China propõe a compra de lácteos argentinos em troca de tecnologia

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Na missão comercial realizada na semana passada pelo ministro da Produção argentino, José Ignacio de Mendiguren, juntamente com alguns empresários de vários setores por cidades chinesas, os argentinos encontraram o interesse dos colegas orientais em importar produtos lácteos, couros, sapatos finos e maquinaria agrícola, entre outros artigos, pedindo em troca que seja transferida a eles a tecnologia para que possam passar a produzir esses produtos em seu país. Isso pode causar um efeito bumerangue no que seria um bom negócio, que é exportar para a China.

Será que no futuro não serão os chineses que exportarão esses mesmos produtos para a Argentina? "É um perigo, mas existe a expectativa de que a China nunca conseguirá se auto-abastecer", disse De Mediguren. A China conta com 1,2 bilhão de habitantes, sendo que, atualmente, cerca de 250 milhões deles estão incluídos nas classes média e alta. "Somente 20% de suas terras são cultiváveis e há a necessidade de alimentos de qualidade".

A delegação argentina que, pela primeira vez na história, viajou em conjunto com uma delegação brasileira, negociou 4 protocolos para aumentar as vendas à China, que estavam paradas. Em dois deles - lácteos e frangos -, as questões técnicas foram resolvidas, e falta somente a formalização dos ministérios de Relações Exteriores. O que ainda não foi resolvido foram os acordos nos setores de hortifruticultura e carne bovina. O governo comunista chinês, novo membro da Organização Mundial do Comércio (OMC), pediu, em troca, que seja acelerado o protocolo para elevar suas exportações de tripas salgadas de suínos.

A China convidou os empresários argentinos a vender mais produtos; inclusive lhes ofereceu facilidades na distribuição, mas impôs a condição de que lhes seja passada a tecnologia. O presidente da SanCor, Miguel Altuna, que participou da missão, viajou para a cidade de Chong King, onde existem usinas leiteiras, para estudar a troca. O consumo per capita anual de leite na China é de 8 litros/hab/ano, enquanto que, nos países industrializados, o consumo per capita anual é de 100 litros.

Fonte: La Nación (por Alejandro Rebossio), adaptado por Equipe MilkPoint
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