Em março de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve uma redução de 2,57% nas unidades produtivas. No mesmo intervalo, o número de vacas aumentou 1,14%, o equivalente a mais de 17 mil cabeças em um ano. O dado revela um descompasso entre a quantidade de fazendas e o tamanho do rebanho, indicando que a atividade está sendo sustentada por estruturas produtivas maiores.
Esse movimento também aparece quando se observa a média de animais por fazenda. Atualmente, cada unidade conta com cerca de 170 vacas, número superior ao registrado no ano anterior. Ainda que o relatório não proponha interpretações, os dados mostram que, mesmo com menos unidades em operação, o volume de animais por propriedade segue aumentando.
Ao longo dos últimos meses, a trajetória do número de vacas em ordenha vinha acompanhando a redução das fazendas. No entanto, em março deste ano, houve um incremento expressivo, com mais de 50 mil vacas em relação ao mês anterior. Trata-se de um ponto fora do padrão recente, cuja continuidade ainda dependerá da evolução dos próximos dados.
A distribuição das vacas entre as fazendas reforça essa dinâmica de forma ainda mais clara. As propriedades com mais de 500 vacas representam apenas 6,6% do total, mas concentram 28,3% de todo o rebanho e respondem por mais de um terço da produção de leite do país. No outro extremo, as fazendas com menos de 100 vacas somam 33,2% das unidades, mas têm apenas 8,6% das vacas e participam com menos de 10% da produção total.
A concentração também se observa no aspecto geográfico. A chamada Região Central — formada por Santa Fé, Córdoba, Buenos Aires e Entre Ríos — reúne a grande maioria das fazendas e praticamente todo o rebanho em produção no país, consolidando-se como o principal polo leiteiro argentino.
Os dados do OCLA, portanto, desenham um cenário consistente: menos fazendas, mais vacas e um aumento no número médio de animais por unidade produtiva. Trata-se de uma mudança estrutural que se evidencia ao longo do tempo e que redefine o perfil da produção de leite na Argentina.
As informações são do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
Vale a pena ler também:
Trump e estreito de Ormuz: repercussões nos lácteos podem ir muito além das commodities
Levantamento Top 100 2026: confira quem são os maiores do leite e suas características