O ritmo extraordinário de expansão da indústria de lácteos da Nova Zelândia é inspiração para a Austrália. Em um negócio que essencialmente transforma água em proteína, a Nova Zelândia está claramente jogando com seus pontos fortes.
Seria errado, entretanto, considerar que trata-se apenas de um golpe de sorte. O setor leiteiro neozelandês está colhendo os frutos de investimentos, audácia e um forte foco nos custos, um processo assistido pela dominância quase completa de uma empresa, a Fonterra.
Não é de se admirar, entretanto, que a Nova Zelândia tenha tido uma grande importância nas discussões do Fórum Global de Alimentos do The Australian realizado na semana passada. Houve uma notável mudança no humor com relação ao ano passado, quando a força do dólar e a seca eram as principais preocupações da lista.
Nesse ano, parece ter havido uma percepção coletiva de que isso se tratava de desculpas sem sentido. A expansão do mercado alimentício de classe média na China está lá para ser servida e a Nova Zelândia está mostrando como isso pode ser feito.
Há dez anos, a Austrália tinha uma participação respeitável de 15% do mercado global de exportações de lácteos e a Nova Zelândia tinha uma participação não muito diferente. Porém, embora a produção de leite australiana esteja caindo em 1,7% por ano em média, a produção anual na Nova Zelândia vem crescendo em 3,5%. Nesse ano, a Austrália fornecerá apenas 7% do mercado internacional comercial, mas a Nova Zelândia, terá 36% de participação.
De fato, agora há mais vacas leiteiras que pessoas na Nova Zelândia. O diretor executivo do Coles, Ian McLeod, disse no Fórum que haveria 1,8 bilhão de pessoas mais ricas no mundo até 2025, antes de fazer a pergunta: “o que está nos segurando?”.
A produtividade multifatorial na Austrália retrocedeu em sete dos últimos dez anos, ou seja, estamos “nos pagando mais e gastando mais tempo para produzir menos”.
Os australianos testam a paciência dos sócios estrangeiros, equivocados sobre investimentos externos. “A Austrália precisa reconhecer que está em um mercado competitivo e que existem outros países que também veem essa oportunidade”, disse McLeod. Precisamos aprender a ser “mais eficientes, mais eficazes e mais acolhedores”.
A discussão entre os diretores executivos das duas maiores produtoras de lácteos australianas – Gary Helou, da Murray Goulburn, e Judith Swales, da Fonterra Austrália – destacaram o quanto o país está para trás.
John Durie, do The Australian, que moderou a sessão, disse que há 10 anos, a companhia matriz da Fonterra na Nova Zelândia e a Murray Goulburn tinham aproximadamente o mesmo tamanho. Nesse ano, a Fonterra anunciou receitas de A$ 11,4 bilhões (US$ 10,59 bilhões). A Murray Goulburn deverá ter um quarto dessa receita.
“Nosso maior impedimento é que somos muito introspectivos, tendemos a focar no mercado doméstico e, em particular, nas redes Coles e Woolworths”, disse Helou. “O caminho a seguir é envolver pessoas asiáticas”.
O grande apelo de Helou para o dia foi que os oito maiores processadores no mercado doméstico eventualmente se tornarão quatro, para beneficiar a indústria como um todo. O dividendo da eficácia dará à Austrália um “enorme poder”, disse Helou.
O mercado está crescendo rápido. Há dez anos, a China importava menos de A$ 500 milhões (US$ 464,48 milhões) em lácteos por ano. Agora, são mais de A$ 6 bilhões (US$ 5,57 bilhões).
Dentro de 10 anos, previu Swales, haverá uma escassez global de leite de 100 bilhões de litros por ano; isso é aproximadamente dez vezes a produção total da Austrália.
A Austrália deve aspirar razoavelmente fornecer até 5% dessa lacuna no mercado em expansão, disse Swales. Porém, isso requererá consolidação na produção rural. “Ainda há um papel para as produtores familiares na Austrália, mas acho que vamos ver um aumento das produção rural corporativa; de escala muito maior, muito mais eficiente, com acesso a capital facilitado”, disse Swales.
A reportagem é do The Australian, traduzida e adaptada pela Equipe MilkPoint Brasil.