A fabricante da manteiga Dairygold, uma das maiores processadoras de leite da Irlanda, passará a se chamar Kinisla, informou a empresa em comunicado divulgado nesta segunda-feira. Pronunciado “Kin-eye-la”, o novo nome e identidade da marca refletem “as duas partes que definem quem somos”, disse o diretor-executivo Pat Murphy ao The Irish Times. Segundo ele, “Kin” faz referência à família, enquanto “Isla” remete à ilha da Irlanda.
“Para nós, isso é muito mais do que uma mudança de nome”, afirmou. “Trata-se realmente de marcar a próxima etapa no desenvolvimento e na evolução deste negócio.” Murphy disse que o processo de criação de uma nova identidade corporativa começou pouco depois de a Kerry Co-op readquirir uma participação majoritária de 70% da empresa do Kerry Group, gigante de sabor e nutrição listada na Bolsa de Valores de Dublin, no fim de 2024. “Tivemos muito envolvimento de diferentes partes interessadas do negócio, incluindo produtores rurais e grandes fornecedores de toda a área de captação”, afirmou.
Na segunda-feira, 18 de maio, a Kinisla também anunciou um investimento de €300 milhões (US$ 350 milhões) em suas operações ao longo dos próximos cinco anos, com planos de criar 100 novos empregos nos próximos 12 a 24 meses. O investimento será direcionado para o desenvolvimento das áreas de crescimento mais rápido e maior potencial do negócio, disse Murphy. Isso inclui a divisão de varejo da Kinisla, que engloba as marcas Cheesestrings, Dairygold e Charleville Cheese. “A marca Cheesestrings teve um desempenho muito bom [no Reino Unido] para nós nos últimos anos”, afirmou. “Instalamos uma nova unidade em Charleville talvez há cerca de dois anos. Depois aumentamos a capacidade em 50%, então agora precisamos olhar novamente para esse negócio para entender como podemos gerar ainda mais capacidade, já que a demanda parece crescer o tempo todo.”
Ingredientes e nutrição são outras áreas de alto potencial da empresa, segundo Murphy. “Nós recebemos o leite, analisamos seus componentes e extraímos esses componentes onde acreditamos que nossos clientes possam obter um diferencial que atenda às suas necessidades funcionais”, explicou. A unidade de negócios produz produtos lácteos com alto teor de proteína, proteínas de soro de leite em pó e leites em pó especiais. “A questão é como podemos extrair esses componentes do leite e atender a essa demanda que está crescendo em todo o mundo”, disse Murphy.
A Kinisla também anunciou resultados preliminares do ano fiscal de 2025, que classificou como um ano de negócios “robusto”, apesar dos desafios significativos. Os preços globais dos lácteos despencaram na segunda metade do ano em meio a um enorme excesso de oferta de leite nos mercados internacionais.
Ainda assim, Murphy afirmou que a Kinisla pagou aos produtores um preço médio de 53,5 centavos de euro (62,35 centavos de dólar) por litro de leite ao longo do ano. Nas últimas semanas, a empresa tem pago cerca de 41 centavos de euro (47,78 centavos de dólar) por litro, em meio à pressão contínua sobre os preços, disse ele.
O presidente da Kinisla, James Tangney, afirmou que os produtores irlandeses estão sob forte pressão devido à queda nos preços dos lácteos e ao aumento expressivo dos custos de produção. “As pessoas não conseguem viver de ar, então há muita gente preocupada por aí", afirmou.
As informações são do The Irish Times, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
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