Uso de herbicidas em pastagens
Forragens: Apesar do Brasil apresentar o maior rebanho comercial do planeta e a maior parte do leite e carne produzidos basear-se na utilização de pastagens, os índices de produtividade ainda são considerados baixos na maioria das propriedades. Grande parte do conflito de competição das pastagens tropicais está ao redor das plantas daninhas, um grande mal gerador de infelicidade entre os produtores e quedas acentuadas da produtividade das pastagens. Por Marco Aurélio Factori, Paulo Roberto de Lima Meirelles e Marina Gabriela Berchiol da Silva
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Publicado em: - 6 minutos de leitura
Entretanto, grande parte do conflito de competição das pastagens tropicais está ao redor das plantas daninhas, um grande mal gerador de infelicidade entre os produtores e quedas acentuadas da produtividade das pastagens. As principais causas da degradação das pastagens envolvem desde a escolha da espécie ou cultivar de forrageira, para determinada região e sistema de produção, seguido do estabelecimento deficiente com preparo inadequado do solo, ausência de calagem e adubação, baixa qualidade da semente e baixa densidade de semeadura, até o mau manejo da espécie forrageira, principalmente o superpastejo. Como todo empreendimento, a implantação de pasto também deve ser planejada.
Considerando o uso de produtos químicos para controle de plantas indesejáveis, algumas dificuldades acabam despontando. O preço elevado dos herbicidas associado ao uso indevido dos mesmos, tem deixado a desejar. Isso ocasiona aumento de custos, em função das doses aplicadas por hectare, preocupação que vem se acentuando nas pastagens tropicais comumente utilizadas na produção de carne e leite. O uso intenso que se faz dos herbicidas em pastagens, as doses dos ingredientes ativos indicados e a provável existência de resistência das plantas infestantes às moléculas existentes no mercado, bem como a indiferença dos pecuaristas em receber consultoria técnica para planejar o manejo dos agrotóxicos em pastagens, justificam pesquisas nesta área.
A eficácia de um herbicida aplicado às folhas das plantas daninhas está estreitamente relacionada à magnitude do processo de absorção. Deuber (1982) cita estudos feitos com vários herbicidas, mostrando que a absorção é limitada pela quantidade do produto que atravessa a cutícula da folha sendo influenciada pelas condições ambientais onde a planta daninha está se desenvolvendo. Segundo Devine et al. (1983), a umidade do solo, a temperatura e a umidade relativa do ar interferem no comportamento dos herbicidas nas plantas.
De acordo com Marchi et al. (2008), os herbicidas são classificados em aqueles aplicados no solo (que se movem dentro da planta, das raízes para as folhas), aqueles aplicados às folhas, que chamamos de contato, que reagem rapidamente no ponto aplicado e os sistêmicos que movimentam-se das folhas para os pontos de crescimento.
Considerando a formação ou reforma de uma pastagem, geralmente ocorre a germinação da sementeira ou rebrote das plantas invasoras, como também da gramínea forrageira. Não se pode permitir que plantas daninhas atrasem a formação da pastagem impedindo que seja atingido sua plena capacidade de suporte.
Alguns autores recomendam que a aplicação de herbicidas pode ser feita entre 30 e 40 dias após a germinação ou ocorrência de rebrote das invasoras de folha larga (atingido por herbicidas específicos). Essa prática é econômica e viável, levando-se em conta as pequenas doses de produtos utilizados e a eficiência do controle nessa fase de desenvolvimento da maioria das invasoras. Nos casos de pastagens estabelecidas e com boa cobertura de solo, a aplicação pode ser feita em área total ou de forma dirigida em função do índice de infestação.
Ainda, segundo alguns autores, se as invasoras atingirem porte muito elevado ou plantas próximas à florada, recomenda-se o controle mecânico associado, efetuando uma roçada, cerca de 40 a 60 dias antes da aplicação do herbicida. Essa prática garante eficiência e economia com a redução na quantidade do herbicida utilizado em função do rebrote ter maior atividade de circulação de fotoassimilados ou ainda substratos, acelerando e aumentando a eficiência dos herbicidas.
Plantas invasoras competem com as gramíneas forrageiras por alguns fatores essenciais como água, luz, nutriente, e espaço, mais eficientes no uso desses fatores. Isso se deve à melhor adaptação daquelas espécies ao ambiente, já que são naturais da região onde se encontram, além de apresentarem um sistema radicular mais profundo e arquitetura mais eficiente das folhas.
