Probióticos e saúde bucal: o papel dos produtos lácteos na modulação da microbiota oral

A modulação do microbioma oral com probióticos lácteos ajuda a prevenir cáries e doenças periodontais, promovendo saúde bucal e bem-estar sistêmico. Saiba mais!

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A saúde bucal está ligada ao equilíbrio da microbiota oral, composta por microrganismos que protegem contra patógenos. Fatores como dieta e higiene inadequadas podem causar disbiose. Os probióticos, presentes em produtos lácteos, emergem como aliados, ajudando a modular a microbiota e a reduzir doenças bucais. O consumo regular de iogurtes e queijos pode inibir patógenos, promovendo saúde bucal e prevenindo doenças sistêmicas. Assim, a alimentação com probióticos é essencial para a saúde geral.

A saúde bucal vai além da ausência de doenças como cárie e periodontite, ela está intimamente relacionada ao equilíbrio da microbiota oral. Esse ecossistema complexo é formado por diversos microrganismos, cada um com funções específicas, que interagem entre si e com o organismo hospedeiro (SAMPAIO-MAIA et al., 2016), mantendo-se em equilíbrio e contribuindo para a proteção contra patógenos. Entretanto, fatores como dieta inadequada, higiene bucal deficiente, uso de antibióticos, estresse e tabagismo podem desequilibrar esse microbioma, levando à disbiose. Nesse contexto, os probióticos destacam-se como aliados potenciais da saúde bucal, por serem microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro (HILL et al., 2014). 

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Os probióticos têm sido amplamente utilizados pela indústria de alimentos, acompanhando a expansão do mercado de produtos funcionais e a crescente demanda por opções inovadoras voltadas à saúde humana e animal (DE MELO PEREIRA et al., 2018). De acordo com o relatório Market Research Reports (Markets and Markets, 2024), a indústria de probióticos deve alcançar um valor de mercado aproximado de 105,7 bilhões de dólares até 2029. Embora tradicionalmente associados à saúde intestinal, os probióticos têm demonstrado um papel crescente na saúde bucal, pois podem colonizar a cavidade oral, competir com microrganismos patogênicos e, assim, reduzir seu crescimento, diminuindo o risco de doenças (RANGANATHA et al., 2024). Uma das principais formas de consumo desses microrganismos é por meio de produtos lácteos, como iogurtes e leites fermentados, reforçando seu potencial de aplicação. Além de fornecer probióticos, esses alimentos também são fontes de fósforo, cálcio e proteínas, nutrientes que ajudam a prevenir cáries e doenças periodontais, favorecendo a remineralização do esmalte dentário, dificultando a adesão de patógenos e inibindo a formação de biofilmes (CRUZ et al., 2022; NOZARI et al., 2015; ALVES et al., 2019).

Estudos indicam que o consumo regular de produtos lácteos com probióticos pode modular de forma positiva a microbiota oral e inibir o desenvolvimento de cáries e doenças periodontais em diferentes faixas etárias (CRUZ et al., 2022). Entre esses produtos, o iogurte se destaca por sua capacidade de reduzir bactérias associadas à cárie, como Streptococcus mutans, enquanto aumenta a presença de Lactobacillus sp. e melhora parâmetros clínicos, incluindo o acúmulo de placa e a gengivite (NOZARI et al., 2015; PAHUMUNTO et al., 2019).

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O queijo, por sua vez, pode contribuir para a redução de S. mutans, diminuir o risco de desmineralização em casos de hipossalivação e controlar a infecção por Candida sp. (PAHUMUNTO et al., 2019). Já o consumo de leite fermentado e leite convencional pode estar associado a uma menor incidência de cáries, à melhora da capacidade tampão salivar e à redução de enzimas envolvidas na degradação tecidual (CRUZ et al., 2022; PAHUMUNTO et al., 2019). Outros produtos lácteos, como leite em pó, kefir, petit suisse e coalhada, também apresentam benefícios, embora as evidências sejam ainda limitadas (CRUZ et al., 2022; PAHUMUNTO et al., 2019).

A literatura também evidencia uma forte associação entre patógenos orais e o desenvolvimento ou agravamento de doenças sistêmicas, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e artrite reumatoide (KILIAN et al., 2016; SANZ et al., 2020). Isso ocorre porque bactérias e suas toxinas podem translocar para a corrente sanguínea, desencadeando respostas inflamatórias em tecidos distantes (KILIAN et al., 2016). Nesse contexto, o consumo regular de produtos lácteos probióticos ganha destaque, ultrapassando a função de simples cuidado com a higiene bucal e configurando-se como uma estratégia terapêutica complementar e eficaz. Esses alimentos funcionais modulam o microbioma oral por diferentes mecanismos, incluindo a competição por adesão, a produção de substâncias antimicrobianas, como bacteriocinas, e a regulação da resposta imune do hospedeiro (ZAURA; TWETMAN, 2019). Essa ação direta sobre o biofilme dental inibe o crescimento de patógenos e favorece o restabelecimento do equilíbrio microbiano, essencial para a manutenção da saúde bucal e sistêmica (DEO; DESHMUKH, 2019).

