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Uso de polpa cítrica na alimentação de ruminantes

EDUCAPOINT

EM 10/12/2019

5 MIN DE LEITURA

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Como a nutrição representa uma grande parte do custo da produção de leite, os produtores estão sempre em busca de alimentos alternativos para a alimentação de bovinos, em substituição ao milho, tradicionalmente utilizado como fonte de energia para bovinos leiteiros. A polpa cítrica é uma das opções.
 
A polpa cítrica é um subproduto da fabricação de suco concentrado, principalmente de laranja e em menor escala de limão, pela indústria citrícola, obtida após duas prensagens dos frutos, que reduzem a umidade a 65-75%. Posteriormente o material é seco a 100-116 ºC, até que se atinja um teor de MS ao redor de 88-90% e então é peletizada. O resultado final é um subproduto constituído de cascas, sementes, bagaço e frutas descartadas.
 
Devido à sua alta capacidade de reter umidade, a polpa cítrica exige alguns cuidados para a sua armazenagem na fazenda. Locais secos e bem ventilados permitem armazenar o produto por períodos longos de até seis meses sem problema. É fundamental que o material seja checado periodicamente. Em caso de aquecimento, deve-se espalhar a polpa imediatamente para evitar combustão.
 
A polpa cítrica é rica em pectina, um carboidrato de alto valor nutricional, porém com alta capacidade de reter água e que dificulta a secagem da polpa. Para facilitar a secagem, é adicionado antes da prensagem 0,3 a 0,6% de hidróxido ou óxido de cálcio. Dessa forma o produto final é rico em cálcio e pobre em fósforo, o que requer cuidados especiais na formulação da dieta, quando este subproduto é usado em substituição aos grãos de cereais como milho e sorgo, pobres em cálcio e adequados em fósforo.
 
Com base nos dados de composição bromatológica, tem se atribuído a polpa de citros peletizada um valor energético ao redor de 85-90% do valor do milho e menor teor em proteína bruta. Deve ser considerado um alimento concentrado energético, porém, apresenta características sob o aspecto de fermentação ruminal que a colocam como um produto intermediário entre volumosos e concentrados.
 
Quando comparada ao milho, a polpa de citros peletizada é um material com teor muito baixo de amido em sua composição, com valores entre 0,1 e 0,14% e alto teor em FDN, com 24,2% da MS. Entretanto, a fração fibrosa da polpa cítrica tem apenas 1% de lignina e é quase totalmente degradada no rúmen. Outra característica importante a ser mencionada é o seu alto teor de carboidratos solúveis ao redor de 25 a 35% da MS.
 
Além de possuir alto teor de carboidratos solúveis e parede celular altamente digestível, a polpa cítrica apresenta em sua composição um carboidrato denominado pectina (25% MS), constituído por polímeros de ácido galacturônico e que fazem parte da estrutura da parede celular dos vegetais. A pectina é um carboidrato estrutural com alta degradabilidade ruminal (90-100%), sendo invariavelmente o carboidrato complexo de mais rápida degradação ruminal, apresentando taxas entre 30 a 50% por hora.
 
A fermentação da pectina é peculiar, gerando grande quantidade de energia por unidade de tempo, como ocorre com o amido e açúcares, porém com fermentação acética, que caracteriza a celulose e a hemicelulose, reduzindo os riscos de acidose. Em comparação com o amido, a pectina possui menor propensão em causar queda de pH ruminal, pois sua fermentação ruminal favorece a produção de acetato e não lactato e propionato como a fermentação amilolítica.
 
A manutenção de altos níveis de ácido acético no rúmen, mediante o uso de polpa cítrica, permite até que este alimento seja um substituto parcial de volumosos, ou forneça fibra de qualidade quando o volumoso disponível for de má qualidade. A polpa cítrica, quando em alta proporção na dieta, criou condições favoráveis para a atividade celulolítica no rúmen e teve efeito positivo no suprimento de nitrogênio ao intestino. A utilização da polpa cítrica tem apresentado resultados positivos em rações para bovinos em confinamento e em lactação. 
 
Já para bezerros, o fornecimento de polpa cítrica para animais com menos de 60 dias de vida é questionável, por causa da palatabilidade, sendo recomendado até 10% de inclusão de polpa cítrica na dieta para bezerros nesta categoria.
 
Polpa cítrica usada como aditivo
 
Os aditivos para silagens têm sido desenvolvidos com a intenção de melhorar o valor nutritivo, reduzindo as perdas dos nutrientes, através do controle da respiração e do processo fermentativo durante a armazenagem da forrageira não comprometendo suas qualidades físicas e bromatológicas.
 
A polpa cítrica é muito absorvente, chegando a elevar seu peso em 145% quando em contato com forrageiras úmidas. Desse modo ela preserva nutrientes que seriam perdidos pelo efluente ou pela própria fermentação descontrolada durante o armazenamento, na ensilagem do capim-elefante, independentemente do nível adicionado, os resultados obtidos desde a década de 70 foram favoráveis à inclusão da PC na forma seca e triturada para melhorar as características qualitativas das silagens.
 
Avaliando o perfil fermentativo da silagem de alfafa quando adicionado inoculantes microbianos em silos experimentais juntamente com 12% de polpa cítrica, pesquisadores observaram que em silos que continham polpa cítrica houve melhoria na composição bromatológica devido ao aumento do teor de matéria seca, melhorou o perfil fermentativo da silagem devido à sua capacidade de reter água, porém, houve aumento das perdas e redução da estabilidade aeróbia devido a aumento rápido da temperatura máxima. 
 
Através dos trabalhos estudados, podemos concluir que a polpa cítrica pode ser utilizada com segurança como substituto do milho e outros ingredientes da dieta de ruminantes, além de servir como aditivo melhorando a qualidade do processo fermentativo das forrageiras. 
 
A utilização deste subproduto certamente contribui para reduzir o custo de produção; entretanto o produtor deve estar atento às variações dos preços do milho e da polpa cítrica nas diferentes épocas do ano. Outro fator de grande importância é a capacidade de armazenamento da polpa cítrica na propriedade, uma vez que trata-se de um subproduto que se encontra disponível no mercado em determinado período do ano, podendo ser utilizado na alimentação do rebanho o ano todo.
 
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Fontes consultadas:
 
Uso de polpa cítrica peletizada na alimentação de ruminantes – Revisão, por Jéssica Santos Tigre (file:///C:/Users/julia/Downloads/uso-de-polpa-ciacutetrica-peletizada-n%20(1).pdf)

Uso de co-produtos na alimentação de vacas leiteiras (https://www.educapoint.com.br/blog/pecuaria-leite/uso-co-produtos-alimentacao-vacas-leiteiras/)
 
Substituição do Milho em Grão Moído pela Polpa Cítrica na Desmama Precoce de Bezerros Leiteiros = Rev. bras. zootec., 30(1):280-285, 2001 (http://www.scielo.br/pdf/rbz/v30n1/5464.pdf)

Polpa cítrica pode substituir o milho na alimentação de animais confinados (https://www.milkpoint.com.br/artigos/producao/polpa-citrica-pode-substituir-o-milho-na-alimentacao-de-animais-confinados-33016n.aspx)

 

 

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MATHEUS GUIDOTTI THAIS GONZAGA

ARARAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/12/2019

Polpa cítrica, caroço de algodão, etc. Nada sai mais barato que agua e uréia no pasto