A neutralidade climática prosseguirá até meados do inverno, quando posteriormente, haverá o fenômeno El Niño, que deve diminuir o potencial para geadas tardias, ficando bloqueadas sobre a Argentina e não atingindo o Brasil. Em contrapartida, haverá chuva excessiva entre o fim do inverno e toda a primavera.
"Nesta configuração, o produtor pode comparar o ano de 2012 com o ano de 2009, última vez em que tivemos um La Niña no início do ano, neutralidade no meio do ano e um El Niño no segundo semestre. Inclusive, pode-se imaginar que o próximo verão será parecido com o de 2010. Com isto, já é possível ter uma primeira ideia do que veremos pela frente. É claro que o biênio 2012/2013 não será idêntico ao 2009/2010. Entretanto, o cenário será parecido.", diz Oliveira.
Relembrando 2009...
Em 2009, a região Sul produziu o equivalente a 8,98 bilhões de litros de leite segundo dados do IBGE, que representou 31% do total da produção Brasil. O gráfico abaixo mostra a evolução mensal da captação total brasileira e é possível observar que no segundo semestre de 2009 houve um forte incremento na produção.
Naquela época, a entressafra no Sudeste e Centro-Oeste fez com que a produção permanecesse reduzida e mesmo nas regiões mais especializadas, a produção não mostrou reação. No Sul, a safra iniciou-se em ritmo mais lento por problemas climáticos e não veio com a intensidade que normalmente era esperada. Chuvas e frio intenso prejudicaram o desenvolvimento das pastagens, refletindo no atraso da retomada da produção. Seca no início do inverno, com redução da disponibilidade de forragens, e fortes chuvas no decorrer do inverno, comprometeram o pastejo e o corte das forragens.
Mas não foi o clima o principal responsável pelo comportamento da produção em 2009. Com a crise econômica de 2008, ocasionando forte queda nos preços, o produtor reduziu bastante seu volume de produção no primeiro semestre de 2009. Os baixos preços internacionais, aliados à valorização da moeda brasileira frente ao dólar, criaram uma situação desfavorável às exportações além de propiciar a retomada das importações. Com consumo interno mantido e produção reduzida, a demanda por leite longa vida foi impulsionada, e os preços do produto começaram a disparar no atacado. As empresas iniciaram uma corrida pelo leite, elevando os preços ao produtor. Esse aumento de preços no atacado só foi chegar ao produtor mais evidentemente em junho, estimulando por sua vez a produção. O último trimestre de 2009 foi marcado por uma recuperação significativa dos preços no mercado internacional. Os primeiros sinais de recuperação da economiamundial, a demanda firme por lácteos e a produção restrita nos principais países produtores sustentaram a elevação de preços.
Gráfico 1: Evolução mensal da captação de leite formal
