CPI do Leite de SC investigará a qualidade dos importados

Publicado por: MilkPoint

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A CPI do Leite de Santa Catarina poderá pedir uma investigação do produto importado que chega ao País, principalmente da Europa e da Argentina. O presidente do Sindileite e diretor da empresa Tirol, Mauro Dresch, disse aos deputados que "uma grande quantidade" de leite em pó destinado aos animais estaria sendo misturada ao longa vida e em queijos. Se não houver uma fiscalização da qualidade do produto, alertou, será um caos para o setor.

As denúncias foram reafirmadas pelo secretário-executivo do Sindileite e diretor da Lactoplasa, em Lages, Walter Hoeschel Neto, durante a reunião do CPI do Leite, ontem, na Assembléia Legislativa. A grande preocupação é com a Argentina, onde a crise econômica e a desvalorização do peso derrubaram o preço médio do produto. Na prática, o leite argentino pode chegar ao Estado e provocar dificuldades ainda maiores para os produtores.

Pela média atual, o leite argentino poderia entrar no Estado a R$ 0,21, enquanto o valor médio do litro pago em fevereiro aos produtores catarinenses chegou a R$ 0,29.

Em seu depoimento, o empresário Walter Hoeschel Neto disse que a crise do setor leiteiro no Estado não tem outra saída senão a exportação. Para isso, terá que se profissionalizar. O problema é que metade dos 55 mil produtores tem poucas garantias a oferecer para obter empréstimos e equipar a propriedade.

Por falta de garantias a oferecer aos bancos, Hoeschel Neto propôs a criação de um fundo de aval que assegure o pagamento em caso de inadimplência. Santa Catarina produz 2,5 milhões de litros por dia. Estima-se que a metade seja para o leite longa vida, que ganhou benefícios do governo no mês passado, mas pouco afetou o agricultor.

Paraná

A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a comercialização do leite e seus derivados no Paraná não ficou convencida com a explicação do diretor de comercialização do grupo Pão de Açúcar, Márcio Milan, ontem pela manhã na Assembléia Legislativa. Técnicos da Receita Federal e da Secretaria de Estado da Fazenda foram convocados para acompanhar os exames da CPI sobre os documentos contábeis das grandes redes atacadistas do Paraná (Sonae, Pão de Açúcar, Wal Mart e Carrefour) que deverão enviar seus livros caixas.

A desconfiança dos parlamentares se baseia nos números apresentados pelas grandes redes, entre eles o Pão de Açúcar, que mostram que os lucros obtidos variam entre 2% e 10% do valor do produto ao consumidor. Este número não é compatível com números oficiais apresentados pela comissão, os quais apontam que quase metade do preço ao consumidor, algo em torno de 43% no caso do queijo tipo mussarela, fica com as grandes redes varejistas, sendo o restante distribuído aos produtores e às empresas beneficiadoras. O relator da comissão, César Silvestri (PPS) chegou a levantar a hipótese de existir uma grande rede de sonegação de impostos, através da maquiagem de margens de lucros. "Papel aceita tudo", dispara. Hoje nos mercados da rede o leite está sendo vendido a R$ 1,17, enquanto os produtores paranaenses estão recebendo entre R$ 0,17 e R$ 0,29 pelo litro.

Os parlamentares também não ficaram satisfeitos com os dados constantes de uma planilha de custos entregue por Milan. No documento não constavam os descontos e bonificações que os supermercados costumam exigir dos seus fornecedores. "As grandes redes não fazem absolutamente nada de graça", comentou o relator.

Rapel

Milan reconheceu que os produtores de leite do Paraná são mal remunerados. Mas ele considera que a indústria da embalagem longa vida precisa rever os preços que vem praticando, já que detém o monopólio do setor no Paraná. ''A cadeia produtiva deve tomar providências. A indústria da embalagem precisa discutir essa questão com mais sensibilidade e profissionalismo'', declarou.

Assim como o presidente da Associação Paranaense dos Supermercadistas (Apras), Pedro Joanir Zonta, que depôs na semana passada, Milan também reconheceu a existência da prática do ''rapel'', que são as bonificações exigidas pelos supermercados para expor os produtos nas suas prateleiras quando uma loja é inaugurada e durante as promoções de ponto-de-venda e aniversário.

Os deputados também esperavam para ontem o depoimento do presidente da Associação dos Fornecedores de Supermercados (Assosuper), Celso Luís Gusso, e do diretor do Grupo Wal Mart, Mário Tadeu Teixeira. Mas os dois não compareceram. Segundo o presidente da CPI, deputado Orlando Pessuti (PMDB), Celso Gusso e o diretor do Grupo Carrefour, Marcos da Silva Cunha, devem depor hoje.

Fonte: Diário Catarinense, Gazeta do Paraná e Folha de Londrina (por Denise Ângelo), adaptado por Equipe MilkPoint
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