Adoniran Peraci: a importância da produção de leite para a agricultura familiar

Adoniran Peraci deu esta entrevista exclusiva ao MilkPoint, em que fala sobre a atuação de sua Secretaria em relação à produção de leite, bem como sobre a importância da cadeia do leite para a sustentabilidade da agricultura familiar no Brasil.

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Figura 1

Adoniran Sanches Peraci é Engenheiro Agrônomo, com Mestrado no Colégio Port Graduados (México) no tema: Políticas de Desenvolvimento na Pobreza Rural. Tem especialização na Kennedy School (Harvard) sobre estratégias de Desenvolvimento Rural em 2001. Foi Coordenador do Departamento de Crédito e Microcrédito Rural do Departamento de Estudos Sócio Econômicos Rurais - DESER/PR. Na Secretaria da Agricultura Familiar - SAF/MDA - foi diretor do Departamento de Financiamento e Proteção da Produção e, atualmente, é Secretário de Agricultura Familiar. Adoniran Peraci deu esta entrevista exclusiva ao MilkPoint, em que fala sobre a atuação de sua Secretaria em relação à produção de leite, bem como sobre a importância da cadeia do leite para a sustentabilidade da agricultura familiar no Brasil.

MilkPoint: Quais são as ações que o MDA está coordenando em prol da cadeia do leite?

Adoniran Sanches Peraci: O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) é responsável pelo fortalecimento da agricultura familiar, pela viabilização dos assentados da reforma agrária. Quase 80% dos produtores e mais da metade da produção de leite no Brasil é respondida por agricultores familiares e assentados. Boa parte dessa produção ocorre a partir de cooperativas, também majoritariamente composta por pequenos produtores. Por isso, o MDA está tomando a iniciativa de organizar uma política setorial para o leite com base no fortalecimento da agricultura familiar e do cooperativismo. Desde 2003, o MDA vem desenvolvendo políticas e ações nesse sentido, podendo-se destacar as seguintes:

Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar - PGPAF;

ο O PGPAF, garante o custo de produção do agricultor(a) não necessitando se desfazer do patrimônio para pagar o financiamento quando os preços de mercado estiverem abaixo do custo de produção, dentro de um limite de R$ 3.500,00 por ano por agricultor(a).

ο A variação do preço do leite está vinculada à variação do preço do milho, sendo que está para ser aprovado no comitê gestor a desvinculação do PGPAF leite ao preço do milho.

Crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF;

ο Historicamente, o crédito disponibilizado para a agricultura familiar vem crescendo a uma taxa de 40% ao ano quando comparado o ano agrícola de 2002/2003 e a safra atual 2006/2007. O montante de crédito disponibilizado para os agricultores familiares em 2002/2003 foi de R$ 2,38 bilhões (dois bilhões, trezentos e oitenta milhões de reais) e na safra atual a previsão é disponibilizar a cifra de R$ 10 bilhões (dez bilhões de reais). O leite é um dos produtos com a maior participação nas aplicações do Pronaf. Os juros variam de 1,15 a 7,25%.

ο O Pronaf Agroindústria é um crédito disponibilizado às cooperativas da agricultura familiar. Para que uma cooperativa tenha acesso a esse crédito, 90% de seus cooperados têm que se enquadrar no Pronaf e representar pelo menos 70% da produção. Pode ser utilizado para custeio, com taxa de juros de 4,5% ao ano e investimento com taxas de juros de 3% ao ano e tem um limite de até R$ 18 mil por agricultor.

