Seapi: Câmara do Leite debate inovação tecnológica sustentável para o controle do carrapato bovino

O pesquisador e diretor do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF) da Seapi, José Reck, apresentou uma pesquisa sobre um produto biológico inédito para o controle do carrapato bovino, com aplicação direta nas pastagens por meio de drones.

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A reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite abordou inovações no controle do carrapato bovino, destacando um produto biológico aplicado por drones. O secretário Márcio Madalena e o pesquisador José Reck enfatizaram a integração de métodos não químicos ao manejo tradicional. Também foi discutido o "Programa Mapa Conecta", que visa estimular a inovação agropecuária. Além disso, foi apresentado um plano para incentivar a exportação de lácteos, visando aumentar a competitividade do leite brasileiro frente ao Mercosul.
Inovação tecnológica sustentável para o controle do carrapato bovino. Esse foi um dos temas debatidos na reunião híbrida da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), que ocorreu na última sexta-feira (15/5) na casa do Fundesa na Fenasul Expoleite 2026 em Esteio. O secretário da Agricultura, Márcio Madalena, esteve presente.

O pesquisador e diretor do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF) da Seapi, José Reck, apresentou uma pesquisa sobre um produto biológico inédito para o controle do carrapato bovino, com aplicação direta nas pastagens por meio de drones.

"Essa é uma das estratégias de controle não químico, ou seja, independente do uso de carrapaticidas, que estamos desenvolvendo e validando em campo", explicou. "A ideia é poder associar essa estratégia ao controle tradicional. Em outras palavras, não abandonar totalmente o uso dos químicos, mas sim integrá-lo a outros métodos de manejo ambiental para que a gente faça menos uso dos carrapaticidas químicos", esclareceu Reck.

O projeto desenvolvido pelo IPVDF (Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor) propõe que, em vez de tratar o animal com produtos químicos, seja aplicado um produto biológico no ambiente onde o carrapato passa a maior parte do seu ciclo de vida. "O estudo utiliza micro-organismos presentes no solo, como fungos e bactérias, selecionados por sua capacidade de atingir o carrapato sem causar danos aos bovinos, aos seres humanos ou ao ambiente. Esses agentes biológicos são concentrados em uma formulação e aplicados diretamente no campo, com apoio de drones, o que amplia a escala e a eficiência da operação", destacou.

Reck apresentou também, durante a reunião, um sistema de manejo de rotação e vazio de piquetes, que pode ser feito em um esquema de associação, de integração lavoura-pecuária. "Principalmente em integração com culturas como arroz ou soja, que tem uma questão de época do ano muito favorável da colheita para um momento que a gente pode aproveitar a resteva pós-colheita para deslocar os animais. E é um período importantíssimo da gente ter esse vazio no campo para poder diminuir a população de carrapatos", afirmou o pesquisador.

"É bom lembrar da dificuldade de termos hoje carrapaticidas que possam ser usados em vacas leiteiras, pois a maioria não tem indicação para vacas em lactação", comentou Reck. "A gente tem uma absoluta dificuldade de fazer uma recomendação de controle químico em vacas em lactação. Por isso, queremos ressaltar a importância do produtor de leite ter outras estratégias de controle, para que não dependam exclusivamente dos carrapaticidas químicos".

Programa Mapa Conecta

O "Programa Mapa Conecta: Diagnóstico Estadual da Inovação Agropecuária" foi abordado pelo engenheiro florestal e consultor de Inovação Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Jhonitan Matiello.

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Ele contou que o diagnóstico já iniciou em 17 estados, entre eles o Rio Grande do Sul, os quais fazem parte da Rede Mapa Conecta. "A rede aloca os consultores em cada estado, para estimular o ecossistema de inovação agropecuária e fazer a conexão entre os atores da agropecuária desses estados", explicou Matiello. "Mas o diagnóstico oficial mesmo, mais detalhado e focado na inovação em si da agropecuária, está planejado para ser entregue ainda este ano", adiantou o engenheiro.