Assim, manter a homeostase oral por meio da alimentação — especialmente com o consumo de produtos lácteos que contenham probióticos — representa não apenas uma medida preventiva contra cáries e periodontite, mas também um fator essencial para a promoção da saúde. Cuidar da boca é, portanto, cuidar de todo o corpo. Nesse contexto, a modulação do microbioma oral por meio de probióticos lácteos surge como uma estratégia promissora e acessível para prevenir diversas doenças crônicas (DEO; DESHMUKH, 2019; SAMPAIO-MAIA et al., 2016).

Referências bibliográficas

ALVES, F. et al. Uso de probióticos na odontologia: revisão da literatura. Brazilian Oral Research, v. 33, e067, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2023v5n5p4360-4369. Acesso em: 8 out. 2025.

CRUZ, M. F. da. et al. Probióticos e produtos lácteos em odontologia: Uma revisão bibliométrica e crítica de ensaios clínicos randomizados. Food Research International, v. 157, 111228, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.foodres.2022.111228. Acesso em: 8 de out. 2025

DE MELO PEREIRA, G. V. et al. How to select a probiotic? A review and update of methods and criteria. Biotechnology Advances, v. 36, n. 8, p. 2060–2076, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.biotechadv.2018.09.003. Acesso em: 8 out. 2025.

DEO, P. N.; DESHMUKH, R. Oral microbiome: Unveiling the fundamentals. Journal of Oral and Maxillofacial Pathology, v. 23, n. 1, p. 122-128, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.4103/jomfp.JOMFP_304_18. Acesso em: 8 out. 2025.

HILL, C. et al. The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics consensus statement on the scope and appropriate use of the term probiotic. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, v. 11, n. 8, p. 506–514, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1038/nrgastro.2014.66. Acesso em: 8 out. 2025.

KILIAN, M. et al. The oral microbiome – an update for oral healthcare professionals. British Dental Journal, v. 221, n. 10, p. 657-666, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1038/sj.bdj.2016.865. Acesso em: 8 out. 2025.

NOZARI, A. et al. The Effect of Iranian Traditional Urobiotic Yogurt on Salivary Cariogenic Microflora in Children. Journal of Dentistry (Shiraz ), v. 16, n. 2, p. 81–86, 2015. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4445856/. Acesso em: 8 out. 2025.

PAHUMUNTO, N. et al. Probiotic dairy products and oral health: A review. Clinical Oral Investigations, v. 23, n. 7, p. 2763–2775, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s00784-018-2682-9. Acesso em: 8 out. 2025.

RANGANATHA, N. et al. Unlocking the Potential: Probiotics as a Promising Frontier in Oral Health. Journal of Pharmacy & Bioallied Sciences, v. 16, suppl. 3, p. S1947–S1949, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.4103/jpbs.jpbs_96_24. Acesso em: 8 out. 2025.

SAMPAIO-MAIA, B. et al. The Oral Microbiome in Health and Its Implication in Oral and Systemic Diseases. Advances in Applied Microbiology, v. 97, p. 171–210, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1016/bs.aambs.2016.08.002. Acesso em: 8 out. 2025.

SANZ, M. et al. Periodontitis and cardiovascular diseases: Consensus report. Journal of Clinical Periodontology, v. 47, n. 3, p. 268-288, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jcpe.13189. Acesso em: 8 out. 2025.

ZAURA, E.; TWETMAN, S. The impact of probiotics on the oral microbiota. In: Oral Health and Herbal Medicine. Cham: Springer, 2019. p. 111-122. Disponível em: https://doi.org/10.3390/pathogens13050419. Acesso em: 8 out. 2025

 

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Material escrito por:

Gabriela Signori

Gabriela Signori

Graduanda em Odontologia, Universidade do Vale do Taquari - Univates

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Isadora Lieske

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Mestranda do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia, Universidade do Vale do Taquari - Univates.

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Claucia Fernanda Volken de Souza

Claucia Fernanda Volken de Souza

Professora Titular da Univates, atuando nos Programas de Pós-Graduação em Biotecnologia e Sistemas Ambientais Sustentáveis e nos cursos de Engenharia de Alimentos, Engenharia Química e Química Industrial. Doutora em Biologia Celular e Molecular.

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