Consolidação da TEC de 11 produtos lácteos na casa dos 30%;

ο O MDA tem trabalhado de forma decisiva na consolidação da Tarifa Externa Comum (TEC) para onze produtos lácteos de maior importância, considerados produtos especiais. Com o início das negociações do Mercosul em 1995, foram estabelecidas tarifas de 14 e 16% para os produtos importados de fora do bloco. De acordo com negociações da OMC, o Brasil poderia colocar 100 produtos com tarifas de importações diferenciadas por serem produtos mais sensíveis à importação. Onze produtos lácteos passaram a ter TEC de 27% para importações de fora do bloco. Com isso, as importações oriundas do Mercosul, que representavam 40% do total, em 1995, passaram para 85%, em 2006. Isso quer dizer que a TEC influenciou de forma decisiva para a diminuição das importações vindas de países que subsidiam a produção de leite.

Construção da Política Setorial para o Leite com foco na agricultura familiar.

ο A Política Setorial do Leite para a agricultura familiar possui ações que já foram executadas, que estão em andamento e que estão na pauta de discussões. Estas estão divididas em quatro processos e 21 estratégias, conforme gráficos abaixo;

Figura 2

MKP: Porque o leite é tão importante sob a ótica do MDA?

AP: O leite pode ser considerado um dos produtos mais importantes para a agricultura familiar brasileira. Além de estar presente em mais de 1,8 milhão de propriedades rurais, representar 52% do valor da produção de leite brasileiro, a atividade leiteira gera rendas mensais para nossos agricultores facilitando a gestão do capital da propriedade. O leite também é a opção inicial de produção na maioria dos assentados de reforma agrária.

Além disso, o MDA percebe que o setor leiteiro sempre foi penalizado pela ausência de políticas públicas voltadas para o setor. O trabalho desse ministério na construção da política setorial do leite para a agricultura familiar tem o intuito de iniciar um processo de apoio governamental para o setor.


"O trabalho desse ministério na construção da política setorial do leite para a agricultura familiar tem o intuito de iniciar um processo de apoio governamental para o setor."


MKP: Em muitos países, a produção de leite se concentrou em grandes produtores. Muitos consideram que esse é um processo natural, que ocorrerá ou que já está ocorrendo no Brasil. Outros países, no entanto, apresentam comportamento diferente, com número muito grande de produtores de leite produzindo pequena quantidade. O que o Sr. vislumbra de futuro para o setor, nesse aspecto?

AP: A partir de 1996, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF, o governo federal iniciou algo concreto de apoio aos nossos pequenos agricultores.

No caso do leite, percebe-se que os grandes produtores trabalham com uma dinâmica diferente dos pequenos. Apesar dos grandes produtores de leite receberem preços mais elevados pelo litro produzido, seus custos são maiores. Grandes produtores possuem sistemas menos flexíveis a flutuações de preços no mercado. Óbvio que isso não justifica essa diferença de preços praticada pelas indústrias ou cooperativas. A participação dos pequenos agricultores na dinâmica da produção de leite é fundamental para o setor. De acordo com o estudo da FAO/INCRA, com base nos dados do IBGE (1996), a agricultura familiar é responsável por 52% do valor gerado na produção de leite brasileira. Após o Censo Agropecuário, que está ocorrendo, teremos um novo diagnóstico do setor.

Por conta de seus sistemas produtivos mais flexíveis e de menor custo, aliado a um maior acesso aos investimentos, os agricultores familiares passaram a dinamizar a produção, contribuindo decisivamente para o redesenho do mapa da produção leiteira no país. As áreas hoje que mais crescem em termos de produção são as que concentram os maiores números de agricultores familiares e assentados da reforma agrária. O Brasil está provando que pode crescer, modernizar e ganhar espaço no mercado internacional com a agricultura familiar sustentando o crescimento da produção.


"As áreas hoje que mais crescem em termos de produção são as que concentram os maiores números de agricultores familiares e assentados da reforma agrária".


MKP: Como o Sr. acredita que o produtor familiar poderá ter sustentabilidade na atividade, especialmente ao se considerar a necessidade de escala crescente e exigências legais e de mercado cada vez maiores?

