Histórias de superação marcam o Interleite Sul 2017

Mais de 700 participantes -- produtores, técnicos, estudantes e agentes do setor lácteo - estiveram reunidos em Chapecó-SC, participando do principal encontro técnico da pecuária leiteira no Sul do país, o Interleite Sul. As palestras foram divididas em painéis, compostos por apresentações de produtores de leite e técnicos dos três estados que compõem a região Sul do país.

Publicado por: MilkPoint

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Mais de 700 participantes –– produtores, técnicos, estudantes e agentes do setor lácteo - estiveram reunidos em Chapecó-SC, participando do principal encontro técnico da pecuária leiteira no Sul do país, o Interleite Sul.



O primeiro dia do evento foi iniciado com as palavras de Airton Spies, Secretário Adjunto de Agricultura e Pesca de Santa Catarina. “ Os bons exemplos podem e devem ser compartilhados. E cada um aqui deve estar aberto a aplicar esses conhecimentos, adequando-os à sua realidade. Esta é a forma mais efetiva e sustentável de se melhorar os índices produtivos, em um ambiente cada vez mais competitivo”, ressaltou o Secretário.

Na sequência, o CEO da AgriPoint, Marcelo Pereira de Carvalho, enfatizou a importância de aplicar os conhecimentos adquiridos nas palestras, nos debates e nas demais oportunidades do evento. “Teremos sucesso na atividade se conseguirmos aplicar os conceitos e experiências aqui passados, de forma a sermos os impulsionadores de mudanças no campo e em todo o setor”, afirmou Carvalho.

As palestras foram divididas em 3 painéis, compostos por apresentações de produtores de leite e técnicos dos três estados que compõem a região Sul do país.



O evento já começou com destaques logo no primeiro painel, com histórias de superação de agricultores familiares que emocionaram o público. A mudança da realidade das propriedades leiteiras, como resultado da assistência técnica, foi a afirmativa comum entre os dois produtores do painel: Luis Carlos Gomes (Abelardo Luz, SC) e Adelar Zatt (Mariópolis, PR). Ambos são assistidos por técnicos da Cooperideal, e viveram mudanças significativas em suas propriedades, principalmente em relação ao manejo e intensificação das pastagens e gestão do negócio.

Luís Carlos Gomes iniciou na atividade em 2014, com apenas 6 vacas, produzindo 25 litros por dia no total. Caminhou sozinho até 2010, quando passou por grandes dificuldades. “Minha fé inabalável não me deixava desistir, mas a situação estava muito difícil e era preciso mudar”, contou. Foi quando procurou pela assistência técnica da Cooperideal, e teve início um trabalho estruturado, que mudou a realidade do sistema. Hoje, 20 vacas em lactação produzem 510 litros diários, e com a intensificação do sistema baseado em pastagens, a produtividade por área passou de 6.816 litros/ha em 2010/11 para 15.679 litros/ha em 2016/17. Com tantas barreiras vencidas, as palavras de motivação de Luís Carlos serviram como grande motivação a todos os produtores presentes no evento.

A apresentação de Adelar Zatt não foi diferente. O produtor contou as mudanças que viabilizaram o desenvolvimento da sua propriedade, e que permitiram a permanência da família no campo. “Quando iniciamos com a assessoria dos técnicos da Cooperideal, em 2009, tínhamos apenas 8 vacas num rebanho de 23 animais. Ou seja, a maioria dos animais não gerava renda alguma para a propriedade. Ao longo dos anos, fomos aumentando a % de vacas em lactação no rebanho, e hoje esse número chega a 66%”, contou o produtor, muito satisfeito com os resultados. A produção de leite do sítio Lambedor saltou de 3.479 litros/ha/ano em 2009, para 22.096 litros/ha/ano em 2016. “Sem as orientações e acompanhamento técnico, isso jamais seria possível”, ressaltou Zatt.

Finalizando o painel, Marcelo de Rezende, Coordenador Técnico da Cooperideal, enfatizou o segredo do sucesso desses produtores, e de todos aqueles que desejam mudar a realidade produtiva do seu negócio. “Como consultores, o que esperamos dos produtores assistidos é que tenham disposição para inovar e coragem para mudar a forma de fazer as coisas, pois só assim será possível obter resultados diferentes”, ressaltou.

O segundo painel do dia teve como tema central a produção de silagem de milho no Sul do Brasil. Reynold Groenwold (Castro, PR) e Jonas A. Schneider (Ronda Alta, RS) foram os produtores convidados para mostrar como alcançaram alta produtividade de milho silagem em suas propriedades.

