Justiça prepara devassa no setor leiteiro de Minas Gerais

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O procurador-geral de Justiça do Estado de Minas Gerais, Nedens Freire Vieira, considerou suficientes as evidências apresentadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para a abertura de processo administrativo que apure o preço do leite em toda a cadeia, principalmente nas partes mais suspeitas do elo: os supermercados e as indústrias de laticínios.

Vieira recebeu o relatório final da CPI do Leite das mãos do deputado estadual João Batista de Oliveira (PDT), que presidiu a comissão. No documento, a CPI conclui que há formação de cartel para forçar o preço baixo do litro pago ao produtor. "Em janeiro encontramos diferença de até 400% entre o preço do litro vendido pelo produtor e o preço no comércio, de R$ 0,24 contra R$ 1,20 na ponta de consumo", ressaltou Oliveira.

Cerca de 500 produtores de leite de várias regiões do Estado participaram da entrega do relatório conclusivo da CPI ontem, segundo estimou a Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg). Os produtores saíram em passeata do Hall das Bandeiras da Assembléia Legislativa em direção à Procuradoria de Justiça, no prédio do Ministério Público estadual.

Hoje os membros da CPI participam de reunião na Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados para discutir o assunto. Amanhã, entregam o relatório final ao ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Pratini de Moraes.

Solicitações

No relatório final, aprovado no último dia nove, membros da CPI solicitam à Procuradoria do Ministério Público a abertura de ações civis contra os laticínios, que, segundo a CPI, aliciam fornecedores e praticam dumping; contra os supermercados, que de acordo com o relatório, impõem às indústrias do setor leiteiro a cobrança de luvas, bonificações e descontos abusivos.

O produtor João da Silva, filiado ao Sindicato dos Produtores Rurais de Esmeraldas, disse que em janeiro o preço do leite pago pela Itambé em sua região não chegava a R$ 0,30 por litro. "Só agora é que tivemos um aumento. O ideal seria R$ 0,60 por litro", reivindica Silva, que tira 80 litros de leite por dia em seu sítio de Esmeraldas, onde mantém oito vacas no curral.

Já o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Lima Duarte, que reúne também produtores dos municípios de Olaria e Pedro Teixeira, na Zona da Mata, Marcos Salazar de Paula, acha que o justo é o Governo criar um preço mínimo para o leite em torno de R$ 0,35. "O produtor tem que ter uma garantia. No mundo inteiro existe o preço mínimo. Os Estados Unidos renovaram, recentemente, por mais dez anos, a sua política de preço mínimo para o produtor", disparou Salazar, para quem toda a cadeia se resolve em cima da parte mais frágil, que é o produtor.

Fonte: Hoje em Dia/ MG (por Roberta Moreira), adaptado por Equipe MilkPoint
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