AP: Quando se discute a produção de leite da agricultura familiar, percebe-se que mesmo que o pequeno agricultor receba um valor menor por litro de leite, seu custo é menor, pois além de utilizar mão-de-obra familiar, seu sistema é mais flexível às variações de mercado. Isso o permite aumentar ou diminuir a utilização de insumos, conforme o preço pago pelo leite e o preço dos insumos. Somado a isso, o ambiente institucional e o organizacional em prol do agricultor familiar promovem sua sustentabilidade na atividade, bem como sua permanência no campo. Isso não significa que esse tipo de agricultor não deve buscar aperfeiçoar ainda mais seus sistemas de produção. Potencializar o uso do pasto, diversificar as opções de alimentação, combinando inclusive com outras produções na propriedade, além de investir no resfriamento e sanidade são desafios para esses produtores. Não existe caminho único para o crescimento e sustentabilidade da produção. Os países ricos fizeram suas opções em função do contexto em que sua atividade era desenvolvida, onde fatores como custo da mão-de-obra e esvaziamento do campo não deixaram muitas alternativas que não a concentração. Contudo, com exceção da Austrália, Nova Zelândia e Argentina, os demais principais produtores sustentam suas produções com pesados subsídios diretos e indiretos, além das cotas e tarifas de importação.

MKP: O que o governo pode fazer, mas ainda não faz, para viabilizar o desenvolvimento da pecuária de leite familiar?

AP: As ações governamentais não ocorrem de uma maneira isolada. Mesmo para as ações demandadas pela agricultura familiar na política setorial do leite do MDA, existe a necessidade de parcerias com outros órgãos e instituições. Essas ações estão sendo discutidas na política setorial do leite para a agricultura familiar. Temos que avançar mais em políticas para o fortalecimento da organização produtiva desses agricultores, assim como promover acesso às modernas técnicas de gestão e as tecnologias de produção e processamento. A questão sanitária também é importante, desde a propriedade até a fiscalização da qualidade do leite junto às indústrias. A formalização da atividade e a promoção do acesso aos mercados externos também são desafios que o governo federal precisa contribuir para superarmos.

MKP: Por que, para a sociedade, é de fundamental importância viabilizar o agricultor/produtor familiar, ainda que dispendendo esforços e recursos públicos para isso? Pergunto porque há quem defenda a seleção e concentração como mecanismo natural, que levará a maior eficiência, beneficiando o consumidor.

AP: Apoiar o agricultor familiar não significa aumentar custos e ineficiências. Temos que contabilizar também os custos mais agregados em nossas contas para medirmos se são eficientes ou não determinados sistemas de produção. Diria hoje que o pequeno agricultor diversificado, que combina duas ou três culturas de renda com outras para consumo próprio e do estabelecimento, consegue produzir com grande eficiência a custos baixos. O segredo está na organização para superar os desafios da logística e da escala.

Para o futuro sua competitividade tende a aumentar ainda mais, uma vez que a responsabilidade com o meio ambiente e a utilização mais racional dos recursos naturais é mais fácil de ser obtida justamente com esse tipo de produtor, uma exigência que tende a ser cada vez mais rigorosa nos próximos anos.


"Apoiar o agricultor familiar não significa aumentar custos e ineficiências".


MKP: Novas vertentes, como o Comércio Justo e o Buy Local (compre produtos do lugar), tem se desenvolvido principalmente na Europa. O Sr. tem informações sobre esse nicho de mercado aqui no Brasil? Até que ponto é uma oportunidade significativa para os produtores familiares? O Comércio Justo pode mudar a forma de atuação de grandes multinacionais?

AP: A orientação do mercado hoje é feita pelo consumidor. Se o mercado de produtos lácteos se orientar para esse tipo de negociação ou mesmo uma fatia de mercado com consumidores específicos, o setor leiteiro oriundo da agricultura familiar estaria preparado para atender essa demanda. Hoje em dia, existem diversas cooperativas de agricultura familiar que teriam capacidade de atender esse mercado. Os consumidores têm se mostrado cada vez mais conscientes e, na medida em que a renda da população vai aumentando, a possibilidade de remunerar melhor quem pratica responsabilidade social e ambiental também cresce, abrindo espaço para esse tipo de mercado no país. No futuro não muito distante, as empresas que não incorporarem essas questões poderão perder fatias importantes do mercado, o que poderá levar as grandes empresas a buscar estabelecer melhores relações com esses temas em seus sistemas de produção e suprimento.