Reynold Groenwold apresentou o trabalho realizado na Fazenda Fini, em Castro-PR, e ressaltou que a base para a escolha de um híbrido para silagem com qualidade e produtividade possui 3 pilares: bons produtos, informações técnicas e serviços. Ele mostrou dados, confirmando que lavouras de alta produtividade resultam em um menor custo por tonelada de massa verde, como mostra a Figura 1. “Esses resultados representam uma grande economia para a fazenda. A eficiência na produção é fundamental”, afirmou.


Figura 1. Custos de produção de silagem de milho com diferentes produtividades.

Na sequência, Jonas A. Schneider apresentou dados de sua propriedade, localizada em Ronda Alta, RS, que é conduzida apenas por ele, sua esposa e 1 funcionário. Na safra 2016/17, sua lavoura de milho silagem alcançou a produtividade de 110,3 ton de matéria verde/ha, com 35,37% de MS, colocando a propriedade no topo do ranking do estado. “Há 3 anos, nossa produtividade era de 45-50 ton de matéria verde/ha. Com o trabalho de assistência técnica, fomos aprimorando a implantação e condução da lavoura, e neste último ano obtivemos mais que o dobro da produtividade inicial. Nosso objetivo é atingir as maiores produtividades em leite, milho silagem e soja na Cotrisal”, disse o produtor, muito otimista e satisfeito com os resultados.

Complementando as apresentações, o Prof. da Universidade Estadual de Ponta Grossa, João Ricardo Alves Pereira, falou sobre os principais desafios para se obter silagem de alta qualidade, destacando aspectos desde a escolha do híbrido, de desafios no momento da colheita e, ainda, os cuidados no armazenamento da silagem.

Finalizando o primeiro dia do evento, o Painel 3 trouxe à discussão a produção baseada em pastagens, abordando adubação e manejo. Os produtores Ronei Mota Silveira (Alegrete, RS) e Fabricio Nascimento (Jóia, RS) contaram os desafios superados, como alcançaram as margens atuais, e quais os fatores determinantes do sucesso nesse sistema de produção.

O maior desafio do produtor Ronei Silveira foi estar em uma região sem tradição na atividade leiteira. Ao assumir, repentinamente, a condução da propriedade da família, Ronei se viu em meio a muitas dificuldades. O produtor encontrou no Programa Mais Leite de Alegrete, RS, a ajuda que precisava para vencer as barreiras iniciais. Sua evolução do seu sistema baseou-se na adubação e manejo das pastagens, tanto de verão quanto de inverno, controle leiteiro e uso de uma planilha de custos de produção. Com muita empenho e trabalho orientado, a produção diária saltou de 233 litros/dia em 2011, para 1.180 litros em 2017. Mais um exemplo de que é plenamente possível ter grandes resultados em pequenas propriedades, proporcionando renda e qualidade de vida a muitas famílias do setor.

Outro grande exemplo foi o do produtor Fabricio Nascimento, que contou como obteve mais de 500% de aumento na margem líquida de seu negócio. “Meus segredos são: família, assistência técnica e determinação”, afirmou. Fabrício iniciou na atividade em 1998, com 5 vacas em lactação e produção total de 25 litros por dia (750 litros/mês). Em julho de 2013, passou a receber o acompanhamento de técnicos da CCGL, e as primeiras tarefas foram relacionadas à alimentação do rebanho, manejo das pastagens e divisão dos animais em lotes. Com visão sempre à frente, o produtor determinou metas, sendo a primeira delas ter pastagens de referência, já em 2014. E conseguiu. A segunda, era tornar seu negócio um case de sucesso, meta que também foi atingida. “E assim vamos vencendo os desafios. Com dedicação, planejamento e acompanhamento técnico, em 3 anos conseguimos aumentar a produção mensal em 130%, a produtividade da terra (litros/ha/ano) em 262%, e a margem líquida em 553%”, afirmou o produtor. Para 2017, Fabrício pretende manter a lucratividade na atividade, aumentar 22% em relação a 2016, e ser referência em resultado técnico. Este é o exemplo da pequena propriedade, com grandes gigantes.

Para fechar o painel, o técnico da Cotrisal, Deomir Martini (Constantina, RS), falou sobre os fatores determinantes do sucesso da intensificação da produção baseada em pastagem. Segundo ele, é preciso “ identificar e ordenar os principais gargalos da propriedade, eliminar uma etapa por vez, e atacar os fatores relacionados à produtividade (UA e ha)”.

O segundo dia do evento manteve o alto nível de apresentações, trazendo ao público discussões relacionadas à qualidade do leite, tecnologia, sanidade e reprodução.



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