Intoxicação por nitrito associada ao acúmulo de nitrato em pastagem provoca morte de 48 vacas leiteiras no RS

Cerca de 80 dias após a morte de 48 vacas leiteiras em uma propriedade de Novo Xingu (RS), a família Witter inicia a retomada gradual da atividade. Com apoio de uma campanha solidária, 23 animais foram incorporados ao rebanho, sendo 17 em lactação.

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Cerca de 80 dias após a morte de 48 vacas leiteiras em uma propriedade de Novo Xingu (RS), a família Witter inicia a retomada gradual da atividade. Com apoio de uma campanha solidária, 23 animais foram incorporados ao rebanho, sendo 17 em lactação.

Atualmente, a produção diária gira entre 450 e 500 litros de leite — menos da metade dos 1.200 litros produzidos anteriormente ao evento. A expectativa é alcançar aproximadamente 1.000 litros/dia até maio, com a estabilização do novo plantel.

O episódio ocorreu entre os dias 2 e 4 de janeiro e foi marcado por evolução clínica aguda e elevada taxa de mortalidade. Os animais apresentaram sialorreia intensa, dispneia, prostração e decúbito, evoluindo rapidamente para óbito.

Laudos laboratoriais conduzidos pela Universidade de Passo Fundo (UPF) confirmaram intoxicação por nitrito como causa primária das mortes. A origem do quadro está associada ao consumo de forragem com elevado teor de nitrato.

Em condições normais, o nitrato ingerido é reduzido a nitrito no rúmen e, posteriormente, convertido em amônia. No entanto, quando há ingestão excessiva, a taxa de formação de nitrito supera sua conversão, levando à absorção sistêmica desse composto. O nitrito oxida a hemoglobina em meta-hemoglobina, reduzindo a capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue e resultando em hipóxia tecidual, mesmo na presença de movimentos respiratórios normais.

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O acúmulo de nitrato nas plantas forrageiras está frequentemente associado a condições ambientais específicas, como períodos prolongados de baixa luminosidade (dias nublados e chuvosos) ou seca seguida por chuvas. Nessas situações, a absorção de nitrogênio pela planta permanece elevada, enquanto a fotossíntese — responsável pela conversão desses compostos em proteínas — é limitada, favorecendo o acúmulo de nitrato, especialmente em áreas adubadas com nitrogênio.

Como medida preventiva, a área afetada foi dessecada e convertida para cultivo de milho. O sistema alimentar foi ajustado, com retirada do pastejo para vacas em lactação, que passaram a receber dieta exclusivamente no cocho, elevando os custos operacionais.

As perdas econômicas são estimadas em aproximadamente R$ 600 mil, comprometendo a capacidade de investimento da propriedade no curto prazo, incluindo a adoção de sistemas intensivos como free stall.

Figura 1
Vacas morreram por intoxicação por nitrito — Foto: Ana Paula Witter/Arquivo pessoal

Do ponto de vista preventivo, recomenda-se:

  • respeitar o intervalo entre adubação nitrogenada e entrada dos animais;
  • evitar adubação em períodos de baixa luminosidade;
  • promover adaptação gradual dos animais a áreas recém adubadas;
  • intensificar o monitoramento após eventos climáticos críticos (seca seguida de chuva);
  • fornecer suplementação para reduzir o consumo excessivo de forragem potencialmente contaminada.

O caso reforça a importância do manejo integrado entre solo, planta e animal, especialmente em sistemas intensivos, onde variações ambientais podem impactar diretamente a segurança alimentar do rebanho.

Vale a pena ler também: Intoxicação por nitrito/nitrato: o que é, quando costuma ocorrer e como evitar

As informações são do Globo Rural, adaptadas pela Equipe MilkPoint.

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