MKP: Várias das propostas do MDA junto ao leite esbarram ou dependem de atribuições de outros ministérios, como o MAPA. Como lidar efetivamente com essa questão?

AP: As propostas do MDA se integram com as necessidades do setor como um todo. Diante disso, as parcerias nas ações não são exclusivas a outros ministérios, mas também com instituições de interesse para o setor, como entidades de representação da agricultura familiar, produtores, cooperativas, bem como instituições de pesquisa como a Embrapa Gado de Leite, extensão rural como: as Emater estaduais, as universidades, etc. O MDA trabalhará junto com os demais órgãos do governo em torno de uma pauta acordada junto ao Presidente da República e a Casa Civil que é, em última instância, quem orienta a ação do governo.
 
MKP: Como o MDA vê a questão da educação e da formação do agricultor familiar? Como capacitá-lo para as demandas atuais e futuras do mercado?

AP: A capacitação dos agricultores bem como dos técnicos, compõe o plano de Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER do ministério. O MDA está discutindo com a Embrapa Gado de Leite, dentre outras coisas, uma proposta de capacitação de 6.000 técnicos e multiplicadores no Brasil para reciclar os conhecimentos em relação à pecuária leiteira. Essa é uma ação prioritária, pois entendemos que o cenário da cadeia produtiva é positivo, mas teremos que trabalhar muito para melhorar nossa condição efetiva de preços e mercados e nesse sentido, o acesso à tecnologia é fundamental.

MKP: Como o MDA vê a importância e o momento atual das cooperativas de laticínios?
 
AP: As cooperativas de laticínios possuem muita importância na atividade leiteira. O MDA reconhece essa importância e trabalha em prol da criação e do desenvolvimento dessas cooperativas no setor. Isso porque é através do cooperativismo que o agricultor poderá ganhar eficiência na produção e maior rentabilidade das suas atividades. No próximo Plano Safra 2007/08 que estamos lançando, um conjunto de medidas relativas ao fortalecimento do cooperativismo terão destaque nas linhas de financiamento para as cooperativas que trabalham com a agricultura familiar.


"No próximo Plano Safra 2007/08 que estamos lançando, um conjunto de medidas relativas ao fortalecimento do cooperativismo terão destaque nas linhas de financiamento para as cooperativas que trabalham com a agricultura familiar."
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luciano di carlo botelho dias
LUCIANO DI CARLO BOTELHO DIAS

OURO PRETO DO OESTE - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/06/2010

muito bom suas iniciativas,a preocupãção com a agricultura familiar tendo em vista seu curriculo proficional e bem concistente, parabens. mas a realidade e outra, sabemos que o credito aos pequenos e grandes produtores existem,so que não chegam facil as mãos dos mesmos,a burocracia e grande e a dessorganização tmb,muitas das vezes os produtores procuram recursos juntamente ao banco do brasil com apoio da EMATER, ficam na fila para serem aprovados e o tempo vai passando e os negocios vão por agua abaixo,na agricultura tense o tempo certo para produzir, a natureza não espera.
mas os esforços que o ministerio da agricultura juntamente com suas secretarias estão valendo e muito, aumentou o montante e os juros baixaram,so a forma de liberar esse dinheiro que ainda esta precario.........abraços
DARLANI  PORCARO
DARLANI PORCARO

