ABIQ e CNA defendem cota de importação para queijos argentinos

Depois de resolvida a questão a respeito da cota de importação de leite em pó proveniente da Argentina, lideranças da indústria e da produção se voltam agora para a importação de queijos, que tem tido importância crescente na pauta de importações.

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Depois de resolvida a questão a respeito da cota de importação de leite em pó proveniente da Argentina, (para ler mais clique aqui) lideranças da indústria e da produção se voltam agora para a importação de queijos, que tem tido importância crescente na pauta de importações: só no mês de outubro, a Argentina exportou para o Brasil 4.798 toneladas deste produto. Na média de 2011, o país vizinho exportou para cá uma média superior a 1.600 ton/mês, quando em 2006/2007 eram apenas 150 ton/mês.

"Quando houve o primeiro acordo sobre as importações de leite em pó da Argentina, foi ressaltada a preocupação no setor de queijos", relata Luiz Fernando Esteves Martins, da Barbosa e Marques S/A e presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Queijos (ABIQ). Segundo Martins, a barreira colocada para o leite em pó não resolve totalmente a o problema da entrada de leite argentino no Brasil, que continua entrando na forma de queijo, uma vez que para esse produto não há obstáculos.

Rodrigo Alvim, presidente da Comissão de Pecuária de Leite da CNA, concorda que esse assunto precisa ser tratado agora. Para ele, a cota seria uma forma de controlar esses surtos de importação, principalmente para não correr o risco de acontecer em plena safra brasileira. "É importante termos maior previsibilidade do mercado", afirma.

A ABIQ e CNA concordam que é necessária uma regulamentação tanto para queijos quanto para soro. Segundo Alvim, foi acordado na câmara setorial de lácteos limites de 600 toneladas mensais para queijos e 400 toneladas para soro. "Além de ser um subproduto industrial, o soro tem aplicações interessantes em diversos produtos. Com a importação, o soro brasileiro fica sem colocação" disse Alvim.

O próximo passo agora é trazer a indústria argentina para a mesa de negociação. Algumas tentativas foram feitas dentro das reuniões de renegociação do acordo de leite em pó, mas sem sucesso. "Seria interessante transformar o Mercosul em um plataforma de exportação. Para isso, há a necessidade de regulamentações entre os países participantes", explica Alvim.

Nos volumes atuais, as importações de queijo argentino representam uma matéria tão sensível quanto no caso do leite em pó. Segundo Cícero de Alencar Hegg, da Tirolez e diretor de relações institucionais da ABIQ, a produção de queijo no Brasil hoje consome um terço da produção de leite e o impacto poderá ser sentido em todos os elos da cadeia, deprimindo preços.

Martins, da ABIQ, exemplifica: "uma única rede varejista colocou muçarela argentina em todas as capitais do nordeste a R$ 10,90/kg ao consumidor, quando o produto fabricado com leite brasileiro apresentou valores de R$ 13,90/kg". Essa situação ainda é agravada pelo fator cambial, que favorece o produto importado.

Na região sul a situação é mais crítica. "A proximidade territorial faz com que muito desse produto entre e se concentre no Rio Grande do Sul", ressalta Marcel Scalon Cerchi, dos Laticínios Scala e diretor técnico da ABIQ.

Em algumas épocas, os preços pouco competitivos no mercado de queijo forçam as indústrias a canalizarem o leite adquirido para outros produtos, como o leite longa vida, que eventualmente apresentam preços mais atrativos. Quando esta estratégia coincide com a safra nas regiões sudeste e centro-oeste, o resultado é a queda nos preços do leite, repercutindo nos preços ao produtor uma vez que a correlação de preços entre o leite longa vida e o preço ao produtor é alta.

Para que haja sucesso nessa negociação, é fundamental a organização do setor e o apoio político. Alvim lembra que a Sub-comissão de leite da Câmara dos Deputados teve papel fundamental para que o acordo em relação ao leite em pó tenha sido bem sucedido. "A sub-comissão foi muito sensível à matéria e nos auxiliou muito", reconhece, esperando que para a negociação dos queijos a postura seja repetida.

Porém, qualquer acordo só terá efeito depois do período das chuvas: a primeira reunião da Comissão de Monitoramento do acordo entre Brasil e Argentina, onde novamente será colocado o tema em pauta, ocorrerá somente em fevereiro.

A matéria é da Equipe MilkPoint.
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Material escrito por:

Marcelo Pereira de Carvalho

Marcelo Pereira de Carvalho

Fundador e CEO da MilkPoint Ventures.

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Maria Beatriz Tassinari Ortolani

Maria Beatriz Tassinari Ortolani

Médica Veterinária (UEL), Mestre em Medicina Veterinária (UFV), e coordenadora de conteúdo e analista de mercado do MilkPoint.

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Eliseu Nardino
ELISEU NARDINO

MARIPÁ - PARANÁ

EM 02/12/2011

JA DEMOROU MUITO PARA ACONTECER ESSA BARREIRA,
Qual a sua dúvida hoje?