte seca que vem abatendo os EUA, tem projetado os preços dos grãos para cima. Com isso, os produtores de leite ficam menos estimulados a investir na produção. O Rabobank estima que o crescimento da produção nos próximos seis meses seja menor do que o primeiro semestre, algo em torno de 1,2% contra 3,2%.
Na outra ponta, não menos importante, está a demanda que deve continuar fraca devido ao desaquecimento econômico. O Rabobank estima um aumento no consumo de apenas 1% no segundo semestre.
A expectativa é que, no mercado internacional, o fundo do poço já tenha sido atingindo, mas há dúvidas se a recuperação virá ainda em 2012 ou somente em 2013, quando a oferta e demanda se ajustarão novamente. Vale lembrar que há diversas variáveis afetando esse cenário, entre elas o início da safra da Nova Zelândia e Austrália. Após 2 anos de clima muito favorável, um início de safra mais fraco pode resultar em elevação dos preços ainda em 2012.
