Brasileiro reorganiza gastos, aumenta o carrinho e impulsiona consumo premium

Mesmo com o orçamento pressionado, consumidor preserva produtos premium enquanto amplia busca por promoções e marcas próprias.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 4 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
O consumidor brasileiro está alterando seus hábitos de compra devido a restrições orçamentárias, com 70% dos lares enfrentando esse cenário em 2026. A frequência de compras diminuiu, enquanto o volume por viagem aumentou. As marcas próprias e os produtos premium estão ganhando espaço, com um foco em categorias prioritárias. Supermercados e atacarejos se destacam nas compras, e a presença em múltiplos canais é crucial para o crescimento das marcas, especialmente entre as classes C e D/E.
Com o orçamento mais apertado, o consumidor brasileiro está mudando a forma de fazer compras: vai menos vezes ao ponto de venda, concentra mais produtos em cada viagem e busca diferentes alternativas para equilibrar os gastos sem necessariamente abrir mão de produtos de maior valor agregado.

Com 70% dos lares operando sob algum grau de restrição orçamentária em 2026, as compras em promoção cresceram 35% em valor no segundo trimestre frente ao mesmo período do ano anterior. As marcas próprias avançaram 10%, enquanto as compras de abastecimento cresceram 5%, segundo o Consumer Insights 2026, da Worldpanel by Numerator.

Nesse cenário, a classe C ganha relevância no consumo. Sua participação em FMCG (bens de consumo massivo) passou de 47,4% no segundo trimestre de 2025 para 49,2% no mesmo período de 2026. O movimento também aparece nas compras de abastecimento, cuja participação no volume total de FMCG aumentou de 50,4% para 52,1% entre junho de 2025 e junho de 2026.

Menos viagens, carrinhos maiores

A mudança fica evidente na frequência de compra. Considerando o consumo dentro do lar e tomando o segundo trimestre de 2024 como base 100, o índice de frequência caiu para 81 em 2026, enquanto o volume por viagem chegou a 123. O volume médio total, por sua vez, permaneceu próximo da estabilidade.

Continua depois da publicidade

Nas compras de abastecimento, essa concentração é ainda mais evidente: no segundo trimestre de 2026, o tamanho dos carrinhos cresceu 7% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o mercado total registrou retração de 0,5%. O comportamento aponta para um consumidor que planeja mais cada viagem e concentra itens em determinadas ocasiões de compra.

Economia de um lado, premium do outro

Mesmo com a pressão sobre o orçamento, o segmento premium segue ganhando espaço no carrinho dos brasileiros. Para equilibrar as despesas, o shopper combina produtos Economy, marcas próprias e promoções, preservando itens de maior valor agregado nas categorias que considera prioritárias. Esse comportamento também aparece entre as classes C e D/E.

O avanço do premium está associado principalmente a categorias ligadas a autocuidado, bem-estar e indulgência, como bebidas funcionais, beleza, alimentos saudáveis, home care premiumsnacks, refeições de conveniência e laticínios indulgentes.

Mesmo com a maior pressão sobre o orçamento, o segmento premium segue ganhando espaço no carrinho dos brasileiros, ao mesmo tempo em que cresce a presença de marcas próprias. O movimento reforça uma estratégia de balanceamento das compras: o consumidor economiza em determinadas escolhas para preservar produtos de maior valor agregado em categorias que considera prioritárias.

Atacarejos e supermercados ganham espaço

A reorganização das compras também está mudando a escolha dos canais. Supermercados convencionais e atacarejos absorvem parte das compras antes realizadas no varejo tradicional, impulsionados principalmente pelas missões de abastecimento.

No segundo trimestre de 2026, essas missões representaram 63,8% das unidades compradas em supermercados convencionais entre os dias 1º e 10 do mês e 78,6% no atacarejo. Outros canais também avançam. No período, as unidades compradas cresceram 8% em farmácias e 89,9% no e-commerce, neste último caso desconsiderando aplicativos para evitar sobreposição de dados.

Para crescer, marcas precisam acompanhar o shopper

Com uma jornada mais fragmentada, estar presente em diferentes canais se torna ainda mais relevante para o crescimento das marcas. Dados do Brand Footprint 2026 mostram que 87% das marcas que aumentaram seus Consumer Reach Points (CRP) cresceram em pelo menos cinco canais, e cerca de metade avançou em oito ou mais.

A conquista de novos compradores também aparece como um importante vetor de crescimento: entre as 238 marcas que avançaram em CRP em 2025, 71% cresceram principalmente pelo aumento de penetração. “O avanço das classes C e D/E foi decisivo para essa evolução. Elas consolidaram seu papel como importante motor de crescimento de marcas de diferentes portes. Prova disso é que, entre as 50 maiores do ranking, 78% registraram alta em CRP”, afirma Daniel Horai, Diretor de Novos Negócios da Worldpanel by Numerator.

Os movimentos apontam para um consumidor mais seletivo, que reorganiza o orçamento em vez de simplesmente buscar o menor preço. Ele combina promoções, marcas próprias, produtos mainstream e premium, concentra compras em menos viagens e transita entre diferentes canais de acordo com cada necessidade. Para marcas e varejistas, acompanhar essas diferentes missões e garantir presença nos pontos de contato relevantes se torna essencial para capturar novas oportunidades de crescimento.

Sobre o Consumer Insights 2026

O Consumer Insights 2026 reúne análises da Worldpanel by Numerator sobre as mudanças no comportamento de compra e consumo dos brasileiros. Nos recortes de consumo dentro do lar utilizados neste release, o estudo acompanha 120 categorias de FMCG (Fast Moving Consumer Goods) e analisa, entre outros aspectos, perfil socioeconômico, missões de compra, tiers de preço e movimentação entre canais.

Os dados do Consumer Insights são do painel de domicílios da Worldpanel by Numerator, que inclui 11 mil lares de todo o Brasil. As entrevistas da edição divulgada em setembro foram feitas no segundo trimestre deste ano.

As informações são da Worldpanel by Numerator. 

Vale a pena ler também: 

Preço do leite UHT sobe 1,78% em agosto, na contramão da queda dos alimentos

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?