Produção de leite da Austrália deve cair em 2025/26

A indústria de lácteos da Austrália deve enfrentar queda na produção em 2025/26, pressionada por clima adverso e custos elevados. Mesmo com retração da oferta, o consumo interno segue forte, com crescimento nas vendas de leite, queijos e iogurtes.

Publicado por: MilkPoint

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A indústria de laticínios da Austrália enfrenta ajustes na safra 2025/26, com previsão de queda de 2% na produção devido a clima adverso, altos custos e saída de produtores. Apesar disso, o consumo interno é forte, com aumento nas vendas de leite, queijos e iogurtes. O sul do país, especialmente Victoria, sofre mais com a escassez de água. Os custos de produção continuam altos, impactando a rentabilidade. O mercado internacional se torna mais competitivo, mas a Austrália busca oportunidades na China e Sudeste Asiático. A recuperação da produção dependerá de melhores condições climáticas e controle de custos.

A indústria de lácteos da Austrália entra na temporada 2025/26 em um contexto de ajustes. De acordo com o relatório Situation and Outlook – Year-end 2025, divulgado pela Dairy Australia, a produção nacional de leite deve recuar cerca de 2% na próxima safra, refletindo a combinação de clima adverso, custos elevados e a saída contínua de produtores da atividade.

Mesmo com a expectativa de menor oferta, o consumo interno permanece relativamente forte. No último ano, as vendas no varejo cresceram na maioria das principais categorias: o consumo de leite aumentou 1,1%, os queijos avançaram 3,8% e o segmento de iogurtes registrou alta de 8,4%, com destaque para o iogurte grego, que cresceu 15%.

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Na prática, a retração da produção já vem sendo observada. Entre julho e outubro de 2025, o volume produzido ficou 2,3% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, pressionado por condições climáticas secas em regiões-chave, altos custos de ração, descarte de vacas e fechamento de propriedades.

Os impactos mais significativos ocorreram nos estados do sul, especialmente Victoria e Austrália do Sul. Nessas regiões, a escassez de chuvas e de água elevou de forma expressiva os custos de produção. Em Victoria, por exemplo, os preços da água temporária alcançaram os maiores níveis dos últimos cinco anos. Em contraste, Queensland, Nova Gales do Sul e Tasmânia apresentaram crescimento moderado na produção, favorecidas por condições climáticas um pouco mais estáveis e maior nível de investimento nas fazendas.

Custos continuam pesando

Apesar de algum alívio recente nos preços de grãos e fertilizantes, os custos seguem como o principal desafio para o setor. A alimentação representa entre 49% e 59% do custo total de produção nas propriedades australianas, e os preços do feno permanecem acima da média histórica em diversas regiões.

Dados do Dairy Farm Monitor Project, que acompanha o desempenho financeiro de 250 fazendas no país, indicam queda da rentabilidade média na safra 2024/25 em estados como Victoria, Austrália do Sul e Tasmânia — justamente os mais afetados pelas condições climáticas adversas.

No mercado internacional, o cenário também se tornou mais competitivo. Após um início de ano favorável, o aumento da produção nos Estados Unidos e na União Europeia pressionou os preços globais de manteiga, leite em pó e cheddar, reduzindo a competitividade dos produtos australianos.

Ainda assim, a Austrália segue encontrando oportunidades em mercados como China e Sudeste Asiático, impulsionada por mudanças tarifárias nos Estados Unidos e por atrasos logísticos nas rotas europeias.

Segundo a Dairy Australia, mesmo com preços melhores pagos ao produtor, a combinação de clima incerto, custos elevados e um rebanho nacional menor deve limitar uma recuperação mais robusta da produção no curto prazo.

Para a safra 2025/26, o cenário é de estabilidade frágil: o consumo interno sustenta parte da indústria, enquanto a oferta segue pressionada e as margens dos produtores permanecem restritas. Uma recuperação mais consistente dependerá, sobretudo, da melhora das condições climáticas e de um controle mais efetivo dos custos de produção.

As informações são do Dairy Australia, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.

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