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Baixo consumo de laticínios associado ao aumento da taxa de nanismo infantil

Um grupo de pesquisadores realizou uma análise em vários países para demonstrar se o aumento no consumo de leite estava associado a reduções da baixa estatura.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: 24/07/2023 - 5 minutos de leitura

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma criança é considerada atrofiada se seu crescimento for prejudicado devido à desnutrição, tornando-a muito baixa para a idade. Crianças atrofiadas não atingem seu potencial físico e cognitivo e essa condição também é um fator de risco para a mortalidade infantil.

A maior prevalência de déficit de crescimento infantil está em partes da África, Sul e Sudeste Asiático e América Central, de acordo com dados da UNICEF, OMS e Banco Mundial.

Um grupo de pesquisadores do International Food Policy Research Institute realizou uma análise em vários países para demonstrar se o aumento no consumo de leite estava associado a reduções significativas da baixa estatura. Suas descobertas seriam de interesse para os formuladores de políticas, principalmente em regiões globais onde o retardo de crescimento é mais prevalente.

Os pesquisadores usaram dados da OMS sobre a prevalência de nanismo, que fundiram com as estimativas do Balanço Alimentar da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sobre a oferta doméstica de alimentos, sendo o leite a principal variável de interesse. 

Para obter estimativas mais precisas do consumo de leite infantil em relação ao fornecimento de leite, os pesquisadores também examinaram a associação entre a prevalência do consumo de lácteos em crianças de 6 a 23 meses das Pesquisas Demográficas e de Saúde e o fornecimento de leite; encontraram forte correlação entre oferta e consumo de leite.

A análise também controlou variáveis adicionais, incluindo grupos de alimentos ricos em nutrientes, como alimentos não lácteos de origem animal, frutas e vegetais; renda média; acesso a instalações sanitárias melhoradas e água potável, dentre outros.

A maior prevalência do retardo no crescimento foi registrada no Sudeste Asiático, Sul da Ásia e África Subsaariana, enquanto a menor taxa foi registrada no Leste Asiático.

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Enquanto o Sudeste Asiático e a África Subsaariana tiveram a menor oferta de leite per capita, o que poderia explicar as altas taxas de nanismo infantil, esse não é o caso do Sul da Ásia, onde a Índia – o maior produtor de leite do mundo – está localizada.

Os pesquisadores observaram, no entanto, que outros problemas, como más condições de água, saneamento e higiene e outros fatores dietéticos, poderiam explicar as altas taxas de nanismo naquela região. “Além disso, o consumo de laticínios por crianças em países como a Índia continua longe de ser universal: o DHS de 2015–16 sugeriu que apenas metade das crianças consumiu laticínios nas últimas 24 horas”, observou o jornal.

A maioria das regiões além da África Subsaariana (SSA) experimentou reduções na prevalência de nanismo, destacou o estudo. Todas as regiões, exceto SSA, também viram um aumento no fornecimento de leite desde 1960, com o crescimento mais rápido no consumo de leite ocorrendo no Sudeste Asiático e na China, bem como na Ásia Central e no Sul da Ásia. Maior renda também foi associada a menores taxas de nanismo e maior oferta de leite.

Embora certas limitações se apliquem a este estudo, os autores argumentaram que, coletivamente, “este corpo de evidências garante uma priorização maior do desenvolvimento de laticínios nas estratégias nacionais de alimentação e nutrição”.

“As estratégias de desenvolvimento de laticínios precisam ser adaptadas às circunstâncias locais, considerando fatores como o potencial agroecológico para a produção de leite (que é influenciado pela temperatura e doenças do gado), bem como se a população tem fortes tradições ou forte demanda por laticínios. Em países com tradições mais fracas, existem importantes histórias de sucesso no Sudeste Asiático com as quais outros países podem aprender”, refletiram os autores.

Nos países de baixa e média renda com fortes tradições na produção e consumo de lácteos, como o sul da Ásia e a África Oriental, a modernização e o marketing “são críticos”, de acordo com o jornal. “Nesses países, os rebanhos leiteiros são grandes no total, mas muito pequenos em nível familiar. Geralmente, são orientados para a subsistência e altamente não especializados, no sentido de que o gado é usado para fornecer leite, mas também tração, transporte e outros serviços”, escreveram os autores.

“Expandir a produção e o consumo é certamente possível, mas requer uma combinação de expansão do acesso a mercados, melhora na composição genética do rebanho, fornecimento de serviços veterinários, melhora no processamento e tecnologias de armazenamento, construção de um ambiente de negócios adequado para empresas de lácteos e fornecimento de uma regulamentação apropriada. Além do monitoramento da segurança alimentar, tanto por razões de saúde pública quanto pela confiança do consumidor.”, complementam.

Os pesquisadores afirmaram que “há claramente um enorme escopo” para políticas públicas e parcerias público-privadas para aumentar o consumo de laticínios em regiões de baixo consumo de leite, como a África Subsaariana e o Sudeste Asiático.

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Eles também reconhecem preocupações de longa data sobre os produtos lácteos. O leite de vaca é um complemento do leite materno, não um substituto, e argumentaram que as campanhas de educação nutricional deveriam promover o aleitamento materno exclusivo nos primeiros cinco meses após o nascimento e, a partir dos seis meses, uma combinação adequada de aleitamento materno e alimentação complementar – incluindo laticínios.

“Quanto aos impactos das mudanças climáticas, o setor de laticínios na verdade produz muita proteína de alta qualidade em relação às suas emissões de gases de efeito estufa”, disse Beliyou Haile, ex-bolsista de pesquisa do IFPRI e um dos autores do estudo. “Portanto, embora haja um custo climático, também há um grande benefício nutricional para a produção de leite.”, completa.

Os autores também observaram que as emissões de gases de efeito estufa dos lácteos são muito menores em comparação com a carne bovina, apesar de ambos setores serem frequentemente agrupados nas discussões sobre mudanças climáticas. Além disso, melhorias de eficiência na produção de leite poderiam simultaneamente reduzir as emissões e tornar os produtos lácteos mais acessíveis para os pobres, argumentou o jornal.

A intolerância à lactose é outra barreira que eles discutiram, embora afete principalmente populações adultas, em países sem histórico de consumo de laticínios, ao invés de crianças pequenas. “O Vietnã não tem nenhuma tradição de laticínios, mas conseguiu aumentar rapidamente o consumo de laticínios entre crianças pequenas e reduzir o atraso no crescimento”, observou Headey, “indo de zero a herói em apenas algumas décadas”.

“Acreditamos que este estudo juntamente com as evidências existentes, que ligam o consumo de leite a riscos reduzidos de nanismo, justificam maiores investimentos na produção de leite – e potencialmente reformas comerciais – para reduzir os riscos de nanismo, bem como privação de micronutrientes nos países em desenvolvimento.”, concluem os autores.

 

As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

 

 

 
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