O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgou na sexta-feira o relatório de Produção de Leite de outubro, conforme programado originalmente. Isso coloca o mercado em dia com pelo menos um relatório, agora de volta ao cronograma. Eles também divulgaram na sexta-feira o relatório de Produtos Lácteos de agosto, mas o mercado ainda aguarda o anúncio de quando veremos o relatório de setembro, para também recuperar essas informações.
Em uma descoberta inusitada, o relatório de Produção de Leite apresenta o primeiro declínio no número de vacas desde 2024, indicando uma mudança para o aumento do descarte de vacas diante da queda dos preços do leite.
Em outubro, os preços do gado de corte atingiram o pico enquanto os preços do leite caíam acentuadamente. Isso criou a oportunidade perfeita para enviar ao mercado as vacas de menor produção, a fim de gerar rapidamente uma fonte de receita para compensar o cheque do leite insuficiente e também reduzir a conta de ração.
Especula-se que essa tendência de redução do rebanho leiteiro continuará, já que os futuros de bezerros de recria caíram mais de R$ 1,76 por quilo desde meados de outubro. Isso proporciona menos fluxo de caixa às fazendas que vinham se mantendo graças ao lucro com a venda de bezerros resultantes do cruzamento de gado leiteiro com de corte.
O próprio Relatório de Produção de Leite ainda foi percebido como baixista. Mostra produção de leite 3,7% maior em comparação com outubro de 2024. Assim como o relatório de Produtos Lácteos de agosto, que mostra maior produção de queijo, manteiga, soro em pó e Leite Desnatado em Pó em comparação com 2024.
No entanto, o relatório de Produtos Lácteos não foi totalmente baixista. Houve uma queda na produção em relação ao relatório de julho em praticamente todos os produtos lácteos, com o declínio mais significativo na produção de manteiga, 2,9% abaixo da produção de julho. Os produtos congelados tiveram uma queda mais significativa na produção em relação a 2024, entre 5,5% a 10,1% nos produtos de sorvete e impressionantes 19,3% a menos no sherbet em relação ao ano passado.
Em um mundo de notícias sombrias e desanimadoras no mercado de laticínios, procuramos pontos positivos, e uma queda no número de vacas pode ser exatamente o que o mercado leiteiro em declínio precisa para ter alguma esperança para os preços no próximo ano.
O velho ditado é “o remédio para preços altos são preços altos, e o remédio para preços baixos são preços baixos”. Preços baixos desestimulam produtores ineficientes ou marginais. O descarte dessas vacas de produção marginal pode resultar em uma escassez de produção ao longo do tempo e, esperançosamente, levar a preços mais altos.
Enquanto isso, o setor tem mostrado quão resilientes os produtores de leite americanos podem ser ao aumentar a eficiência e apresentar novas inovações. Então, embora os mercados pareçam desanimadores hoje, ainda há muito a esperar.
Esta é uma análise de Sarah Jungman, corretora de commodities na AgMarket.Net e na AgDairy, a divisão de laticínios da John Stewart & Associates Inc. (JSA).
As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.