Após acordo com GP, Laep planeja aquisições

Concluída a operação no setor de lácteos com a Monticiano, controlada pela <i>GP Dairy</i>, a Laep Investments - fundo presidido pelo empresário Marcus Elias - prepara-se para fazer aquisições. Em entrevista exclusiva, Elias declara estar "olhando oportunidades" em setores como usinas de açúcar e álcool e infraestrutura no país. A <i>Laep</i> também avalia a compra de um ativo de alimentos na Espanha.

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Concluída a operação no setor de lácteos com a Monticiano, controlada pela GP Dairy, a Laep Investments - fundo presidido pelo empresário Marcus Elias - prepara-se para fazer aquisições. Em entrevista exclusiva, Elias declara estar "olhando oportunidades" em setores como usinas de açúcar e álcool e infraestrutura no país. A Laep também avalia a compra de um ativo de alimentos na Espanha. "Nosso foco é comprar empresas com problemas para serem resolvidos", afirma Elias.

A nova investida da Laep, que em 2006 comprou a Parmalat - em recuperação judicial -, acontece depois de um período crítico, quando teve de se desfazer de ativos e que culminou na operação com a Monticiano. A Laep também transferiu para a Monticiano o licenciamento da marca Parmalat até 2017. Ativos que pertenciam à Parmalat antes da recuperação judicial não entraram no negócio. São duas unidades, uma em Ouro Preto d'Oeste/RO e outra em Santa Helena de Goiás/GO, ambas arrendadas para a Italac.

Elias afirma estar pronto para novos investimentos após a "penúria" de 2009, quando a Laep ficou sem capital de giro por conta da crise e da necessidade de pagar dívidas com fornecedores. Para fazer novas aquisições, o plano é utilizar recursos obtidos em operações de capitalização, segundo ele. Ontem (15), por exemplo, a empresa concluiu uma operação, anunciada em janeiro, com o GEM Group (Global Emerging Markets). O fundo fez um aumento de capital na companhia de R$ 190 milhões.

Como acionista da Monticiano, Elias avalia que a empresa tem hoje uma capacidade de produção e portfólio de marcas suficientes para avançar no mercado. Ele diz que o faturamento da Monticiano deve ficar na casa dos R$ 2 bilhões a 2,5 bilhões nos próximos dois anos, não muito diferente dos R$ 2,2 bilhões alcançados pela Laep em 2008, antes do agravamento da crise.

"A companhia tem de brigar para colocar produtos com margem [no mercado] e não brigar por faturamento", defende. Um segmento de maior valor agregado no qual a Monticiano investirá é o de iogurtes, e a expectativa é de lançar o produto com a marca Parmalat, segundo Elias.

A história da Laep

Elias reconhece que houve erros de avaliação e de estratégia que levaram a Laep a enfrentar problemas desde que abriu o capital em outubro de 2007. "Se pudesse voltar atrás, seria mais cauteloso com a possibilidade de o mundo mudar drasticamente de 2007 para 2008", afirma. O que Elias também não esperava era que outros players, como a gaúcha Bom Gosto, avançariam tão rapidamente no segmento de leite.

A Laep buscou crescer depois de abrir o capital na bolsa e obter R$ 540 milhões, bem abaixo dos R$ 1 bilhão esperados. Além de adquirir, em abril de 2008, os ativos da Poços de Caldas, a Laep comprou três laticínios - Sonata, Ibituruna e Montelac - , quatro fazendas de pecuária leiteira e uma empresa especializada em fertilização in vitro e em transferência de embriões.

Já sentindo os efeitos da crise, teve de vender a Poços de Caldas para a própria Monticiano, cinco meses depois de adquiri-la. Também acabou se desfazendo da fábrica de Carazinho/RS, vendida à Nestlé para que pudesse quitar dívidas com fornecedores e driblar a falta de crédito no mercado.

Acostumado a comprar e a vender empresas, Marcus Elias não descarta alienar a participação na própria Monticiano algum dia. Questionado sobre o tema, diz: "No dia e no momento em que tiver oportunidade favorável de alienação de qualquer ativo, vou vender", afirma, sem citar o nome da Monticiano.

A matéria é de Alda do Amaral Rocha, publicada no jornal Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe MilkPoint.


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Marcos Teixeira da Silva
MARCOS TEIXEIRA DA SILVA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 21/07/2010

TANTO O GRUPO GP QUANTO A LAEP JÁ ENTERRARAM DINHEIRO NESSAS OPERAÇÕES. O SETOR POSSUI MARGENS MUITO PEQUENAS, SOMENTE NESTLÉ E DANONE CONSEGUEM GANHAR DINHEIRO. EM SINTESE, VAMOS ESPERAR QUAL A PRÓXIMA ...
Paulo Jair Barth
PAULO JAIR BARTH

TRÊS DE MAIO - RIO GRANDE DO SUL

EM 21/07/2010

Gostaria de saber o porque ele não pensa em pagar as dívidas que a empresa Parmalat tem com os produtores e transportadores. Estamos com dinheiro emprestado de bancos ,pagando juros e parcelados em 48 vezes. Até agora ninguem se interessou em procurar para renegociar ou elo menos conversar. Nós não achamos mais ninguempara tentar cobrar.
Espero que as próximas notícias referentes a esse tipo de empresário sejam de que ele está pagando os atrasados e que não deixe mais outros produtores e transportadores (honestos e trabalhadores) nessa situação.
Rogério de Abreu Torres
ROGÉRIO DE ABREU TORRES

BARRA MANSA - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 17/07/2010

Srt. Alda do Amaral gostaria que a senhora fosse a Goiás´para ver o outro lado da moeda.
Rogério de Abreu Torres
ROGÉRIO DE ABREU TORRES

BARRA MANSA - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 16/07/2010

Este camarada deixou muita gente na saudade em Santa Helena de Goiás, passou a responsabilidade para outra empresa que adquiriu a fábrica, pagando os produtores parceladamente, o que é um absurdo, o cara já produz sem saber o que vai receber no final do mês e ainda toma uma pancada desta com a entressafra pela frente. A Parmalat no Brasil não é brincadeira os donos anteriores foram punidos e presos na Itália, os produtores de Santa Helena ficaram sem receber com a dívida só aumentando, e depois vem outro e compra esta massa falida e continua o mesmo sistema e sempre o produtor pagando a conta e as entidades deste país assistindo a tudo isto de braços cruzados. Até quando isto vai continuar. Os produtores são esquecidos e financiam isto tudo,ele não tem espaço na mídia enquanto os abutres estão sempre no foco. Fala sériio e só especulação com o suor dos outros.
João Marcos Guimarães
JOÃO MARCOS GUIMARÃES

CARRANCAS - MINAS GERAIS

EM 16/07/2010

Esse Marcus Elias é corajoso. Depois do que aconteceu com a Parmalat, ele ainda quer investir mais e em áreas diversificadas. Tem vocação para o perigo.
Qual a sua dúvida hoje?