Opinião: por que o mercado virou?
Seção Panorama de Mercado: "Nesse ano em que os preços posicionaram-se fora da curva, vários agentes do mercado acostumados com o comportamento do leite foram surpreendidos por oscilações e patamares nunca antes confrontados no atacado, varejo e também ao produtor. Já nesse momento da inversão da curva, ascendente até há poucos dias, também a queda do "spot" está sendo rápida e surpreendente. Será um reflexo do mercado frente à ascensão? Muitos dizem que o mercado é totalmente soberano. Será? Vamos analisar", por Roberto Jank, produtor de leite e Diretor-Presidente da Agrindus S/A - Empresa Agrícola Pastoril.
Publicado em: - 3 minutos de leitura
É possível que um crescimento negativo da produção em 2015 e 2016 (o primeiro, em 23 anos) possa se recuperar com essa dinâmica meteórica? Na seca, com custos altos de alimentos? Mais ainda, no caso do varejo, com queda de consumo na retomada das aulas apesar dos preços menores?
O primeiro movimento de baixa que enxergo é o enorme poder com que se apresenta o varejista, especialmente as grandes redes de supermercado. Veja que isso nada tem a ver com o consumidor. Nesse ano ficou provado o que é, de fato, um produto com baixa elasticidade de renda. Mesmo com preços fora da curva, ainda assim o consumidor não deixou de comprar leite. Possivelmente reduziu o consumo de derivados lácteos após os preços cruzarem a tênue linha do seu poder de compra, mas esses são produtos de alta elasticidade.
Por que o supermercado consegue impor preços para trás à revelia do consumidor? Em primeiro lugar sinto uma dicotomia entre o setor responsável por captação de leite e pela gerencia comercial das indústrias de leite.
No setor de vendas das indústrias, normalmente atribui-se importância apenas ao valor de compra da matéria-prima, esquecendo-se do contexto da produção e mercado externo. Já no setor de captação industrial é mais comum o entendimento de que leite cru mais caro ou mais restrito significa melhor margem na venda ao atacado; ou seja, normalmente é um jogo de ganha-ganha entre produtor e indústria. Mas para quem vende ao atacado, apenas o custo dos insumos importa. Por isso a decisão de importações pontuais maciças, em parte por indústrias captadoras de leite cru, que vão abastecer de forma rápida e desequilibrada o mercado, infiltra-se em todos os segmentos de vendas por vasos comunicantes, causando desvios de matéria-prima para setores antes equilibrados. Esse aspecto deverá ser confirmado com o fechamento dos volumes de leite em pó que entraram no país em agosto.
Porém esses mesmos agentes esquecem que a queda dos preços da matéria-prima reflete-se imediatamente nos preços de venda, especialmente pelo nervosismo das indústrias financeiramente mais frágeis, que compram mais barato e imediatamente vendem mais barato, agindo como traders. Com essa “carta marcada” dos preços na mão, os grandes varejistas saem do mercado exercendo seu papel impositor de preços. Como consequência, as indústrias sobram com seus estoques, muitas vezes caros como no presente momento e inicia-se a derrocada dos preços do atacado e varejo. Isso já é conhecido, mas seguimos sempre reprisando o mesmo filme.
Isso tem a ver com o consumo? Não creio. O consumidor vinha comprando caro e deixa imediatamente de comprar quando fica barato? Ou quando voltam aulas nas escolas? Não creio.
A meu ver, esse é um movimento simples de restrição de compra dos supermercados, de sensível administração de estoques pelos laticínios e de maior ou menor exposição do valor desse estoque com relação aos preços ora praticados. Mas nesse último caso, com um agente muito forte e difícil de ser confrontado: o grande varejista.
Isso não necessariamente significa que a produção aumentou ou que o consumidor deixou de consumir, como sugerem alguns agentes. Mas se estou certo ou errado, vamos saber logo. De fato o mercado virou. Mas a culpa é da nossa cadeia mesmo, porque não soubemos aprender com as lições do passado.
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Material escrito por:
Roberto Jank Jr.
Acessar todos os materiaisDeixe sua opinião!