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/07/2009

Para melhor eficiencia no setor leiteiro, como melhoramento de pastagens, manutenção de cercas, pastejo rotacionado, inseminação artificial, para o melhoramento genetico, tanque de expansão para guardar o leite, tratar os animais com uma ração boa, despesa de energia eletrica, um bom sal mineral, e outras despesas que entram nesse rol para gerir um sítio ou fazenda de produçao de leite ; gostaria que antes de conceder este credito aos produtores , o governo fizessem um estudo do preço de custo desse alimento tão importante na mesa de todo ser humano.
Pois face a esse custo, o produtor não tem como pagar ao banco. Tendo na maioria das vezes vender suas bezerras ou vacas que era importante pra ele continuar na atividade.
Ronald Hott de Paula
RONALD HOTT DE PAULA

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 26/09/2007

Não temos dúvida da importância do crédito para a agricultura familiar e do planejamento das atividades para que o produtor possa conseguir sucesso na atividade. Mas fica a tristeza quando estas duas necessidades esbarram na dificuldade enfrentada por este produtores na obtenção do recurso.

Em nossa região, leste de Minas, ainda não há recursos do Pronaf e já estamos no fim de setembro. Outra dificuldade é que no Plano Safra 2007/2008 não permite enquadramento dos AF pecuaristas com área entre 4 e 6 módulos fiscais no Programa, uma conquista dos anos anteriores. A Agricultura Familiar precisa de crédito a tempo.

<b>Resposta do entrevistado:</b>

Prezado Ronald de Paula,

Sem dúvida a disponibilidade de crédito acessível é fundamental para a execução de um planejamento de atividades cujo intuito é aumentar a competitividade dos produtores frente ao padrão de concorrência que o mercado exige. Infelizmente nessa safra o Pronaf investimento ainda não está disponível, mas segundo o Ministério da Fazenda, até a primeira quinzena de outubro deve estar regularizado. Cabe ressaltar que o Pronaf custeio já está em operação.

Em relação aos 6 módulos fiscais que os pecuaristas familiares podiam ter para acessar o Pronaf até a safra passada e agora não podem mais, está relacionado a Lei 11.326 de 24 de julho de 2006, estabelecendo diretrizes para a formulação da política nacional da agricultura familiar e empreendimentos familiares rurais. São quatro requisitos que caracterizam o agricultor familiar dos quais:

- "não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais;

- utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento;

- tenha renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas vinculadas ao próprio estabelecimento ou empreendimento;

- dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família."

Atenciosamente.
Nildo Jose Formigheri
NILDO JOSE FORMIGHERI

PASSO FUNDO - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 17/09/2007

Pequenas propriedades familiares com até 15 ha no Rio Grande do Sul produzem diariamente até mil litros de leite. Não é apenas o tamanho das propriedades o fator determinante na escala de produção, a gestão dos recursos da atividade é fundamental.

No RS, a atividade leite, além de apresentar maior rentabilidade bruta que produção de grão, permite a inclusão de novos produtores e distribui a renda. A importância da organização da agricultura familiar em cooperativa para produção, comercialização e industrialização tem apresentado resultados animadores.

<b>Resposta de Gustavo Valone:</b>

Prezado Nildo Formigheri,

Sem dúvida a produção de leite pela agricultura familiar na região Sul do Brasil tem uma realidade completamente diferente, tanto no quesito intrínseco a produção, quanto no quesito organização de produtores. Parabéns pela avaliação.

Atenciosamente,

Gustavo de Vincenzo Valone
MDA

<b>Resposta de Nildo:</b>

Gustavo,

O que tem dado sutentação ao estadodo RS, nesta crise do chamada agronegócio, ainda é o leite e a agricultura familiar, os demais so pensam em renegóciar dividas. Agradeço pela sua emensagem.

Nildo
Luiz Fernando de Mattos Pimenta
LUIZ FERNANDO DE MATTOS PIMENTA

GOIÂNIA - GOIÁS - PESQUISA/ENSINO

EM 10/09/2007

Muito boa a entrevista: das importantes perguntas às resposta do competente Adoniran. Para mim só faltou uma discussão de estratégias para a AF pensando no cenário futuro (e as lições do passado). Há tendência sim do Brasil se tornar um exportador importante de leite a base de quantidade, qualidade e preço competitivo.

