Diante de projeções otimistas de crescimento de até 50% até 2033, este mercado ganhou destaque central na abertura da primeira edição da Jornada Davipan, evento que aconteceu neste mês de julho no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, integrando os segmentos de panificação, confeitaria e gelados comestíveis.
A relevância estratégica do setor reflete-se na preferência nacional pelo sorvete de pote (massa) e pelo consumo direto em sorveterias, que respondem por 69,6% das compras. Embora os tradicionais sabores de chocolate, morango e creme sigam na liderança, a indústria e os mestres sorveteiros enfrentam agora o desafio de atender a novas tendências de nicho. Dados da pesquisa Mintel/Kantar apresentados no evento indicam que os consumidores buscam cada vez mais saudabilidade e transparência nos rótulos, além de texturas e formatos diferenciados.
A voz do consumidor: saudabilidade e rótulos limpos
Durante o painel Fórum 360, promovido pela DR Aromas e Ingredientes em parceria com a Selecta Specialità, foram expostos os fatores de maior interesse do consumidor brasileiro atual. A busca por ingredientes reconhecíveis e apelos funcionais desponta como prioridade absoluta e aparece numa pesquisa que traz as características de interesse no consumo de sorvete. Na preferência dos consumidores, os ingredientes clean label (rótulo limpo) lideram com 87%, seguidos pelas opções funcionais (84%) e por produtos com proteína adicionada (81%).
“Hoje a saudabilidade ganhou protagonismo. Os consumidores querem saúde com sabor no mesmo alimento. A indulgência permissiva é a nova tendência de mercado: a pessoa se permite comer um doce, desde que este produto traga ingredientes melhores. Esse é o conceito do movimento wellness que surgiu há dez anos e que agora está em alta”, aponta Alessandra Carneiro, gerente de marketing de sorvetes da DR Aromas e Ingredientes.
Para atender os anseios desse público, que embarcou na onda do movimento wellness - uma filosofia de consumo que enxerga a comida não apenas como combustível ou prazer, mas como um aliado de saúde preventiva, equilíbrio mental e longevidade – a DR Aromas investiu em novos ingredientes para o preparo do sorvete, com menos gordura. “Conseguimos tirar do produto o selo de ‘alto em gordura saturada’ e mostrar que podemos fazer sobremesas mais saudáveis. Essa é uma tendência que veio para ficar e estamos investindo nesse mercado há 10 anos”, aponta Vagner Paulo Ribeiro, mestre sorveteiro e representante comercial da DR Aromas e Ingredientes.
Inovação no cardápio e geração Z
O especialista Eduardo Coutinho comandou uma palestra imersiva sobre o universo dos sorvetes, destacando o comportamento da Geração Z, que prioriza experiências visuais e sensoriais. Coutinho reforçou a necessidade de equilibrar as novidades com os clássicos comerciais. "Assim como o morango do amor foi um hype, na sorveteria também surgem sabores emergentes e os sorveteiros precisam surfar na onda. No entanto, 60% do menu de uma sorveteria ainda precisa ser composto por sabores líderes. O chocolate é o sabor que mais vende, e combiná-lo com outro ingrediente é uma forma de despertar a curiosidade do público, especialmente dos jovens que buscam sobremesas instagramáveis", apontou Coutinho.
Para ilustrar essas tendências, o chef Vinicius Coutinho comandou uma sessão de degustação exclusiva, apresentando lançamentos como o sorvete de cocada de forno, e combinações sofisticadas com pasta de mascarpone e pasta de tiramisù – sobremesa criada na Itália e que leva café na sua composição.
Estratégias para o inverno e o fenômeno da "snackfication"
Um dos grandes gargalos do setor — a sazonalidade nos meses frios — foi debatido sob a perspectiva de mudança de contexto. Conforme defendido pelos palestrantes, "o frio não muda o desejo, muda o contexto". Opções como o affogato e combinações de sorvete com vinho foram apresentadas como soluções eficientes para manter o público ativo no inverno.
Outra grande vertente discutida foi a evolução das embalagens, tratada agora como decisão altamente estratégica. Com a média brasileira de moradores por lar caindo para 3 pessoas — e 18% dos lares sendo compostos por apenas um habitante —, aliada ao movimento wellness de controle de porções, o fenômeno da snackfication (consumo em pequenas porções como lanche rápido) tem impulsionado o sucesso de embalagens menores e funcionais.
As informações são do Diário Indústria & Comércio, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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