JATAÍ - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 15/09/2016
Portanto, para isso funcionar, deveria existir uma politica de compra e venda, um contrato, não só com os direitos dos produtores, mas com todos os deveres, incluindo a produção máxima que será negociada no periodo, impondo limite de produção, conforme a demanda do comprador, cada produtor dependendo do seu historico de produção seria estipulado um limite mínimo e máximo de produção, sendo este o responsavel pela entrega da quantidade combinada,
Então o produtor saberia que não pode produzir menos, nem mais, do que o combinado previamente.
DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 14/09/2016
LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS
EM 14/09/2016
Formalização é sempre bom,
Mas hoje não vejo um indexador confiável a ponto de dar segurança às partes;
Um primeiro passo seria tornar mais justa e amigável a relação de compra e venda no campo, e para isso é fundamental que as informações cheguem até os produtores.
Abraço
CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO
EM 14/09/2016
A continuar o atual sistema que temos, não veremos nada perto do que Paulo sugere. Em 300 dias nosso mercado doméstico é um chute na lua.
Mas, Sávio, o importante aqui não é o número que ele sugeriu. É o conceito e esse precisa mais atenção das partes.
LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS
EM 14/09/2016
Realmente estamos muito longe então da solução no seu entender;
Imagina um contrato de 300 dias.
Em 2016, nesse período, houve uma variação de curva que vai ultrapassar 60%.
Não consigo visualizar viabilidade econômica no livre mercado com a sua proposta,
LONDRINA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 13/09/2016
Mas mesmo considerando o produtor o elo mais fraco, pela sua desorganização, por ter muitos amadores no sistema, por trabalhar muito e não fazer valer a sua importância política nem econômica. Enfim (poderia continuar citando..citando), concordo plenamente que a relação entre o produtor e a industria precisa mudar... já é sem tempo e necessário começar a discutir um plano estratégico para a cadeia, onde o planejamento gerando um contrato deve ser de pelo menos uma lactação.(300 dias)..
Acho que interessa a industria melhorar a relação e que a vida do produtor seja digna e melhor, tenho certeza que todos estão neste negócio por que gostam muito da atividade, mas também querem e precisam ganhar dinheiro...
Acho que você defende e por que não iniciar um novo tempo de segurança....pra todos.
LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS
EM 12/09/2016
Muitas indústrias desesperadas com o momento de escassez fizeram compromissos de tempo acima do que podiam e agora estão tendo que voltar atrás. Isso é errado, é imprudência;
Da mesma forma que muitos produtores que tinham contratos com índices servindo como parâmetros, quando chegaram no pico dos preços em junho, desistiram dos compromissos e exigiram receber do comprador no livre mercado preços maiores;
O leite tem muito disso, de imediatismo.
Nós que estamos a muito tempo nesse mercado, sabemos que em leite, não se faz compromisso de mais que 30 dias;
Não existe, combinação, cartel, orquestração nada disso. Existe um mercado instável que nos pega pelo pé várias vezes em um mesmo ano;
Precisam amadurecer as negociações de leite, inclusive na queda. Os produtores precisam enxergar mais o mercado.
Uma curva de desvalorização como aconteceu agora, se não for absorvida pode gerar ainda mais dano na cadeia, com a quebra de indústrias e o não pagamento do leite.
Em alguns momentos é melhor receber menos do que não receber. Todos os elos do mercado devem ter viabilidade econômica;
Não concordo com essa análise de que o produtor é o elo fraco da cadeia. Em vários momentos a indústria compromete as suas margens para preservar sua captação de leite.
Esse é um momento que essa verdade aparece com mais clareza. Se fosse para abaixar o que mercado está impondo nesse momento para preservar margem industrial, as quedas ficariam na casa de 0,40 a 0,50 em um mês. Isso obviamente não vai acontecer;
Defendo um mercado de mais diálogo e percepção da realidade, possibilitando melhores saídas para a cadeia láctea.
Desentendimento na cadeia produtiva só causa atraso;
Abraço

FORMIGA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 12/09/2016
LONDRINA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 12/09/2016
Entendo que algumas colocações que não condizem com a realidade devem ser desconsideradas. Concordo que alguns as insinuações não ajudam, principalmente no atual momento as negociações (alguns lacticínios prometeram pagar um valor e não estão cumprindo), pelo menos aqui no Estado do Paraná, e as negociações produtor industria não são muito transparentes. Também considero muito forte a afirmativa de relatar algumas impressões possam causar conflito...o conflito está na forma como o mercado lácteo é construído todos os dias e de formas diferentes para cada produtor...
Pelo menos, esta é a minha opinião.

