Viver em um mundo amplamente globalizado oferece inúmeros benefícios tanto para as nações quanto para as pessoas que nelas vivem. No entanto, essa interdependência entre países também gera algumas consequências negativas. Uma delas são os possíveis impactos indiretos causados por conflitos internacionais, como o que ocorre atualmente no Oriente Médio.
O embate entre Irã e Israel tem gerado uma série de efeitos sobre o mercado internacional, e o agronegócio brasileiro não está isento dessas repercussões. Entre os principais prováveis reflexos desse cenário para os produtores do Brasil, destacam-se:
Aumento no custo dos fertilizantes
O Irã é um dos maiores fornecedores globais de ureia, fertilizante nitrogenado fundamental para a produção agrícola brasileira. Segundo a consultoria Argus, em 2024, cerca de 19% da ureia importada pelo Brasil veio do Irã.
Como quase toda a ureia utilizada no Brasil é importada, uma possível elevação dos preços no mercado internacional impactaria diretamente o custo de produção de pastagens e grãos destinados à alimentação do gado leiteiro. Isso poderia encarecer o custo de produção de leite;
Outro ponto de atenção é que Israel também figura como um importante fornecedor de fertilizantes para a agricultura brasileira. De acordo com a Embrapa, o país responde por aproximadamente 10% de todo o cloreto de potássio importado pelo Brasil, insumo fundamental para a adubação das lavouras. Caso o cenário de guerra persista e a cadeia de fertilizantes seja afetada, o custo desses insumos nos próximos meses pode se elevar;
Piora no cenário de demanda global de lácteos
O Oriente Médio é uma das principais regiões importadoras de lácteos do mundo. Os conflitos envolvendo Israel e Irã inevitavelmente impactam a economia local, podendo reduzir o apetite de consumo na região. Além dos efeitos diretos, as tensões também geram insegurança global e contribuem para a desaceleração da economia mundial, o que tende a afetar negativamente o consumo de lácteos em escala global.
Outro ponto de atenção são as rotas marítimas da região, entre as mais relevantes para o comércio internacional de lácteos. Grande parte das exportações da Nova Zelândia com destino ao Oriente Médio, Norte da África (com destaque para grandes compradores como a Argélia) e Europa passam pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez – áreas atualmente também sob tensão frente ao confronto, para além do Estreito de Ormuz.
Até o momento, o tráfego marítimo segue fluindo normalmente, mas o cenário inspira cautela e deve ser monitorado de perto nas próximas semanas.
A importância da resiliência no agronegócio
Embora ainda não haja garantias sobre a extensão dos impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre o mercado internacional, é importante que o setor agropecuário brasileiro esteja atento às possíveis repercussões. O aumento nos custos dos fertilizantes e uma eventual retração na demanda global por lácteos são cenários que, mesmo incertos, merecem acompanhamento constante.
Em um mundo cada vez mais interconectado, avaliar riscos e adotar estratégias para reduzir vulnerabilidades pode contribuir para que produtores e indústrias estejam mais bem preparados diante de diferentes desdobramentos.