Segundo um relatório divulgado recentemente pelo Rabobank, a produção de commodities lácteas continua crescendo, no plano mundial, apesar dos impactos causados por fatores adversos como o surgimento da febre aftosa na Europa, as más condições climáticas nos Estados Unidos e a desregulamentação do setor na Austrália. O relatório do Rabobank, Australian Dairy Global Focus, informa que a produção mundial estimada de leite em 2001 foi de 574 milhões de toneladas, aproximadamente 1% maior do que no ano 2000.
A Austrália é um participante relativamente pequeno em termos de produção de leite, sendo responsável por apenas 2% da produção mundial. Após os níveis recordes de produção em 1999/2000, a produção em 2000/2001 caiu cerca de 2,8%, para 10,548 bilhões de litros neste país. Essa queda foi resultado das más condições climáticas pelas quais as regiões produtoras de leite passaram, além dos altos preços dos grãos, o que limitou a aplicação do uso de suplementos alimentares para os animais e, por fim, à desistência de um grande número de produtores de leite do país - cerca de 8% deles deixaram a atividade. Se as condições climáticas se mantiverem normais em 2001/2002, a expectativa é que a indústria retome a tendência de crescimento que vinha apresentando anteriormente.
A União Européia (UE) é, de longe, a maior região produtora de leite do mundo, com 125 milhões de toneladas, representando 21% da produção mundial. Os níveis de produção são relativamente estáveis, resultado do sistema de cotas que está em funcionamento.
A Índia, que é o maior país produtor de leite, aumentou sua produção em 2001 em 4%, em resposta à forte demanda interna. Após dois anos de aumentos sucessivos, a produção nos EUA caiu cerca de 1% no ano passado, para 75 milhões de toneladas, resultado de uma carência de alimentos de boa qualidade para os animais e dos efeitos de baixos preços pagos pelo leite ao produtor no ano anterior.
O crescimento no comércio mundial de produtos lácteos reduziu-se em 2001, com os principais produtores e processadores das maiores regiões produtoras de leite fixando seus objetivos principalmente nos mercados internos. Porém, apesar disso, o comércio mundial continua representando 5% da produção mundial de leite, sendo a Austrália um dos principais exportadores deste produto.
As exportações de produtos lácteos da Austrália cresceram aproximadamente 60% desde 1996, conforme sua produção aumentou, com um crescimento de sua participação no comércio mundial em detrimento da UE, que manteve seu foco principalmente no seu atrativo mercado interno.
O relatório do Rabobank informou que a indústria de lácteos da Austrália, que tem uma imagem de "limpa e verde", está bem posicionada para tirar vantagem das oportunidades que vêm surgindo no mercado mundial. A melhoria na produtividade que vem ocorrendo tanto na produção como no processamento dos produtos deve continuar ocorrendo se a indústria quiser garantir sua competitividade nos mercados mundiais. Apesar da Nova Zelândia, Austrália e Argentina atualmente estarem em vantagem por apresentarem sistemas de produção de baixo custo, outras regiões do mundo estão tentando também aumentar sua produtividade e reduzir seus custos.
A tendência global de redução no número de propriedades rurais deve continuar, enquanto os pequenos produtores menos eficientes acabam deixando o setor. Os maiores produtores deverão continuar investindo em seu negócio, expandindo seu rebanho e adotando novas tecnologias que aumentem sua eficiência. A qualidade do leite produzido também aumentará, resultando em um produto com alto teor de gordura e proteína. Com o contínuo aumento da produção de leite e do tamanho do rebanho, os especialistas do setor esperam que a produção mundial de leite continue crescendo, mas em uma base mais eficiente de produção.
Para que possam competir com sucesso no futuro, os processadores de leite precisam assegurar que podem produzir com eficiência; precisam desenvolver novas marcas e novos produtos com valor agregado; precisam estar sempre atentos às oportunidades de inovação; e precisam fortalecer suas relações com os demais membros da cadeia de produção.
Fonte: Just-Food.com, adaptado por Equipe MilkPoint
Indústria mundial de lácteos continua crescendo
Publicado por: MilkPoint
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