A escolha dos herbicidas depende das espécies de plantas daninhas existentes na área, bem como de seus estádios de desenvolvimento e época de aplicação. O efeito de um herbicida ocorre em função da absorção, translocação, suscetibilidade e metabolismo da planta em relação ao mesmo, desta forma a dose requerida bem como a formulação química adequada varia de acordo com cada espécie, de seu estágio de desenvolvimento, e atividade. Para tanto, o planejamento do controle químico de uma pastagem incluindo o herbicida a ser utilizado, dose e forma de aplicação, depende de vários fatores quais sejam: condição de pastagem, identificação das plantas invasoras, tipo de folhagem, estágio de desenvolvimento e índice de infestação (NUNES,2001).
Dentre os herbicidas mais utilizados em pastagens cultivadas no Brasil está o 2,4-D (conhecido para folha larga) do grupo químico dos fenoxiacéticos que é absorvido pelas folhas, raiz, e caule. Esse tipo de herbicida combate plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas, em torno de 20 a 40 dias após emergência, quando elas estiverem em pleno crescimento vegetativo.
Existem ainda alguns herbicidas que são chamados de seletivos, ou ainda que algumas gramíneas forrageiras são tolerantes e podem ser aplicados na área em sua totalidade. São vários os produtos no mercado, no entanto merecem cautela e acompanhamento de um técnico para que seja estudado caso a caso. Para isso, o produtor deve estar atento ao momento certo da aplicação, daí a necessidade da presença do técnico resultando em maior eficácia da aplicação.
Ainda existem os que chamamos de mata mato (Glyphosate ®) ou dessecantes utilizados para dessecação das áreas de modo geral, matando a vegetação, tanto de folha estreita ou larga, termos comumente utilizados, sendo sua absorção como foliar. É utilizado para exterminar toda vegetação, ou ainda utilizado em reboleiras para combate a invasoras que invadem a pastagem da mesma forma. Assim, considera-se que o uso destes herbicidas funcionem de forma localizada, ou ainda nas entrelinhas, quando feito de forma oportuna.
De modo geral, existem no mercado, produtos eficazes e fabricantes idôneos para quase todo tipo de situação. No entanto, a dosagem, forma e momento de aplicação devem ser criteriosos. Somente assim, a eficiência do processo aparecerá. Para tanto, o correto manejo e a implantação bem feita da pastagem, economizam estas etapas do sistema.
Literatura consultada
DEUBER, R. Controle de plantas daninhas na cultura da soja. In: FUNDAÇÃO CARGIL. A soja no Brasil Central. 2. ed. Campinas: 1982. p. 367-392.
DEVINE, M. D. et al. Temperature effects on glyphosate absorption, translocation and distribution in quackgrass (Agropyron repens). Weed Science, Champaign, v. 31, p. 461-464, 1983.
MARCHI, G.; MARCHI,E.D.S.; GUIMARÃES, T. G. Herbicidas: mecanismos de ação e uso. Documento Técnico 227 - EMBRAPA Cerrado, Planaltina, DF. 2008.
NUNES, Saladino Gonçalves Controle de plantas invasoras em pastagens cultivadas nos Cerrados / Saladino Gonçalves Nunes. -- Campo Grande: Embrapa Gado de Corte, 2001.
SOUZA NETO, J.M.; PEDREIRA, C.G.S. Caracterização do grau de degradação de pastagens. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM, 21., 2004, Piracicaba. Anais... Piracicaba: FEALQ, 2004. p. 7-31.
DEUBER, R. Controle de plantas daninhas na cultura da soja. In: FUNDAÇÃO CARGIL. A soja no Brasil Central. 2. ed. Campinas: 1982. p. 367-392.
DEVINE, M. D. et al. Temperature effects on glyphosate absorption, translocation and distribution in quackgrass (Agropyron repens). Weed Science, Champaign, v. 31, p. 461-464, 1983.
MARCHI, G.; MARCHI,E.D.S.; GUIMARÃES, T. G. Herbicidas: mecanismos de ação e uso. Documento Técnico 227 - EMBRAPA Cerrado, Planaltina, DF. 2008.
NUNES, Saladino Gonçalves Controle de plantas invasoras em pastagens cultivadas nos Cerrados / Saladino Gonçalves Nunes. -- Campo Grande: Embrapa Gado de Corte, 2001.
SOUZA NETO, J.M.; PEDREIRA, C.G.S. Caracterização do grau de degradação de pastagens. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM, 21., 2004, Piracicaba. Anais... Piracicaba: FEALQ, 2004. p. 7-31.
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Material escrito por:
Marco Aurélio Factori
Consultor, Factori Treinamentos e Assessoria Zootécnica.
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EM 10/08/2019

ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 24/05/2019
EM 03/07/2018
EM 15/06/2018
Obrigado,
Marcos pacheco
PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 04/06/2018
Procure na sua região, um herbicida seletivo que não mate o capim. Se chegar na agropecuária e falar esta situação vão te atender com certeza. Mas, se o problema for em reboleira, ou localizado, aplique o dessecante mesmo, em um dia sem vento. Ao matar as plantas plante o capim novamente nesta área afetada. Faça isto se a área estiver muito carregada pela praga. Att. Marco Aurélio Factori
EM 30/05/2018
EM 28/05/2018
Qual herbicida para matar a guanxuma, assa peixe e erva canudo devo usar em pastos formados com braquearia brazantina sem prejudicar a pastaria.
Atenciosamente.
Celio A. Silva
EM 30/05/2018
EM 28/05/2018
Me ajudem nesta.
Qual herbicida para matar a guanxuma, assa peixe e erva canudo devo usar em pastos formados com braquearia brazantina sem prejudicar esta pastaria.
Atenciosamente.
Celio A. Silva
EM 20/05/2018
Qual herbicida para matar a guanxuma, assa peixe e erva canudo devo usar em pastos formados com braquearia brazantina sem prejudicar a pastaria.
Atenciosamente.
Celio A. Silva

ALAGOINHAS - BAHIA
EM 17/03/2018
PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 18/12/2017
Neste seu caso, se a infestação for localizada, faça o controle de forma localizada no capim que você não deseja, matando-o com um dessecante, em um dia sem vento de forma localizada o mais próximo do capim, para evitar contato com os demais capins. Neste caso, até existe alguma coisa para este controle mas o mais eficaz é o que te sugeri. Att. Marco Aurélio Factori

UBERABA - MINAS GERAIS - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)
EM 18/12/2017
Att.

UBERABA - MINAS GERAIS - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)
EM 18/12/2017

VERÊ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 28/10/2017
Me informaro sobre os herbecidas vulcane e ancosar 720 q fincionaria como um herbecida seletivo para a tifton 85 gostaria de saber sua opinião aobre esses 2 herbecidas
Onrogado!

SAPOPEMA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 27/10/2017

SAPOPEMA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 27/10/2017
Pastagens, via toco e via pulv. Foliar.
1 - via toco: roçar plantas rente ao solo e aplicar de imediato Padron a 200 ml para 10 litros de agua, a aplicação deve ser de imediato logo após o corte antes que a planta entre no processo de cicatrização, deve se molhar bem as bordas do caule atingindo a região da casca e borda do lenho, atingindo o floema da planta. A operação pode ser realizado o ano todo.
2 - via foliar: aplicar Truper 300 ml + Padron 300 ml + 100 ml de Oleo mineral, pulverização deve ser feita quando a planta estiver em pleno crescimento vegetativo com boa area foliar, ou seja, com bom volume de folhas, para plantas que foram roçadas a pouco tempo esperar que a planta chegue a mais ou menos 1 metro de altura, a pulverizaçao deve atinger todas as folhas da planta. Operação deve ser realizada no verão.

SAPOPEMA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 27/10/2017
PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 16/10/2017
Considere sempre o que recomenda o fabricante do produto que você aplicou.
Att. Marco Aurélio Factori

PIRATUBA - SANTA CATARINA - OVINOS/CAPRINOS
EM 28/09/2017
Att, Molin
PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 26/06/2017
Quanto a sua dúvida, observe a carência do produto segundo as orientações do fabricante. Sempre precisamos seguir as orientações do fabricante. Att. Marco Aurélio Factori