Diante da valorização continua da terra e do montante considerável de capital imobilizado na mesma, a ovinocultura tradicional, de perfil extrativista e de baixa produtividade, vem, ao longo dos anos, se tornando cada vez menos competitiva, tendendo a sucumbir diante das novas demandas de produção e das outras opções existentes de investimento.
Em função disso, processos de intensificação geralmente precisam ser conduzidos, ao menos em alguma fase do ciclo produtivo, a fim de elevar a taxa de desfrute da propriedade e de aumentar os níveis de produtividade (quilos de cordeiro/ha/ano), o que, consequentemente, resulta em incrementos positivos nos índices econômicos.
Neste contexto, tecnologias de efeito sistêmico, como o confinamento, podem ser utilizadas de forma estratégica na fase de terminação para alavancar os resultados da empresa, viabilizando a produção de uma maior quantidade de carne com qualidade, no menor espaço de tempo e a custos competitivos.
Dentre os impactos que a terminação em confinamento apresenta sobre o sistema de produção como um todo, encontram-se, sobretudo, o aumento na escala de produção, devido à liberação de áreas de pastagens para o rebanho de cria, e o melhor retorno sobre o capital investido, especialmente a terra, em função dos incrementos em produtividade.
Para demonstrar os efeitos benéficos do uso estratégico do confinamento foi realizada uma simulação, tendo como referência orçamentos e custos vigentes em agosto de 2012 e uma escala base de 500 cordeiros terminados por ano. Para tanto, foram comparados três sistemas de terminação, de acordo com os parâmetros apresentados na Tabela 1: PAST.EXT.: terminação extensiva a pasto, com lotação continua; PAST.INT.: terminação intensiva a pasto, com lotação intermitente, correção e adubação de produção, aplicação de 450 kg de N ha ano e irrigação; e CONFIN.: terminação em confinamento com ração de alto grão. O confinamento foi dimensionado para operar o ano todo, apresentando capacidade estática de 100 cordeiros por ciclo de terminação.

A Tabela 2, abaixo, apresenta os resultados econômicos de cada um dos três sistemas de terminação considerados. A princípio, é possível observar que o capital inicial, referente ao total investido para viabilizar a atividade, é quase 12 vezes inferior para o confinamento em relação ao sistema extensivo a pasto, devido a este último possuir um elevado montante de capital imobilizado em terra, considerando que para terminar um lote de 500 cordeiros seriam necessários 83 hectares de pastagens em função da baixa taxa de lotação alcançada por esse sistema.

Os valores de capital inicial se refletem no investimento inicial por cabeça, que para os sistemas a pasto são sempre maiores, em função da maior quantidade de terra utilizada. Enquanto que para engordar um cordeiro em confinamento é necessário desembolsar apenas R$ 76,24, no sistema intensivo a pasto esse valor sobe para R$ 92,40 e, no sistema extensivo, chega ao patamar dos R$ 1.038,10 por cabeça.
Embora a relação entre a receita e os componentes de custos possam ser usados como referencial da saúde econômica de uma empresa, essas variáveis são apenas meios e não fins. O que interessa, de fato, são o lucro operacional por hectare e a rentabilidade.
O lucro operacional é a diferença entre a receita total e o custo operacional total, e quando demonstrado em função da área total utilizada para produção - lucro operacional ha - permite a comparação de uma atividade agropecuária com outras opções de culturas. O confinamento, por necessitar de um espaço relativamente pequeno para operar (0,5 ha), consegue obter valores muito superiores, o que está diretamente vinculado ao nível de produtividade, que é cerca de 11 e 225 vezes maior quando comparado aos sistemas intensivo e extensivo a pasto, respectivamente.
Por sua vez, a rentabilidade (lucro operacional/capital médio) mede a remuneração dos capitais próprios investidos na empresa, e logo, a capacidade da atividade de gerar rendimentos em relação ao capital total investido, sendo considerado um dos índices econômicos mais relevantes por permitir comparar o rendimento obtido com outras opções de investimento, sejam essas produtivas, financeiras ou especulativas.
Em função do investimento significativamente menor, o confinamento estratégico possibilita altas rentabilidades (22,25%), mesmo com o lucro operacional sendo quase a metade do sistema extensivo a pasto que, por sua vez, apresentou uma rentabilidade de apenas 2,5%, valor irrelevante diante do rendimento de 7,1% obtido na caderneta de poupança nos últimos 12 meses, o que o torna uma opção de muito baixa atratividade econômica.
Dessa forma, o confinamento se apresenta como uma ferramenta valiosa de terminação, e quando utilizado estrategicamente dentro do sistema de produção, pode garantir a melhoria dos resultados econômicos da empresa, principalmente, por meio do aumento da escala de produção, uma vez que, a cada 5 cordeiros terminados em confinamento abri-se espaço na propriedade para ampliar o rebanho de cria em cerca de 3 ovelhas.
Além disso, o confinamento permite: a) o abate de animais mais jovens, possibilitando adiantar receitas e acelerar o giro de capital da empresa; b) ofertar animais de alta qualidade o ano todo, com agregação de valor no período seco; c) distribuir melhor as receitas da propriedade ao longo do ano, proporcionando flexibilidade na comercialização da produção, principalmente em regiões onde o período seco é muito prolongado; e d) concentrar a produção de esterco, permitindo seu manejo integrado e o uso em áreas de produção de volumosos.
