A primeira tarde do Dairy Vision 2025 foi marcada por um convite à reflexão e à ação: como comunicar melhor os benefícios dos lácteos, dialogar com novas gerações e responder às mudanças aceleradas do consumidor global, tudo isso enquanto o setor enfrenta desafios de sustentabilidade, inovação e competitividade.
Falando com o consumidor da Geração Z ao público sênior
O Painel 2, que reuniu especialistas em marketing, comportamento do consumidor e inovação, mostrou que o futuro do setor lácteo passa, necessariamente, pela segmentação inteligente e pela comunicação autêntica.
Para Hayla Fernandes, do perfil Vaca Feliz, o desafio é reconquistar a Geração Z, um público que já representa 25% da população e busca transparência, leveza e propósito nas marcas. “Há um mar de oportunidades para nos conectarmos com as gerações mais jovens. Nossa mensagem precisa ser simples, direta e real. O humor e o cotidiano da vida no campo podem ser grandes aliados para mostrar que o leite é um produto que pode ser consumido sem peso na consciência”, destacou.
O olhar para o outro extremo etário veio com Monica Pucci Simão, da Syncronia Consultoria, que trouxe à tona as oportunidades do mercado sênior, cada vez mais diversificado e exigente. A necessidade do sênior de 70 anos não é a mesma de 90. Precisamos entender essa pluralidade e comunicar melhor os benefícios dos lácteos, que já são muitos, para cada público. Eduquem o consumidor, contem melhor a história do produto”.
Na sequência, Emerson Diniz, da Novonesis, mostrou como as biossoluções estão transformando o setor, unindo tecnologia, biologia e sustentabilidade. “Soluções que equilibram indústria, consumo e meio ambiente estão na biologia. Mas não há respostas únicas, é preciso compreender o mercado e o consumidor para comunicar e vender com precisão”, pontuou ele.
Encerrando o painel, Ricardo de Carli, da Bain & Company, trouxe um tema quente: os impactos da onda GLP-1 no consumo de alimentos. Segundo ele, mais do que uma redução no volume, há uma mudança no tipo de produto que o consumidor busca. “O desejo de ser mais saudável é crescente. Quem ganha esse jogo são os produtos naturais e proteicos — como os lácteos”, afirmou.
Sustentabilidade e inovação: o futuro que já começou
O Painel 3 trouxe o olhar do setor para o amanhã, no âmbito da sustentabilidade, tecnologia e comportamento do consumidor.
Martha Baker, da Alltech, destacou que o futuro da produção passa pelo uso inteligente dos recursos e pela integração dos mercados de carbono às cadeias de alimentos. “Sustentabilidade não é somente cuidar do meio ambiente! Sustentabilidade é ser socialmente correto, financeiramente viável, além de cuidar do meio ambiente!”, destacou.
Na sequência, Luis Arbona, da Sidel, mostrou como a inovação asséptica em PET vem transformando o laticínio moderno, garantindo qualidade e frescor. “A garrafa PET cumpre toda a iniciativa de economia circular — o que pode ser ótimo para o setor e para o planeta”, afirmou.
Encerrando o painel, Monica Cristina Jacon, da Kerry, trouxe uma visão estratégica do consumo futuro de lácteos. “Alimentar uma população global crescente, mantendo saúde e sustentabilidade, é um desafio e uma missão para o setor. O passado não é mais um preditor confiável do futuro, precisamos antecipar mudanças e construir esses futuros hoje”, defendeu.
Ela reforçou que a força dos lácteos está justamente na sua versatilidade. “Uma grande vantagem competitiva do setor é o amplo repertório de necessidades do consumidor que os lácteos conseguem atender”, resumiu.
Um setor que se reinventa
A primeira tarde do Dairy Vision 2025 deixou claro: a transformação do setor lácteo depende da capacidade de contar novas histórias, trazendo propósito, tecnologia e empatia. Seja ao falar com jovens que buscam autenticidade, com seniores que querem vitalidade, ou com consumidores que pedem sustentabilidade, o leite segue no centro de uma conversa essencial sobre o futuro da alimentação.
E amanhã, o evento continua a explorar caminhos de inovação, mercado e sustentabilidade com novas perspectivas sobre competitividade global e o papel dos lácteos na nutrição do futuro.