O setor leiteiro de Santa Fé, na Argentina, aproxima-se de uma situação crítica que já era prevista. Se a diferença nos preços pagos pelo leite entre o produtor - que recebe 20 centavos (US$ 0,07) por litro desde março, mas que somente será pago dentro de dois meses - e os preços pagos pelo consumidor final nas gôndolas dos supermercados - cerca de 1,10 peso (US$ 0,37) o litro -, não for reduzida, em menos de 3 meses o fechamento de propriedades leiteiras ocorrerá em larga escala na região que, durante os últimos 12 anos, tornou-se a principal bacia leiteira da América Latina.
A tendência parece irreversível, levando-se em consideração que, na última semana de março, 12 propriedades leiteiras de excelente produção - 120 mil litros diários, em conjunto -, encerraram suas atividades. Além disso, outras propriedades também estão em processo semelhante.
Isto não somente indica uma possível mudança da atividade produtiva da região, mas também aumenta o risco de um desabastecimento de leite para as usinas das empresas SanCor, Milkaut, Molfino, Williner, Cotar, La Paulina e Verônica, que pretendem abastecer os países do Mercosul, através de negócios favorecidos pela desvalorização do peso argentino.
Importações não são descartadas
Por isso, não se descarta a possibilidade de que, no inverno, haja a necessidade de importar leite para abastecer o mercado interno, com o conseqüente prejuízo para o consumidor local, já que, comprar leite em pó importado para fazer leite fluido custará à indústria cerca de 50 centavos (US$ 0,17) por litro, 30 centavos (US$ 0,10) a mais do que paga atualmente ao produtor argentino.
"A situação dos produtores de leite é muito delicada; os números não fecham e não há quem queira investir neste tipo de produção", reconheceu um membro da Cooperativa Guillermo Lehmann, Rogelio Konig, que admitiu que os produtores afirmam que vão abandonar definitivamente a produção de leite e voltar-se à agricultura, onde os preços internacionais - especialmente para soja e milho - oferecem segurança de uma boa rentabilidade. Na realidade, esta mudança de atividade já começou a ser observada desde o terceiro trimestre do ano passado, e se reflete em uma maior área de cultivo de soja.
Com o preço atual homologado pelo governo argentino (20 centavos o litro), com o custo dos insumos em dólares, além da amortização dos créditos, os produtores da região não obtêm uma diferença superior a 3 centavos, em média. Isto significa, por exemplo, que devem vender 22 litros de leite para poder comprar um quilo de pão.
Segundo os dados oferecidos por entidades de produtores, do preço que o consumidor final paga pelo produto, 69% corresponde à indústria e às cadeias de comercialização, 17% refere-se a impostos e somente 14% é recebido pelos produtores.
O campo em ebulição
Com a intenção de reverter esta situação, os produtores de leite argentinos realizaram, no mês passado, um bloqueio da saída de produtos das usinas e centros de distribuição. Agora, as entidades do campo, mobilizadas também por outros fatores, estão começando a falar em um protesto nacional agropecuário.
Fonte: La Nación (por José E. Bordón), adaptado por Equipe MilkPoint
Crise na Argentina provoca fechamento de várias propriedades leiteiras
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