No acumulado do ano, o faturamento em mesmas lojas cresce +2,2%, impulsionado pela alta de +3,7% no preço médio e parcialmente contido pela retração de -1,4% nas unidades vendidas. Em julho, a pressão dos preços ganhou força, com avanço de +4,0%, enquanto o volume comercializado recuou -1,4%. O resultado reforça um cenário em que o crescimento em valor continua dependendo mais dos preços do que de uma expansão efetiva do consumo.
Entre os formatos, o atacarejo foi o único a apresentar leve retração no faturamento em julho (-0,2%), acompanhado do menor aumento de preço (+2,6%). O super 1-4 avançou +1,0%, mas registrou a maior queda em unidades do mês (-4,4%). Já os formatos super 5-9 (+2,9%) e super 10+ (+3,2%) tiveram os melhores desempenhos em faturamento, sendo que o super 10+ apresentou também a retração mais branda em unidades (-0,7%).
Calor atípico favorece bebidas e reduz força das categorias de inverno
O comportamento das categorias em julho também foi influenciado pelas temperaturas acima da média registradas em diversas regiões do país. Bebidas e perecíveis lideraram o crescimento em faturamento, ambas com alta de +4,4%. No caso de bebidas, o resultado foi sustentado pelo aumento de +4,6% no preço médio e pelo desempenho de produtos mais associados ao calor como água (+12,9%), energético (+27,3%) e isotônico (+21,4%), que registraram crescimento expressivo em unidades.
Na direção oposta, categorias tradicionalmente associadas ao inverno perderam força. Vinho apresentou queda de -10,4% em unidades e whisky, de -9,1%. Mesmo a cerveja, maior categoria da cesta de bebidas, recuou -5,2% em unidades. Segundo o relatório, julho registrou temperaturas acima da média em diversas regiões, cenário que não favoreceu o consumo de bebidas alcoólicas ligadas ao período mais frio.
A mercearia básica permaneceu como a cesta de pior desempenho, com retração de -7,8% no faturamento e queda simultânea tanto do preço médio (-2,6%) quanto das unidades (-5,3%). O movimento reflete, entre outros fatores, a deflação de commodities: em 12 meses, café acumula queda de -17% nos preços, arroz de -10% e açúcar de -21%. Mercearia também passou a registrar retração em valor (-0,2%), com queda de -3,4% nas unidades, mesmo diante do aumento de +3,3% no preço médio.
Regionalmente, quase todo o país apresentou crescimento do faturamento puxado pelos preços. O Centro-Oeste novamente se destacou, com avanço de +4,5%, sustentado pelo maior aumento de preço médio (+5,5%) e pela menor retração em unidades (-1,0%). Sul (+2,5%) e Nordeste (+2,4%) vieram na sequência. O Norte foi a única região a apresentar queda no faturamento (-0,1%), enquanto São Paulo teve o menor crescimento entre as regiões positivas (+0,7%).
Atenção ao resultado das promoções
Outro sinal de atenção está no comportamento promocional. Em julho, a participação das vendas em promoção chegou a 25,8%, avanço de 1,4 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2025. As ações também ficaram mais longas e os descontos, mais profundos. Apesar do maior esforço, o relatório aponta que isso não se converteu proporcionalmente em vendas incrementais. O atacarejo apresentou o maior peso promocional, de 31,6%, e também a maior venda incremental entre os canais, de 68,5%.
Os dados de estoque reforçam o cenário de consumo mais fraco. A ruptura caiu para 4,4%, o menor nível da série, enquanto a não venda avançou para 11,4% e os dias de estoque chegaram a 46, cinco dias acima do registrado um ano antes. Com mais produtos disponíveis nas lojas e menor ruptura, a perda de vendas deixa de estar associada prioritariamente à falta de mercadoria e passa a sinalizar produtos disponíveis que não estão encontrando a mesma demanda.
A inflação medida pela Scanntech também apresentou desaceleração no mês, com deflação de -0,3% em relação a junho. Em 12 meses, porém, a inflação total medida pelo levantamento acumula +3,18%, acima da inflação de FMCG (+2,40%), enquanto a cesta básica permanece em deflação (-0,29%).
Estudo identifica mudanças estruturais no comportamento do consumidor
A edição de julho traz ainda o estudo especial “Massa Crítica – Sinais que Viraram Força Estrutural”, desenvolvido a partir do cruzamento de dados da Scanntech, Google e McKinsey.
A análise identifica três transformações que deixaram de ser apenas tendências e passaram a influenciar de forma estrutural o consumo: a premiumização associada à diferença de poder de compra entre faixas de renda; o avanço da saudabilidade e da busca por experiências; e as mudanças no carrinho provocadas pelas transformações demográficas e sociais.
Entre os sinais identificados estão o avanço das marcas premium em diferentes categorias, a crescente influência da inteligência artificial e das redes sociais na jornada de compra e uma mudança no perfil das compras. Com famílias menores, envelhecimento da população e maior urbanização, os grandes tickets de abastecimento perdem espaço, enquanto as compras menores e ocasionais ganham relevância.
Para ver a apresentação completa, clique aqui.
As informações são da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), adaptadas pela Equipe MilkPoint.
Vale a pena ler também:
Do esporte à longevidade: o papel dos lácteos na saúde 60+
Leite UHT registra alta de 4,1% em julho, aponta estudo da Neogrid