O volume importado em fevereiro (11,36 mil toneladas), normalmente um mês de bom volume de produção doméstica, foi maior que a quantidade importada em setembro de 2001 (9,63 mil toneladas), mês em que a produção nacional ainda sofre a queda do inverno. Em receita, a comparação entre setembro de 2001 e fevereiro de 2002 traz diferença ainda maior: de US$ 12 milhões para US$ 17,49 milhões.
O câmbio no Brasil e na Argentina influenciou, mas não é o principal motivo, diz o consultor Maurício Nogueira, da Scot Consultoria. "A questão agora não é preço. O Brasil está novamente precisando de leite estrangeiro", diz.
Além disso, preços mais baixos do leite em pó no mercado internacional facilitaram as transações. O Brasil e a Argentina têm um acordo antidumping que regula o preço do principal produto lácteo negociado. Na maior parte de 2001, o preço ficou em torno de US$ 1,9 mil por tonelada. No começo deste ano, variou e desceu a US$ 1,7 mil.
Em dezembro passado, um executivo da Mastellone Hermanos, empresa argentina dona da marca La Sereníssima, comentou que as vendas de leite em pó de sua companhia ao Brasil estavam crescendo novamente por conta dos preços mais baixos no mercado internacional e da necessidade de suprimento do Brasil. A previsão se confirmou em 2002. A crise de preços do ano passado desestimulou muitos produtores e em alguns estados, como Goiás, a redução na produção é estimada em mais de 5% no primeiro bimestre do ano.
O diretor da cooperativa SanCor, Sérgio Raineri, maior produtora de lácteos da Argentina, acredita que as importações brasileiras devem aumentar por conta do câmbio argentino.
Fonte: Valor On Line (por Giuliano Ventura), adaptado por Equipe MilkPoint