A redução de custos é seguida de quedas de preços, padrão de comportamento das comodities. Isto é mortal para a renda da agricultura familiar. Nossa AF precisa de uma forte inflexão para as atividades de produtos especiais (há várias experiências, principalmente no sul e sudeste) para gerar renda e qualidade de vida. Lógico que no curto prazo precisamos aumentar a produtividade e conviver com a produção de comodities, como aponta o entrevistado.

<b>Resposta de Gustavo Valone, do MDA:</b>

Prezado Luiz Fernando Pimenta,

Obrigado pela avaliação da entrevista.

Em relação à avaliação de cenário futuro, o MilkPoint está fazendo um estudo de cenários para 2020 no setor leiteiro. A parceria é entre o MilkPoint, o Sebrae, a OCB/CBCL e o MDA. Os resultados desse estudo devem estar disponíveis no final de outubro de 2007 e um dos focos dessa pesquisa é a agricultura familiar brasileira.

Nesse estudo participam muitos especialistas, sendo representantes de diversos elos envolvidos na cadeia de produção de leite: produção, indústria, consultoria, varejo, políticas públicas, institutos de pesquisa, universidades e tradings.

Atenciosamente,

Gustavo de Vincenzo Valone
Luiz Fernando Bonin Freitas
LUIZ FERNANDO BONIN FREITAS

NOVA FRIBURGO - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 06/09/2007

Parabéns pela entrevista, esperamos que seu trabalho renda excelentes frutos, pois leite é questão de segurança nacional.
VAGNER PIVOTTO
VAGNER PIVOTTO

SÃO JOÃO DA URTIGA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/07/2007

Parabéns pela entrevista. A atividade de produção de leite é uma das únicas alternativas que estão sobrando para os pequenos produtores aqui da região norte do RS.

Vocês estão se preocupando conosco, pequenos produtores de leite, pois atividade do leite nos gera uma ocupação de trabalho e o nosso sustento na agricultura.
Leovegildo Lopes de Matos
LEOVEGILDO LOPES DE MATOS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 20/07/2007

É gratificante tomar conhecimento que existem técnicos como o Dr. Peraci que consegue ver a realidade com essa clareza demonstrada em sua entrevista. Parabéns por mostrar seus pontos de vista dessa forma.

Tenho trabalhado com produtores familiares de leite no Oeste e Sudoeste do Paraná e Oeste de Santa Catarina e doravante terei muito mais tranquilidade em afirmar para eles que nosso governo tem uma política traçada para a atividade que poderá proporcionar um padrão de vida decente para suas famílias. Que Deus continue lhe iluminando, Dr. Peraci.
Nestor Luiz Breda
NESTOR LUIZ BREDA

SÃO MIGUEL DO OESTE - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 08/07/2007

Parabéns pela entrevista e seu conteúdo.

Reflete a realidade do Oeste de Santa Catarina. Na região já existem várias iniciativas de organização de cooperativas e associações, partindo dos agricultores familiares com apoio do Estado, que se utilizam da estratégia participativas na busca da competitividade. A prática tem demonstrado que mesmo pequenos produtores podem ser altamente eficientes.

O associativismo tem permitido o aumento de escala sustentável, a troca de experiências na busca da melhora da produção e da produtividade, além de melhorar a logística de coleta de leite. Acredito que seja umas das estratégias que pode evitar a concetração da atividade, como aconteceu com a produção de suínos.

Para aperfeiçoar o sistema, é necessário implementar pesquisas no sentido de melhorar as organizações dos agricultores familiares e otimizar a eficiência que já possuem. Capacitar as famílias para fortalecer as suas organizações coletivas e seus sistemas produtivos individuais da agricultura familiar.
Nelsomar Pereira Fonseca
NELSOMAR PEREIRA FONSECA

MUTUM - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 06/07/2007

Gostei muito da entrevista, foi muito oportuna, perguntas e respostas diretas, bem dentro do que precisamos saber e divulgar.

