Exportações de lácteos dão fôlego ao Uruguai, mas setor vê incertezas para o segundo semestre

Entre janeiro e junho foram embarcadas 122.518 toneladas de lácteos, o maior volume já registrado para um primeiro semestre e 8,5% acima do mesmo período de 2025.

Publicado por: MilkPoint

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O Uruguai registrou recorde nas exportações de produtos lácteos no primeiro semestre de 2026, com 122.518 toneladas enviadas, um aumento de 8,5% em relação a 2025. A receita totalizou US$ 436 milhões, um crescimento de apenas 0,4% devido à queda nos preços médios. Apesar do bom desempenho, o setor enfrenta incertezas, como a queda nos preços internacionais e mudanças nos mercados importadores. A produção de leite continua em alta, mas há preocupações sobre a dependência de exportações e a necessidade de diversificação.
O Uruguai encerrou o primeiro semestre de 2026 com recorde nas exportações de produtos lácteos, impulsionado pelo crescimento da produção de leite registrado nos últimos meses. Entre janeiro e junho foram embarcadas 122.518 toneladas de produtos lácteos, o maior volume já registrado para um primeiro semestre e 8,5% acima do mesmo período de 2025.

Apesar do desempenho histórico, o setor já olha com cautela para o restante do ano. A combinação de queda recente nas cotações internacionais, indefinições comerciais e mudanças estruturais nos principais mercados importadores gera preocupação entre produtores e indústria.

Receita cresce menos que o volume

Segundo dados da aduana uruguaia, as exportações renderam US$ 436 milhões no primeiro semestre, ante US$ 419,5 milhões no mesmo período de 2025. Embora o volume embarcado tenha crescido significativamente, a receita avançou apenas 0,4%, reflexo da queda no preço médio dos produtos exportados.

Exportações de lácteos do Uruguai no primeiro semestre

Exportações de lácteos dão fôlego ao Uruguai, mas setor vê incertezas para o segundo semestre

O valor médio das exportações passou de US$ 3.736 para US$ 3.560 por tonelada, uma redução de aproximadamente US$ 180 por tonelada. O leite em pó integral continuou sendo o principal produto exportado, representando cerca de dois terços dos embarques. Foram exportadas 81.640 toneladas, aproximadamente 10,3 mil toneladas a mais que no primeiro semestre do ano passado, crescimento de 14% que explica grande parte do avanço das exportações.

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Também houve aumento de 10% no volume exportado de queijos. Em contrapartida, caíram os embarques de leite em pó desnatado e manteiga. No caso da manteiga, a retração ocorreu em função das restrições sanitárias impostas pelo mercado russo, segundo principal destino do produto em 2025, que impediram os embarques em 2026.

Junho manteve o bom ritmo

Somente em junho, os produtos lácteos ocuparam a quinta posição entre os principais itens exportados pelo Uruguai, com vendas de US$ 72 milhões, valor 8% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Segundo a agência Uruguay XXI, as exportações apresentaram boa diversificação de mercados. Treze países importaram mais de US$ 1 milhão em produtos lácteos uruguaios durante o mês.

A África respondeu por 41% do total exportado em junho, considerando principalmente Argélia, Mauritânia e outros países da região. O Brasil permaneceu como principal destino individual, com compras de aproximadamente US$ 19 milhões.

Receita das exportações de lácteos do Uruguai

Exportações de lácteos dão fôlego ao Uruguai, mas setor vê incertezas para o segundo semestre

Segundo semestre começa cercado de dúvidas

Apesar dos números positivos, representantes do setor avaliam que o ambiente comercial se tornou mais incerto. Justino Zavala, dirigente da Associação dos Produtores de Leite de Canelones, afirmou que o primeiro semestre terminou com aumento dos volumes exportados e maior faturamento em relação a 2025, mas que os próximos meses trazem desafios importantes para a comercialização da produção.

Nos últimos sete leilões da plataforma Global Dairy Trade (GDT), da Fonterra, foram registradas cinco quedas e apenas duas pequenas altas. O preço do leite em pó integral caiu de US$ 3.863 para US$ 3.589 por tonelada. Ainda assim, permanece acima do piso de US$ 3.161 por tonelada registrado em dezembro de 2025.

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Outro fator de preocupação é que a Conaprole, principal cooperativa de lácteos do Uruguai, normalmente já teria comercializado parte da produção da primavera nesta época do ano. Em 2026, porém, isso ainda não ocorreu, justamente quando se espera uma produção próxima de 6,5 milhões de litros de leite por dia, ou até superior.

Indonésia e Argélia são as principais apostas

Entre as alternativas avaliadas pelo setor está um aumento das compras por parte da Indonésia, embora os preços atualmente não sejam considerados atrativos e as perspectivas ainda sejam limitadas — até o momento foram embarcados apenas dois contêineres para aquele mercado. Outra expectativa é a abertura de uma nova licitação de importação pela Argélia, permitindo ao Uruguai ampliar suas vendas para o país. Segundo Zavala, a preocupação é que o setor, que investiu fortemente para elevar a produção, enfrente dificuldades justamente no momento em que começa a colher os resultados desses investimentos.

Mudanças estruturais preocupam o setor

Além das questões conjunturais, o dirigente chamou atenção para uma mudança estrutural no mercado internacional. Na avaliação dele, o mercado mundial de leite em pó tende a perder espaço como principal destino das exportações. O Brasil caminha para maior autossuficiência, impulsionado pelo crescimento da produção, especialmente entre grandes produtores, enquanto pequenos produtores deixam a atividade.

Ao mesmo tempo, a Argélia — atualmente o principal comprador dos produtos lácteos uruguaios — desenvolve projetos para ampliar sua produção doméstica e reduzir a dependência das importações. Diante desse cenário, Zavala defende que a indústria uruguaia avance na produção de ingredientes de maior valor agregado, especialmente proteínas do soro de leite. "Precisamos começar a caminhar para outro lado. A proteína do soro é para onde devemos ir. Precisamos embarcar na onda das proteínas", afirmou o dirigente em entrevista ao programa Tiempo de Cambio, da Rádio Rural.

Produção continua crescendo

No campo, as perspectivas seguem positivas. Segundo Zavala, a produção de leite continua crescendo impulsionada principalmente pelos ganhos tecnológicos. Mesmo com menos produtores, sem aumento do número de vacas e sem expansão da área destinada à atividade, a produção deve crescer entre 15% e 16% ao ano.

Os ganhos de produtividade por animal e o maior uso de grãos na alimentação passaram a fazer parte do sistema produtivo e sustentam esse avanço. Para o segundo semestre, a expectativa é de manutenção dos preços pagos aos produtores, mesmo diante do aumento dos custos de produção, graças ao crescimento da oferta de leite.

As informações são do Blasina y Asociados, traduzidos e adaptados pela equipe MilkPoint.

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