CONCEIÇÃO DE MACABU - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DOS LACTICÍNIOS
EM 12/09/2016

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 10/09/2016
LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS
EM 09/09/2016
Ainda consigo ficar surpreso com essas "sugestões" de cartel ou atitude orquestrada;
Não é mais fácil acreditar que se as indústrias anunciaram queda é porque todas estão precisando cair?
Não é mais fácil verificar que as indústrias não tem tamanha "organização" como sugere uma vez que esse ano elas literalmente se confrontaram no campo por leite? Nunca tivemos um ano de tanta concorrência no campo;
Seria também uma "combinação" as altas de junho e julho na casa dos 0,10 a 0,20 cada mês? Combinariam também a alta, mesmo brigando por leite??
Não é mais provável dizer que o mercado de fato caiu e que da mesma forma que subiram 0,20 elas também estão aptas a cair 0,20? Não parece óbvio que o movimento de mercado esse ano está mais agressivo tanto na alta como na baixa, devido a instabilidade.
Existe a falsa ideia que a indústria ganha dinheiro quando abaixa preço do leite. O momento de ganho das indústrias é na alta, assim como no campo.
Mercado desvalorizando na velocidade que está representa grande risco de perda em toda a cadeia produtiva;
Esse discurso insinuativo só eleva o conflito na relação produtor/indústria sem necessidade;
DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 09/09/2016

PIRACICABA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 09/09/2016
Obrigado pelas observações e pela indicação do artigo. Com relação à análise e aos argumentos por ela apresentados, pondero que:
- Os estados do sul do país, que respondem por cerca de 36% da produção de leite do país, tem curva de chuvas e sazonalidade de produção diferentes daquela descrita pelo artigo. Assim, a produção naqueles estados já vem crescendo, fato comprovado pela projeção de preços em queda dos Conseleites do RS, SC e PR
- A atratividade da relação de troca entre o concentrado e o leite, medida pelo indicador RMCR (Receita Menos Custo da Ração), aumentou significativamente, principalmente nos meses de julho e agosto, em função das fortes subidas de preço do leite. Nossa visão é que este efeito tende a gerar estímulo a um maior fornecimento de concentrado pelos produtores de leite, fazendo reagir a produção de leite
- É correto dizer que os preços internacionais estão reagindo de forma mais rápida, principalmente nos dois últimos leilões GDT, mas o produto importado, trazido a equivalente leite fresco para o nosso mercado, ainda é mais competitivo em relação ao equivalente nacional (notadamente o produto com origem no Mercosul), mesmo nestes novos patamares de preços.
- A observação que temos feito do mercado é de que o leite spot já teve queda significativa a partir da 2ª quinzena de julho e de que há empresas já aplicando quedas de preços ao produtor para o leite fornecido em agosto (pago agora em setembro). Com relação ao leite fornecido em setembro (a ser pago em outubro), a tendência de queda tende a ser mais generalizada ainda.
Forte abraço!
Valter
LONDRINA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 09/09/2016
A grande razão apresentada é que as grande redes só compram leite pagando a R$ 2,90.

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 09/09/2016
Mesmo não sendo nenhum dos tres referendados, gostaria de dar meu pitaco. O aumento de 13% é referente ao fechamento do CEPEA, pagamento agosto referente a julho. Onde se viu aumentos individuais até maiores que 13%. A queda que estamos trabalhando e ouvindo é para o pagamento de setembro referente a agosto.
Quanto ao preço internacional o descolamento do mercado interno esta muito grande. Estamos falando após a alta de preços de R$ 1,14 para EUA e o leite em pó processado na faixa de R$ 1,14 equiv. leite fluido ( o preço ao produtor é isso menos os descontos da Fonterrra pelo processamento).

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 09/09/2016
este artigo só veio confirmar o que a maioria de nós já sabíamos.
Manobra de industrias e supermercados para baixar os preços pagos ao produtor.
Infelizmente somos o elo fraco da cadeia...

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 08/09/2016
Porque vários produtos mudaram de patamar de preços ao longo dos anos como a arroba do boi e o leite fica eternamente aprisionado nos mesmos patamares desde 2008? Não conseguimos repor nem as perdas com inflação! Será que o consumidor realmente não pagaria R $ 1,50 a R$ 2,00 a mais no UHT?
GOIÂNIA - GOIÁS
EM 08/09/2016
Não sei se já leram no "Blog do DANIEL DIAS", a matéria com o titulo "Leite: Preço ao produtor sobe 13%. Preços internacionais sobem 35%. Erra quem aposta em baixa dos preços!"
Publicado por: danieldias em 07/09/2016 às 19:09
Segue link:
http://blogs.canalrural.com.br/danieldias/2016/09/07/leite-preco-ao-produtor-sobe-13-precos-internacionais-sobem-35-erra-quem-aposta-em-baixa-dos-precos/
Gostaria que comentassem a matéria acima citada.
Abraço a todos

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 08/09/2016