O valor mínimo a ser pago pelo litro de leite aos produtores argentinos, determinado pelo governo - 20 centavos (US$ 0,08) o litro - não é apenas referencial, mas sim, obrigatório.
O secretário da Agricultura da Argentina, Miguel Paulón, fez uma advertência aos empresários da indústria láctea que, apesar de terem aceitado pagar este valor, ainda hoje permanecem com as negociações referentes ao preço do leite, objetivando alcançar um novo acordo com os produtores e com os supermercados.
Paulón decidiu esclarecer este ponto - a obrigatoriedade de respeitar este preço mínimo - devido ao fato de que, no Diário Oficial do país, da semana passada, ter sido publicado que este valor era apenas "de referência".
Neste contexto, o secretário se encarregou de comunicar a obrigatoriedade pessoalmente às indústrias do setor leiteiro, em reuniões realizadas para que se possa chegar a uma solução para a crise do setor, as quais contaram com a participação dos setores da produção, representantes das províncias e da indústria. Os representantes do setor de supermercados não compareceram às reuniões.
Tanto as autoridades do setor rural da Argentina, como os produtores de leite, estão esperando que, durante estes encontros, consiga-se chegar a uma solução definitiva que permita reverter a severa crise de rentabilidade que o setor leiteiro está enfrentando, em todo o país, sendo que não se descarta a possibilidade de realização de outro protesto, caso não se chegue a um acordo que agrade a todas as partes.
Conflito
O governo argentino está se mostrando confiante de que o conflito do setor começará a ser resolvido.
Os produtores de leite do país continuam reivindicando 24 centavos (US$ 0,099) por litro do produto e a indústria se mantém inflexível em pagar 20 centavos. Outro assunto que deve ser resolvido nas próximas reuniões, refere-se ao encurtamento dos prazos de pagamento que a indústria faz ao produtor - os produtores reivindicam que este prazo não exceda os 30 dias, frente aos atuais 90 e até 120 dias que esperam para receber o pagamento pelo leite entregue às indústrias.
Os dirigentes das principais bacias leiteiras da Argentina argumentam que existe outra parte da cadeia comercial que tem maior margem para absorver este aumento de preços, referindo-se aos supermercados, que seriam, segundo eles, formadores de preços finais ao consumidor.
Fonte: E-campo, adaptado por Equipe MilkPoint
Argentina: preço mínimo do leite determinado pelo governo é obrigatório
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