Cuidados fundamentais no processo de ensilagem
Silagem de qualidade é aquela que possui teor nutricional elevado, o mais próximo possível daquele observado na planta que lhe deu origem. Por ser um processo fermentativo, sempre haverá perdas na ensilagem, mas boa parte destas podem ser evitadas, as chamadas perdas controláveis, com a adoção de práticas simples. Várias etapas devem ser [...]
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Silagem de qualidade é aquela que possui teor nutricional elevado, o mais próximo possível daquele observado na planta que lhe deu origem. Por ser um processo fermentativo, sempre haverá perdas na ensilagem, mas boa parte destas podem ser evitadas, as chamadas perdas controláveis, com a adoção de práticas simples. Várias etapas devem ser cumpridas antes e durante o processo de plantio, ensilagem e abertura do silo. Nesse texto, vamos nos ater ao manejo da lavoura, corte e fechamento do silo.
Plantio e Corte
Três pontos são extremamente importantes no manejo da lavoura: o nível de fertilização, a altura e o ponto de corte.
O nível de fertilização é importante por elevar a produção de matéria seca por hectare. Maiores níveis de adubação, essencialmente de ureia, propiciam aumento de produção, já que o nitrogênio possui relevante papel no metabolismo das plantas. No entanto, alguns estudos comprovam que a adubação nitrogenada de cobertura, acima de 180 kg.ha-1, não gera aumento de biomassa. Sendo assim, o ideal é não ultrapassar esse limite, o que evita aumento desnecessário dos custos de produção.
O esquema de adubação deve ser único para cada propriedade, pois depende da análise prévia do solo, com o objetivo de fazer uma correção eficiente. Para produzir silagem, o solo deve ser analisado com mais frequência que em áreas que se destinam à produção grãos, já que a colheita da planta inteira exporta muitos nutrientes e produz pouco retorno de matéria orgânica, o que gera empobrecimento mais rápido do solo.
Experimentos com diferentes alturas de corte nos fornecem informações muito importantes. Maiores alturas de corte aumentam a qualidade nutricional da silagem, em função da menor participação de colmos, que possuem menor valor nutricional. Por outro lado, geram perdas no campo, porque diminuem a produção de matéria seca ensilada por hectare.
O ponto ou momento de corte é essencial para a obtenção de uma boa silagem. A planta deve ser cortada quando o teor de matéria seca estiver dentro do recomendado, diminuindo, assim, a possibilidade de fermentações secundárias, especialmente por clostrídios, que se desenvolvem na presença de altos teores de umidade. Por outro lado, valores muito elevados de matéria seca dificultam a compactação da massa, gerando acúmulo de oxigênio residual e resultando em perdas na fermentação. No caso do milho, a faixa de matéria seca ideal fica entre 32 e 37%.
Uma maneira prática de verificar o ponto de corte é a análise da linha do leite. Este ponto reflete na planta quando passa da fase de grão farináceo para duro, o que representa de um a dois terços da linha do leite.
Outro ponto importante é o tamanho da partícula, que deve ter de 1 a 2 cm, de acordo com o separador de partículas Penn State (Penn State Par¬ticle Size Separator). O ideal é que 3% a 8% das partículas fiquem retidas na peneira superior (partículas > 19,0 mm), de 45% a 65% encontrem-se no estrato intermediário (entre 19,0 mm a 8,0 mm) e 30% a 40% fiquem retidas na peneira infe¬rior (partículas entre 8,0 mm a 1,67 mm). No máximo 5% das partículas deve ficar no fundo do equipamento (partículas < 1,67 mm).
Silagens com partículas muito grandes dificultam a compactação e, . consequentemente, maior será o tempo para que a anaerobiose se instale no silo. Isto aumenta as perdas e diminui o valor nutricional da silagem. Por outro lado,, partículas muito pequenas também não são desejáveis, pois possuem pouca ação física no rumem, reduzindo a taxa de mastigação e a produção de saliva e, consequentemente, o pH ruminal, causando acidose.
A manutenção e regulagem da ensiladeira também tem participação considerável no resultado final da silagem. A máquina deve ter capacidade de cortar uniformemente a planta e de quebrar o grão em partículas menores para que o amido seja exposto, levando ao melhor aproveitamento pelo animal. Quanto menor o tamanho da partícula do grão, maior a área de contato que as bactérias e enzimas do rúmen possuem para digestão do amido presente.
Compactação e Fechamento do Silo
A compactação tem o objetivo de retirar o oxigênio da massa ensilada e criar, rapidamente, um ambiente de anaerobiose. Dessa forma, proporciona uma melhor fermentação e qualidade final da silagem. O ambiente anaeróbico permite o desenvolvimento de diversas bactérias produtoras de ácidos graxos que, além de diminuir o pH, conservam e previnem o desenvolvimento de agentes nocivos, como, por exemplo, fungos produtores de micotoxinas.
Os níveis ideais de compactação variam de 600 a 700kg por m3 para silagem de planta inteira. No entanto, se existe uma etapa que o produtor pode exagerar é na compactação. Quanto mais compactado, melhor é a expulsão de oxigênio e mais rápida será a fermentação.
Todavia, vale ressaltar que o tempo entre o corte da planta e o fechamento do silo deve ser o menor possível, devendo ocorrer, preferencialmente, no mesmo dia. Após o corte, em uma tentativa de sobreviver, as plantas aumentam o consumo de carboidratos próprios e, por fim, começam a ativar enzimas proteolíticas, ocasionando perdas futuras na fermentação. Por isso, é essencial que a anaerobiose seja estabelecida rapidamente.
Quando o silo estiver cheio e compactado, inicia-se a última fase do processo, a vedação. Para manter um ambiente anaeróbio, a vedação do silo deve ser realizada da forma mais completa possível. Geralmente, utilizam-se, como cobertura, lonas plásticas dupla face para refletir o calor. Recomenda-se que as mesmas tenham uma espessura média de 200 micras e que as bordas sejam cobertas com terra ou outros objetos que impeçam a entrada de ar e água.
O isolamento do entorno do silo também é importante para evitar a entrada de animais e pessoas que possam romper a lona e prejudicar a vedação.
As práticas de produção de uma boa silagem são fundamentadas em bases simples como as descritas neste texto. O uso de tecnologias que visam melhorar a fermentação ou a pós-abertura são tendências naturais como, por exemplo, o uso de aditivos. Mas, vale lembrar que nenhum produto é capaz de corrigir erros de manejo na produção da silagem.
¹Médico Veterinário, Consultor Técnico da Costa & Leão Consultoria Agropecuária.
²Médico Veterinário, MSc, Professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Centro Oeste.
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Material escrito por:
Guilherme Fernando Mattos Leão
Médico Veterinário e Dr. em Zootecnia (UFPR). Contato: (42) 9 9928-5109 dairy.innovationbrazil@gmail.com @dairy_innovation
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TOMÉ-AÇU - PARÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 08/11/2014
- forno de micro ondas.