Matiello falou ainda sobre os desafios e a situação atual da inovação nas cadeias produtivas do Rio Grande do Sul e também sobre a questão de ambientes de inovação que o Estado possui. "Queremos saber quantas pessoas estão trabalhando nessa área no Estado, como é a questão de assistência técnica, infraestrutura, tudo com o recorte da inovação agropecuária", enfatizou. "Para isso, precisamos ouvir o pessoal mais na ponta, como o das câmaras setoriais e temáticas".

Transmissão de cargo

Durante a reunião, foi realizada a transferência de cargo de coordenador da Câmara. O novo coordenador, Marcos Tang, que é presidente da Gadolando e da Febrac, ficará na gestão pelos próximos dois anos. Na ocasião, o secretário Madalena entregou uma placa em homenagem à Eugênio Zanetti, que deixa a coordenação, pelo trabalho realizado de 2024 até o momento.

Importação e exportação de lácteos 

O engenheiro agrônomo e consultor da Aliança Láctea Sul Brasileira, Airton Spies, abordou os problemas de importação de lácteos do Mercosul e mostrou um plano de incentivos para a exportação. "Está claro que o leite brasileiro não pode depender de apenas um mercado, o interno, para ter uma estrutura de crescimento sustentável no longo prazo. Estamos falando aqui de um setor que produziu 27 bilhões de litros de leite em 2025 e importou 2,1 bilhões de litros do Mercosul, que dá cerca de 8% do nosso consumo. E nós conseguimos exportar da nossa produção formal apenas 0,25% no ano passado", disse Spies.

"Então, para crescer atualmente, nós precisamos retirar produtores da atividade, e que é lamentável", afirmou o agrônomo. "Nesse sentido, o plano apresentado pela Aliança Láctea Sul Brasileira busca criar um ambiente favorável para que os produtores e as indústrias possam produzir leite para exportação", destacou Spies. Segundo ele, a Aliança está tratando com o BRDE, Codesul, federações de produtores de leites, entidades governamentais, assistência técnica e defesa agropecuária estratégias para tirar os gargalos que hoje impedem que o leite braseleiro seja competitivo. "Ou seja, o que torna o nosso leite mais caro do que o leite dos principais países exportadores", pontuou.

De acordo com Spies, essa agenda é importante para os três estados da região Sul, porque eles produzem 41% do leite industrializado do Brasil e só têm 14% dos consumidores. "Precisamos de uma estratégia para conseguir aumentar a produção e vender para consumidores em outros locais do mundo; e conseguir rechaçar as importações por competitividade, porque o nosso leite vai ser tão barato ou tão competitivo quanto o argentino e o uruguaio que chegam aqui, e o grande beneficiado vai ser o consumidor".

Conforme o agrônomo, o importante é entender que o leite sul-brasileiro tem vantagens comparativas que podem ser transformadas em vantagem competitiva. "Nós temos mais sol, mais chuva, mais água, nós temos terra, gente trabalhadora, agricultura familiar. Tudo isso é favorável ao aumento da produção de leite e, com isso, o leite é candidato a ser mais uma estrela do nosso agronegócio. Mas ele precisa de dois mercados, o interno e o externo, para poder crescer de forma sustentável", finalizou Spies.

Por sua vez, o auditor fiscal federal agropecuário do Serviço de Fiscalização de Insumos e Saúde Animal na Superintendência Federal de Agricultura do Mapa no Rio Grande do Sul, Rodrigo Pereira, esclareceu o posicionamento a respeito da importação de commodities lácteas para o Brasil. Segundo ele, a importação ocorre porque há demanda dos produtos no mercado brasileiro. "O valor médio do leite ao produtor é superior aos valores de outros países. Nosso leite é mais caro devido à nossa ineficiência", declarou Pereira.

"Só poderíamos rechaçar o produto importado se fosse evidenciado dumping ou por restrições sanitárias. Nenhuma dessas duas condições estão estabelecidas", garantiu o auditor fiscal. "Logo, não há motivos para rechaços. E uma eventual ação nesse sentido poderia comprometer as exportações de outras cadeias produtivas", alertou Pereira.

De acordo com ele, são necessárias ações de toda a cadeia produtiva, a fim de tentar aumentar o consumo de lácteos no mercado interno, dos 180 litros per capita ao ano para 200.

As informações são da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul.

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