As cooperativas de leite de Minas Gerais estão reagindo ao processo de centralização no setor, que vem acontecendo em todo o País há pelo menos cinco anos. Representantes de 20 cooperativas do Triângulo Mineiro contrataram uma empresa de consultoria que está analisando a possibilidade de formação de uma única empresa. A intenção inicial é criar uma única estrutura de industrialização e de comercialização de produtos, mantendo a captação de leite vinculada a cada cooperativa.
O presidente da Cooperativa Agropecuária Limitada de Uberlândia (Calu), Jerônimo Gomes Ferreira, admite que, a princípio, cada cooperativa deverá manter sua marca original, mas que no futuro é possível que seja criada uma única marca. "Estamos reagindo a uma tendência mundial, que é a de concentração. Precisamos reduzir custos de produção e manter a competitividade de nossos produtos. Só assim garantiremos o futuro dos produtores", acrescenta.
Esta não é a primeira tentativa de formação de parcerias nas cooperativas de leite do Triângulo. Há dois anos, representantes das cooperativas da região iniciaram negociações com a Centroleite, empresa que reúne cooperativas de Goiás. A intenção era criar uma central para negociar o leite in natura. Mas, segundo Ferreira, o projeto não foi viabilizado devido a diferenças entre a realidade dos produtores dos dois estados. "Goiás oferece inúmeros subsídios aos produtores, enquanto em Minas isso não acontece. As cooperativas da região também estão utilizando grande parte do leite para industrialização, enquanto as empresas goianas são tradicionais vendedoras do produto in natura, essas diferenças contribuíram para que o projeto não fosse adiante", explica.
Itambé
Recentemente, os cooperados do Triângulo se reuniram com representantes da Itambé S.A., controlada pela Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR). A empresa iniciou o processo de venda de 49% dos seus ativos.
O presidente da Calu, que compôs a comissão de negociação com a Itambé, conta que a empresa fez uma proposta aos cooperados da região, que não foi aceita. As cooperativas da região captam juntas todos os dias quase dois milhões de litros de leite. "A Itambé está atrás de um sócio que esteja capitalizado e que possua tecnologia. Além da necessidade de capital, alguns pontos da negociação não nos beneficiavam, por isso a negociação não evoluiu", acrescenta.
Fonte: Jornal Correio, Uberlândia/ MG - www.jornalcorreio.com.br, adaptado por Equipe MilkPoint
Cooperativas de leite mineiras estudam parceria
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