TOMÉ-AÇU - PARÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 08/11/2014
Parabenizo-lhes pela metodologia um tanto simplista que se propuseram a abordar neste tema. Um assunto de tamanha necessidade e repercussão como este merecia de tal forma. Ainda: quero pedir-lhes licença, pois pretendo fazer algumas ponderações (humildemente falando).
Material genético:
-antes de mais nada, devo saber se minha planta está ou não de acordo com minha realidade (latitude, tipo de solo, precipitações, temperaturas, UR do ar, tratos culturais, etc.). Devo fazer este dever de casa, pois, muita coisa se define aqui (NDT, PB e FDN).
Escolha e preparo de áreas:
- a área DEVE ser muito bem selecionada para tal produção; a mesma, também, NECESSITA está preparada (físico-química). Devo fazer este dever de casa, pois, muita coisa, também, se define aqui (NDT, PB e FDN).
Calagem e fertilizações:
-estas "duas (02) etapas", INFELIZMENTE, vem sendo praticadas pela velha e persistente "receita de bolo". E isto é um sério problema... Como? Quanto? Quando? E onde? Enfim, só sei que ambas atacam "diretamente" o bolso do produtor.
De toda forma, a calagem e fertilizações devem ser orientadas por um bom técnico do ramo (coleta das amostras de solos, interpretação, recomendação e parcelamento). Faça custos, posto em sua propriedade.
Época de ensilagem (nível de MS do material):
-para esta etapa (e junto com o método muito bem recomendado pelos autores), o simples processo "orno de micro ondas" pode auxiliar na tomada de decisão, onde Esta deve ser a mais próxima da perfeição.
Muita coisa se define nesta etapa. Na mesma etapa não cabe a tal de "receita de bolo", uma vez que há uma gama enorme de variantes (tamanho da área, nível técnico do produtor (acesso e de domínio próprio), condições edafoclimáticas, nível de mão de obra e disponibilidade, recursos monetários, etc.). O início e término da ensilagem, sobretudo esta última etapa, a % de MS deve está dentro do projetado.
(*)silagem é algo extraordinário, mas se bem conduzida e, se suas peculiaridades forem interpretadas e muito bem atendidas. Excelente produção a todos.
At.
Uânderson
CASTRO - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 07/11/2014
Obrigado pelo seu comentário.
Com relação o uso de terra sobre o silo, este não compromete o uso da lona dupla face. O principal objetivo da terra seria melhorar a compactação nas camadas superficiais do silo com vistas a expulsar o oxigênio residual, contribuindo assim para uma melhor conservação do material. A telha também é usada pelo mesmo motivo.
A terra realiza uma ótima expulsão de oxigênio e sem dúvida é uma boa alternativa. No entanto, sempre é relevante levar em consideração os aspectos de cada propriedade, como por exemplo a mão de obra, pois a retirada com terra em cima da lona realmente é mais trabalhosa. Se caso esta for limitante, telhas também constituem uma alternativa interessante na expulsão do ar, no entanto, são menos efetivas que a terra.
Qualquer dúvida pode entrar em contato.
Abraços
CASTRO - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 07/11/2014
Fico bastante feliz pelos seus elogios e seu interesse.
Sem dúvida, particularmente falando, você agregou bastante conhecimento com relação a minha formação acadêmica e seus elogios certamente me deixaram bastante honrado.
Com relação a sua dúvida, seria 180 kg de N por hectare. Foi um erro durante a digitação.
Obrigado pela correção.
Fico a disposição.
Att.

MATUPÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 07/11/2014
Fizemos as melhores escolhas de materiais geneticos(>6000 kg graos/ha) para nossa região,solo em condiçoes ideais ,bons tratos culturais,boa sanidade,máquinas adequadas para corte e dominio da ensilagem e vou arraçoar vacas acima de 25 litros de leite.Qual a altura de corte ideal para conseguir NDT > que 65% e bom FDN.Gostaria também que me informasse análises bromatológica de alturas de corte diferentes( só espiga,20 cm do solo e 40 cm do solo). Na nossa regiao compramos de nossos parceiros silagem de milho e pagamos por qualidade da MS(o grão mais 20%).
Obrigado pela atenção e esclarecimentos.
GUARAPUAVA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO
EM 07/11/2014
Embora seja uma abortagem simplista sobre os cuidados básicos na ensilagem, devemos sim estabelecer critérios quanto ao uso de silagem nos rebanhos e priorizar sempre silagem de alta qualidade, no que tange a diminuição de perdas durante o processo de ensilagem e que proporcione melhoras sobre a qualidade nutritiva e sobre os coeficientes zootécnicos dos rebanhos.
Com relação à altura de corte, não devemos nos apegar apenas às questões de aumento do valor nutritivo, pois esta intimamente relacionado à escolha do hibrido (finalidade, stay Green, taxa de secagem, sanidade, proporções botânicas, etc), estabelecimento da lavoura, tratos culturais, altura da planta, espessura de colmo, participação de grãos, entre outras características desejáveis. Enfatizando dessa forma que a definição dessa altura fará jus a aplicação e nível de tecnificação do sistema produtivo, ou seja pela busca de uso da silagem como um alimento protagonista na dieta dos animais e não um coadjuvante.
Caso haja interesse em materiais referentes à qualidade nutricional em detrimento à altura de corte, poderei disponibilizar-lhe, encaminhe-me um email por gentileza.
Obrigado pelo interesse e pelo levantamento de questões relevantes.
Att.

MATUPÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 06/11/2014

ITABERABA - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS
EM 06/11/2014

MATUPÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 06/11/2014
IJUÍ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 05/11/2014

SÃO DOMINGOS - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 05/11/2014
Ou também a utilização de objetos como telhas usada ao invés da terra pela praticidade da retira e tudo mais?
obrigado
att; Heitor F. Ferrari
GUARAPUAVA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 05/11/2014
É muito bom ver vocês contribuindo com este importante site de encontro da cadeia produtiva do leite.
Quando vocês se referiram a não ultrapassar a quantidade de 180 kg/ha de adubação nitrogenada, vocês estavam se referindo a 180 kg/ha de N ou do fertilizante in natura?
No restante, parabenizo vocês pela iniciativa e como vocês mesmo comentam no último parágrafo do artigo "As práticas de produção de uma boa silagem são fundamentadas em bases simples", os fundamentos iniciais da pratica da ensilagem são simples mas se não realizados da maneira correta, comprometem todo o restante do processo.
Sucesso a Todos!

ANDRADINA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS
EM 05/11/2014