A produção mundial de leite está crescendo de 1 a 1,8% ao ano, um ritmo "ligeiramente inferior ao da população mundial", segundo dados divulgados recentemente durante a preparação do congresso mundial do leite, que será realizado no mês de setembro.
Em um comunicado, a organização do Congrilait 2002, cuja 26a edição ocorrerá entre 24 e 27 de setembro, em Paris, salienta que "este crescimento se refere principalmente aos leites de búfalo e de vaca", uma vez que os leites de cabra e de ovelha estão "em regressão".
No total, a produção mundial de leite é de mais de 564 milhões de toneladas, sendo que a Índia é o maior produtor, seguida pelos Estados Unidos, Alemanha e França.
O consumo mundial de leite vem acompanhando esse aumento da produção, uma vez que tem aumentado cerca de 2% ao ano. Com relação ao consumo, destaca-se a evolução registrada na Europa, onde o consumo de leite por habitante atualmente é de mais de 326 quilos por ano, contra os 320 quilos consumidos há dez anos.
Nos países desenvolvidos, o crescimento do setor leiteiro resultou principalmente dos setores de produtos com maior valor agregado, como iogurtes e sobremesas lácteas, já que a comercialização de leite fluido "evoluiu muito pouco". No entanto, nos países em desenvolvimento, caracterizados pela fraca rede de distribuição, as empresas concentram sua produção em "produtos que podem ser armazenados por maior período".
Segundo a organização do Congrilait 2002, na União Européia - região caracterizada por uma grande quantidade de propriedades de médio porte - as zonas de produção leiteira vêm diminuindo, resultado da criação do sistema de cotas, em 1984. A este fato soma-se a "forte desorganização econômica dos países da Europa Central e Oriental", que implica em uma "baixa sensível da produção local e conduz a um enfraquecimento das estruturas".
Já na Índia, o setor leiteiro está em crescimento devido ao "programa de desenvolvimento" instaurado no país nos anos 70. O mesmo acontece nos demais países do Sul Asiático, na América Latina, na Oceania e nos países do Oriente Médio. É válido destacar que, segundo a organização do congresso, nos países em desenvolvimento a aposta na produção leiteira está sendo vista atualmente como uma "prioridade". Isto porque, em alguns casos, a produção por habitante é apenas cerca de metade do consumo, o que implica em que a diferença seja compensada pela importação de produtos lácteos, que está em "aumento contínuo".
Além disso, a organização do congresso enfatiza que "a necessidade total em termos de produtos alimentares será cada vez mais importante, mas diferente, devido à evolução dos estilos de vida, à urbanização e ao aumento dos lucros". O comércio internacional de produtos lácteos representa, no total, apenas 6% da produção mundial, com um volume de mais de 28,3 milhões de toneladas.
O setor leiteiro vem passando por um processo de concentração das empresas, assim como está ocorrendo com grande parte dos diversos setores da economia mundial. Desta forma, entre 1998 e 2001, foram efetuadas 529 alianças, fusões e aquisições entre as empresas de lácteos mundiais. Destas, 70% envolveram empresas européias, 21% empresas americanas, 7% unidades da Oceania e 1% empresas sul-americanas e africanas.
Segundo a organização do Congrilait 2002, as principais causas dessas modificações são as "exigências crescentes do consumidor, o peso crescente dos investimentos em termos de inovação e comunicação e a dimensão crescente das outras empresas do setor agroalimentar".
O Congrilait 2002 reunirá mais de dois mil especialistas, entre cientistas e profissionais do setor de lácteos, oriundos de cerca de 80 países, com o objetivo de "fazer um levantamento da situação sobre o que está em jogo econômica e politicamente na produção e transformação leiteira". Pretende-se, ainda, propor "uma leitura inovadora da indústria leiteira" e "iniciar o debate sobre as problemáticas da distribuição, consumo, saúde e comunicação".
Entre os temas em debate estarão a adaptação dos sistemas de criação de gado às restrições ambientais, aos obstáculos econômicos e às novas exigências dos consumidores em relação à segurança alimentar, os efeitos da internacionalização sobre as empresas leiteiras e as novas tendências de consumo.
Os congressistas discutirão também as novas orientações da pesquisa científica e nutricional, os desafios da concentração da distribuição e como a comunicação pode responder à evolução dos mercados e das expectativas em relação à saúde, qualidade e segurança dos consumidores.
Fonte: AgroNotícias, adaptado por Equipe MilkPoint
Leite: produção mundial cresce entre 1 e 1,8% ao ano
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