Dados divulgados pelo Instituto Nacional do Leite (INALE) mostram que a remessa de leite às indústrias alcançou 196 milhões de litros em junho, volume 11,6% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, já foram entregues 1,025 bilhão de litros, alta de 10,3%, enquanto o acumulado dos últimos doze meses soma 2,307 bilhões de litros, crescimento de 10,1%.
Além do maior volume de leite, houve também avanço na produção de sólidos (gordura e proteína), que cresceu 12,9% em junho frente ao mesmo período do ano anterior, reforçando o bom desempenho produtivo do setor.
Preço ao produtor recua
Apesar da expansão da produção, o preço recebido pelos produtores apresentou queda. Em junho, o valor médio pago pelo leite foi de 16,9 pesos uruguaios por litro, equivalente a US$ 0,42 por litro. Na comparação com junho de 2025, isso representa redução de 5,2% em pesos por litro; 3,8% em dólares por litro e 6,3% no preço por quilo de sólidos.
Na comparação mensal, entre maio e junho, os preços em pesos e dólares também recuaram cerca de 2%, movimento associado principalmente à redução do teor de sólidos do leite entregue às indústrias, enquanto o valor pago por quilo de sólidos permaneceu praticamente estável.
Custos crescem mais rápido que a receita
A combinação entre preços menores e custos maiores reduziu o chamado poder de compra da atividade leiteira, indicador calculado pelo INALE que compara a evolução dos preços recebidos pelos produtores com os custos de produção.
Segundo o instituto, o índice ficou 10,8% abaixo do registrado em junho de 2025. O resultado decorre de uma queda de 5% no índice de preços do leite e de um aumento de 6,5% no índice de custos. Na comparação com maio, o poder de compra permaneceu praticamente estável (-0,2%), uma vez que tanto preços quanto custos apresentaram pequenas reduções próximas de 1%.
Rentabilidade segue pressionada
O indicador de poder de compra ficou em 79 pontos, permanecendo 21% abaixo da base de referência utilizada pelo INALE. O instituto ressalta que o índice utiliza uma cesta fixa de insumos baseada na pesquisa de 2019, atualizando mensalmente apenas os preços dos componentes, sem considerar eventuais ajustes feitos pelos produtores em suas estratégias produtivas.
Oferta cresce em ritmo acelerado
Os números mostram que a pecuária leiteira uruguaia vive um momento de forte expansão produtiva. Nos primeiros seis meses de 2026, a produção acumulada supera em mais de 10% o mesmo período do ano anterior, indicando recuperação consistente da oferta nacional.
Por outro lado, o aumento da disponibilidade de leite ocorre justamente em um contexto de preços mais baixos e custos elevados, o que reduz a margem econômica das propriedades. Esse cenário evidencia um desafio comum às cadeias exportadoras de leite: produzir mais nem sempre significa maior rentabilidade quando o mercado internacional apresenta preços menos favoráveis e os custos continuam elevados. Essa conclusão decorre da combinação dos indicadores apresentados pelo INALE sobre produção, preços e poder de compra.
As informações são do INALE¹²³, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
Vale a pena ler também:
Preço do leite avança em junho e encerra semestre com valorização de 33%
Muito além da parrilla: os sabores dos queijos artesanais uruguaios