Intitulado "Escassez de proteína do leite desafia o modelo de negócios da indústria leiteira australiana centrado no queijo", o estudo aponta que a indústria chegou a um “ponto de inflexão crítico”. Embora o queijo continue sendo um dos principais produtos do setor, a menor oferta de leite exige que as processadoras busquem novas formas de agregar valor à matéria-prima.
A demanda doméstica por queijo permanece relativamente estável e representa uma importante sustentação para o mercado australiano. O consumo per capita é de aproximadamente 10 quilos por ano, enquanto o mercado interno supera 270 mil toneladas.
O varejo tem sido um dos principais motores desse consumo. Entre 2015 e 2025, os volumes comercializados no canal passaram de 130 mil para 202 mil toneladas. Ao mesmo tempo, porém, a forte concorrência entre marcas próprias, grandes marcas e varejistas tem pressionado as margens e limitado o poder de precificação do setor.
O relatório destaca ainda que a categoria de queijos está amadurecendo em um cenário de maior sensibilidade dos consumidores aos preços. A queda da renda familiar e o aumento dos custos dos alimentos têm levado os consumidores a priorizar produtos mais acessíveis.
Outro fator que pode influenciar a demanda é a expansão do uso de medicamentos da classe dos GLP-1, que tende a reduzir o consumo alimentar. Segundo o Rabobank, isso pode afetar especialmente categorias como queijos processados, fatias, snacks, pastas e molhos com maior teor de gordura.
Proteína ganha espaço
Diante desse cenário, os lácteos com alto teor de proteína aparecem como uma oportunidade para as processadoras australianas ampliarem a geração de valor a partir do leite, indo além do tradicional modelo baseado no queijo.
A tendência acompanha um movimento observado globalmente, com consumidores buscando proteínas associadas à saúde, ao controle de peso e ao envelhecimento saudável. O Rabobank destaca, nesse contexto, o crescimento de categorias como iogurtes e queijo cottage, além de outros produtos lácteos com maior concentração de proteína.
Além da demanda, esses produtos podem oferecer maior valor agregado em comparação com a produção tradicional de queijo.
Para o banco, o desafio da indústria láctea australiana será justamente encontrar a melhor forma de monetizar uma matéria-prima que está se tornando mais escassa. A próxima onda de criação de valor deverá depender da capacidade das empresas de otimizar a utilização da proteína do leite, ampliar a flexibilidade de processamento e direcionar a produção para categorias de maior retorno.
Entre as estratégias apontadas estão a otimização de proteínas, maior flexibilidade de processamento, valorização do soro de leite, inovação em lácteos ricos em proteína, desenvolvimento de ingredientes especiais e participação mais seletiva no mercado de queijos.
Assim, mais do que abandonar o queijo, a indústria láctea australiana pode estar diante de uma mudança na forma de definir o destino mais rentável para cada componente do leite — especialmente em um cenário de oferta limitada.
As informações são do Dairy Reporter, traduzidas pela Equipe MilkPoint.
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