A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu em Miguel Calmon, Bahia, mais um Circuito de Resultados do Projeto Campo Futuro para apresentar os custos de produção da bovinocultura de leite da região Nordeste. O evento foi realizado em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) e reuniu produtores rurais, técnicos e representantes de sindicatos, associações e instituições de pesquisa.
Os circuitos do Campo Futuro representam uma oportunidade para os produtores debaterem os impactos dos custos de produção na rentabilidade, manejo e produtividade de culturas, agregação de valor, boas práticas no campo, tendências e oportunidades de mercado.
Na abertura, o presidente da Faeb e vice-presidente da CNA, Humberto Miranda, destacou o potencial produtivo do semiárido e a importância de os produtores se organizarem para tomar decisões assertivas dentro da propriedade. “A fronteira das regiões semiáridas do mundo é a mais desafiadora, mas também a mais produtiva. Temos que cuidar do nosso solo, preparar para os nossos animais e organizar os produtores para que consigam mudar a atividade leiteira”, afirmou.
O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Giovanni Penazzi, apresentou uma análise dos custos da produção de leite e dos resultados técnicos e financeiros das propriedades. Segundo ele, os dados da Bahia mostram uma atividade relativamente competitiva no Nordeste, mas ainda existem desafios para elevar a produtividade e diluir os custos fixos.
“Quando avaliamos os resultados em relação a sistemas de produção mais competitivos e produtivos, observamos que, no Nordeste como um todo, as propriedades típicas ainda têm dificuldade de agregar produtividade suficiente para conseguir arcar com a diluição dos custos fixos, além dos desembolsos com nutrição animal e produção de volumoso”, explicou. Giovanni acrescentou que a produção de volumoso se torna ainda mais desafiadora nas condições do agreste, especialmente diante da perspectiva de início do El Niño, o que pode colocar em risco a capacidade do produtor de manter as margens da atividade.
Já o consultor técnico da Rehagro, Rafael Ferraz, falou sobre o diagnóstico da pecuária leiteira e os caminhos para aumentar a rentabilidade na propriedade. Para ele, as informações sobre custos de produção precisam estar conectadas às decisões de manejo e à rotina das fazendas. “O produtor precisa entender onde está do ponto de vista de custo e como agir no dia a dia com um objetivo muito claro de conseguir mais lucro e rentabilidade. A ideia é que essas informações sejam um direcionamento para que consigam ter melhores resultados na atividade”, afirmou.
Para o presidente do Sindicato Rural de Miguel Calmon, Cau Batista, o circuito permite aos produtores conhecer os números da atividade e entender a gestão das propriedades. “É importante participar de um evento que traz várias reflexões e debates, mostrando a realidade da região. É um trabalho que mostra a nossa realidade e que nos faz refletir como produtores se estamos produzindo e fazendo o dever de casa”, disse. A programação do circuito contou ainda com palestras sobre o mercado do leite e os desafios para a cadeia produtiva, oportunidades para produtores e laticínios, além de uma mesa redonda.
As informações são da CNA, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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