Eu trabalho na extensão, e pela primeira vez vejo a valorização do pequeno produtor, que depois de varias denominações hoje chega a produtor familiar.

Na minha visão o caminho está certo, com crédito disponível, juros baixos, assistência técnica no projeto vai ser valorizada, mas precisamos mostrar ainda que falta alguma coisa para completar, no final da linha.
Está faltando técnicos para a extensão e assistência técnica, falta recursos financeiros para as empresas, falta recursos humanos comprometido para a liberação do crédito junto aos agentes financeiros (Banco do Brasil), que se encontra atualmente também com pouco pessoal nas agências.

Precisaríamos de um funcionário disponível prioritariamente ao atendimento dos produtores familiares.

Hoje, por exemplo, no meu muinicípio, tem somente sete funcionários para atendimento a todo público da agência, nos mais diversos produtos, sendo que um irá se aposentar agora, ficando a desejar a aplicação do crédito, apesar de grande esforços realizados pelos funcionários.

O Governo tem que rever o quadro de funcionários tanto da empresas de assistência técnica e extenção rural, como também o quadro de funcionários das agências e o perfil destes.
José Geraldo Alves
JOSÉ GERALDO ALVES

CURITIBA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 25/06/2007

Gostei mulito do artigo. O MDA está no caminho certo. Apoiar o fortalecimento do associativismo junto ao setor leiteiro é uma política das mais acertadas. Melhorar e ampliar a renda dos produtores familiares sem associativismo é utopia.

Assim, preparar dirigentes e aprimorar a gestão das cooperativas deve ser uma meta constante das instituições que trabalham junto a agricultura familiar.
Francisco Hercilio da Costa Matos
FRANCISCO HERCILIO DA COSTA MATOS

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/06/2007

Além de muito lúcida, a entrevista levanta uma questão muito interessante quanto à busca frenética pela "escala de produção", que é a do passivo ambiental deixado para "socialização" dentre todos (e isso, é certo, não se aplica só ao leite). Parabéns a ambos, entrevistador e entrevistado.
José Oton Prata de Castro
JOSÉ OTON PRATA DE CASTRO

DIVINO DAS LARANJEIRAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 23/06/2007

Parabéns pela formidável entrevista. O que me entristece é o profundo abismo que separa a retórica da realidade. Conheço muito bem e vivo o problema há muito tempo. Não sou assentado e sei do abandono em que muitos vivem, sem assistência tácnica e creditícia.

Muitos adquiriram o status de fazendeiro, e arrenda suas terras. Os que querem e insistem em produzir, quando aumentam a produção não têm como escoá-la e os preços são aviltados o que os levam ao um profundo desencantamento.
Marcelo Godinho Miazato
MARCELO GODINHO MIAZATO

ITAJUÍPE - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/06/2007

Parabéns pela abordagem valiosa a respeito do setor que mais gera empregos no Brasil. Nosso mercado interno tem demanda reprimida por má distribuição de renda e o mercado mundial está aberto para a produção sócio-economico-ambiental sustentável.
Adriani Santinni
ADRIANI SANTINNI

RECIFE - PERNAMBUCO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 22/06/2007

Excelente. Só vocês têm condições de nos ajudar neste trabalho constante.
Marcos Diaz
MARCOS DIAZ

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/06/2007

Ótimo, parabéns, assunto de grande importância para quem tem preocupação com Segurança Alimentar.

Finalmente estamos caminhando para a desconcentração da renda e ativando o desenvolvimento local, passo fundamental para um Brasil para todos.
Roberto Carlos Prazeres de Andrade Silva
ROBERTO CARLOS PRAZERES DE ANDRADE SILVA

COLOMBO - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 20/06/2007

Muito boa a entrevista, parabéns!
Qual a sua dúvida hoje?